Fui para casa da minha madrinha, sabia que me aceitaria, ela sempre soube, sempre foi minha amiga, contei pra ela assim que fiquei a primeira vez com uma garota.
Toquei a campainha e minha madrinha ficou surpresa em me ver.
-Renata? Que surpresa! - Exclamou.
-Madrinha, posso ficar aqui, pelo menos por um tempo? - Implorei.
-Entra, seu pai descobriu, né? - Adivinhou.
-É, e eu acabei saindo de casa, então eu posso ficar aqui? - Perguntei, aflita.
-Claro, que pergunta! Mas me conta como tudo aconteceu. - Pediu ela.
Contei o que tinha acontecido no banheiro, na diretoria, e da discussão com meu pai. Ela ouviu tudo paciente.
-Nossa, você também tinha que dar esse mole? - Brincou.
-Mas não foi nada planejado. - Expliquei.
-Sei, mas você sabe o que aconteceu com sua namorada? - Ela perguntou, inocente.
-Ela não é minha namorada. - Avisei.
-É o que? - Quis saber.
-Nada. - Falei.
-Nada? Vocês passaram a noite juntas, foram pegas transando, e você fala que ela não é nada sua? - Perguntou incrédula.
-É foi só uma garota que aconteceu de eu ficar, nada de mais. - Disse displicente.
-Ela sabe disso? - Perguntou, curiosa.
-Sei lá. - Disse confusa.
-Ela gosta de você? - Minha madrinha continuou.
-Sei lá, tipo ah sei lá. - Não sabia o que dizer.
-E você gosta dela? - Perguntou.
-Não, não perco mais meu tempo me apaixonando! - Afirmei
-E por que você disse que a culpa de tudo era sua? Se não gostasse dela não tinha feito isso. - Pressionou.
-Só não achei certo ela tomar bronca, até porque fui eu mesmo que dei em cima dela. - Confessei.
-Mesmo assim, se não gostasse dela você não teria feito isso. - Continuou.
-Aonde você quer chegar? - Perguntei, desconfiada.
-Até a parte que você confessa que gosta dela, e por isso fez tudo. - Esclareceu.
-Madrinha ela é muito diferente, mesmo que eu ainda tivesse a ilusão de me apaixonar, ela não seria do tipo que eu me apaixonaria. Ela é uma patricinha, que não tem nada na cabeça. - Expliquei.
-E qual é o tipo de garota que você se apaixonaria? - Quis saber.
-Nenhuma, eu não sou do tipo de garota que se apaixona, já disse, eu sou do tipo que só quer curtir. Não quero e nem vou nunca me apaixonar. Pra que pra ficar sofrendo feito idiota? Não, isso não é pra mim. - Deixei claro.
-Por que tanto medo de se apaixonar? - Perguntou, curiosa.
-Não é medo. Eu não tenho medo de nada. - Afirmei.
-Comigo? Você sabe que não precisa fazer esse personagem comigo. - Me falou.
-Personagem? - Estranhei.
-É, se faz de forte e tal, mas no fundo é só uma menina que tem medo de se passar por fraca. Me fala a verdade, você gosta dela? - Disse com ar superior.
-Madrinha, ela é muito diferente de mim, só pensa em fica bonita, não tem nada na cabeça, mas é bem maluquinha, você acredita que ela colocou um globo no meio do salão, pra todos assinarem, porque ela vai deixar no pátio da escola como recordação, ela é meio louca. - Contei.
-E você ainda tem coragem de falar que não gosta dela? - Zombou.
-Por quê? - Não entendi a pergunta dela.
-Olha só a cara que você faz quando fala nela, está escrito na sua testa. - Zombou.
-Do que você está falando? - Perguntei indignada.
-Da sua cara de apaixonada.
-Madrinha você está bem?
-Eu? Eu estou ótima. Liga pra ela e vê se está bem. - Pediu.
-Mas não tenho o numero dela. - Avisei.
-Liga pra alguma amiga dela, e tenta descobrir.
-Tá, vou ligar pra Lê, talvez ela tenha.
-Alô? - Disse a voz do outro lado.
-Alô? Leandra sou eu, tudo bem? - Avisei.
-To sim e você?
-Pode-se dizer que eu to bem.
-Como foi com o seu pai? - Quis saber.
-Ah ele me expulsou de casa. - Disse em tom totalmente displicente.
-Que? E você está aonde? - Disse, preocupada.
-Na casa da minha madrinha, eu to aqui agora. - Informei.
-Ah, e você vai continuar lá na escola?
-Provavelmente, deixa eu te perguntar, você tem o telefone da Fernanda?
-Acho que sim, por quê?
-Eu quero saber o que aconteceu com ela. - Expliquei.
-Tá! Eu vou ver aqui se eu ainda tenho. - Me avisou.
-Está bem.
-Você vai pra escola amanhã?
-Vou, não vou parar minha vida por causa disso.
-Ó esse é o numero, anota ai...
-Beleza, obrigada, Lê.
-Amanhã você tem muita coisa pra me falar viu! - Me avisou.
-Pode deixar, eu te explico tudo amanhã. Beijão.
-Outro. Tchau.
-Alô? - Uma voz feminina no telefone.
-Alô, por favor, a Fernanda? - Pedi.
-É ela, quem está falando?
-Oi Fernanda, sou eu, a Renata. To ligando pra saber como você está depois de tudo aquilo!
-Até que eu to bem, peguei um mês de castigo, mas foi só, e uma conversa com minha mãe. - Fiquei mais tranquila.
-Ela ficou muito brava com você?
-Só por eu ter transado no banheiro da escola, mas quanto eu ser homo, ela respeitou minha opção, ficou surpresa, mas me deu mó força. E você como foi com o deu pai? Ele tava bem nervoso lá na escola.
-Eu sai de casa. - Contei.
-O que? - Ela ficou preocupada.
-Ele mandou eu escolher entre continuar lésbica e sair de casa ou virar hétero e poder continuar na casa dele, então eu sai de casa. - Resumi.
-E você está aonde?
-Na casa da minha madrinha, ela já sabia e sempre me apoiou.
-Nossa eu não sabia que seu pai era assim!
- Foi o que eu te disse, você saber que eu sou lésbica não é grande coisa, existem muitas coisas que você não sabe. Bom, mas eu liguei pra ver se tava tudo bem, pelo visto está. Então eu vou indo, ainda tenho que arrumar minhas coisas aqui.
-Tá bem! Você vai continuar estudando lá na escola?
-Provavelmente.
-Você vai amanhã?
-Acho que sim, por quê?
-Porque eu não sei se eu vou. To pensando em sair de lá. - Me confessou.
-Por quê?
-Por quê? Mó vergonha, porque amanhã todo mundo já vai está sabendo.
-E daí?
-E daí que vai estar todo mundo falando disso.
-Foda-se, ninguém tem nada a ver com o que aconteceu, a vida é sua, você faz o que bem entender dela. E se sair de lá aí sim vai dar mais motivo pra todo mundo falar. Vai, e se alguém falar merda, manda se ferrar. Seus pais que são os principais já sabem, você não tem que ficar se escondendo por medo do que os outros vão pensar.
-Talvez você tenha razão. Eu vou amanhã.
-Então eu te vejo lá, até amanhã.
-Até. Tchau.
-Então como ela está? - Minha madrinha quis saber.
-Está bem, só pegou um mês de castigo.
-Sabe, eu estava ouvindo a conversa, você devia seguir o mesmo conselho que deu pra ela: Parar de se preocupar com que os outros pensam, e se preocupar com o que você pensa.
-E quem disse que eu me preocupo? A diferença é que eu deixo os meus pensamentos e problemas pra mim, eu não preciso sair espalhando e me fazer de coitadinha. - Expliquei.
-Você não sente falta de um amigo que possa te aconselhar quando você precisar?
-Eu já tenho você. - Informei.
-Mas você não me conta tudo sobre a sua vida, tem muitas coisas que eu não sei de você.
-É que só falo o necessário. Tem coisas que não preciso sair contando pros outros, e essas coisas eu guardo pra mim.
-Mas você não se sentiria melhor se pudesse desabafar com alguém?
-Eu já disse, eu tenho você, e quanto a desabafar com alguém, fiquei bem até hoje, não tenho por que mudar. - Finalizei.
-Bom, você que sabe, eu não vou ficar insistindo. Agora vai arrumar suas coisas e se acomodar.
-Tá bem.
-Você só tem isso?!?
-Tem mais coisa na casa do meu pai, mas eu vou deixar pra pegar depois.
-Ah tá. Agora vai arrumar suas coisas e descansa um pouco, por que não deve ser muito bom dormir no chão do banheiro. - Brincou.
-É, é meio desconfortável. É um tanto quanto duro eu diria. - Entrei na brincadeira.
-Mas a companhia tava boa, né? Ela me provocou.
-Vai começar de novo? - Perguntei fechando a cara.
-Tá bem eu paro, mas não deixa de ser verdade. - Dessa vez ela que finalizou.
-Você perdeu o medo da morte? - Brinquei.
-E eu já tive isso?
-Mereço.
-Vai lá. Eu vou começar a preparar a janta.
Subi pro quarto, e arrumei minhas coisas. Fiquei pensando na Fernanda, se estaria bem, se iria à escola no dia seguinte, e cheguei à conclusão que o melhor era me afastar, assim ela poderia voltar a ter a mesma reputação de antes.
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Minha escritora predileta!!!!
ResponderExcluirTa fofis isso tudo bb , tia ta orgulhosaa!!!
\o/ s2
*-*
ResponderExcluirhehehehhee eu e vc acha q eu nao ia acompanhar?! to adorandooo >.<
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