quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CAPOITULO 23

Bom, eu quero agradecer a todos que acompanharam o blog...*---*
Brigadaaa
\\oo//
Hoje eu posto o ultimo capitulo dessa historia... Espero que gostem desse final...
Beijos...



Lutei com ela até que de alguma forma consegui tirar a arma da mão dela, tomei distancia mirei nela.
-Eu falei que você ia pagar por tudo!
Atirei. Acertei no peito, ela caiu no chão, joguei a arma pra longe dela, e corri pra ver a Fernanda, ela estava consciente, o tiro acertou ela no ombro direito.
-Eu liguei pra Fabiana, ela ta vindo pra cá. – Ela me avisou.
-Olha, não faz esforço, fica quietinha, vou ligar pra policia e tudo vai ficar bem, ta?
A porta da sala começou a balançar, tinha alguém forçando a porta.
-Renata? Você ta ai? Me responde?
-Saiam da frente.
Com um estrondo vi a porta da sala indo ao chão.
-Renata?
-Fabiana? Graças a Deus que você veio. A Fernanda... Ela pulou na minha frente... Levou um tiro no meu lugar... Ai eu... Eu peguei a arma, atirei nela...
-Calma, eu liguei pra policia quando eu tava vindo pra cá, eles já estão cuidando das coisas. – Me abraçou.

Algumas horas depois, estava na sala do hospital com a Fabiana, com meu pai, com o Seu Ricardo e com a Dona Aurora, pais da Fernanda, esperando ela sair da sala do médico.
Ela apareceu, cheia de sangue na roupa e com o ombro enfaixado.
-Porque você fez aquilo? –Perguntei
-Filha, como você ta? – Dona Aurora perguntou
-Tô bem mãe, ai cuidado, isso dói. – Ela disse pra mãe que dava um abraço nela.
-Desculpa filha. – Disse a Dona Aurora, entre lágrimas.
-E quanto a você Renata, respondendo a tua pergunta, eu fiz isso porque eu te amo, achei que já tivesse deixado isso claro pra você das outras vezes, mas parece que me enganei. Bom, mas acho que agora você não tem mais duvidas né?
Tudo ao meu redor sumiu, tudo o que eu conseguia ver era ela e o sorriso dela, mais bonito que nunca.
-Te amo. – Eu disse, em claro e bom som pra que ela me escutasse. Fui em sua direção e beijei-a, não me importava que as pessoas estivessem olhando, tudo que eu sabia na hora e que me importava é que amava aquela garota e que eu não podia deixá-la escapar.

Começamos a namorar naquele dia. Cuidava dela como se fosse à flor mais delicada e mais frágil. Comecei uma vida nova. Não voltei a morar com meu pai, a Fabiana me chamou pra morar com ela, eu fui.

Hoje, dois anos depois de tudo isso, eu e a Fernanda moramos juntas numa casa perto da Faculdade. Não me canso de dizer que ela é a mulher da minha vida, e não acredito no quanto eu fui burra de ter ficado tanto tempo sem ela.
Hoje em dia tenho um relacionamento melhor com meu pai, hoje à gente já consegue conversar sem acabar discutindo ou se exaltando.
A Fabiana? Ela se tornou a mãe que eu sempre quis ter, cuidadosa, carinhosa, me dá broncas e tudo, eu até gosto, nela encontro um pouco da minha mãe de verdade, até a chamo de mãe. Substituir minha mãe Márcia? Jamais, ela é uma outra mãe que o destino me presenteou.
A Leandra é a típica amiga do casal, sabe? Arranjou uma garota chamada Juliana, está toda apaixonada... Confesso que ainda fico com ciúmes dela, ela é como se fosse minha irmã, e ela e a Fê sabem disso. A Lê, mora aqui perto nós três fomos pra mesma faculdade, e encontrou a tal Juliana aqui na faculdade mesmo.
Os pais da Fê dão um super apoio pra gente, são duas pessoas maravilhosas, morrem de ciúmes da filha, mas no fundo eles sabem e que a amo mais do que minha própria vida.
Vocês estão curiosos pra saber o que aconteceu com a Cátia, né? Bom, ela ficou 4 meses em coma, por causa da batida na cabeça que levou quando caiu depois de levar o tiro. Mas se recuperou, foi pra uma prisão. Sinceramente não sei se o julgamento já foi, ou quanto tempo ela pegou, nem quero saber, quem cuidou ou cuida de tudo isso é a Fabi e meu pai. A única coisa que disse que eu vou querer saber é quando ela sair, pra poder ficar bem longe dela, e pra deixar ela bem longe da minha mulher.
Desde que tudo aconteceu tudo têm corrido na mais tranquila paz, eu sou super feliz com a Fernanda, que eu digo com a boca cheia de orgulho: É MINHA MULHER, continuo amiga da Lê, tô na boa com meu pai, tenho amizade com meus sogrinhos e ainda consegui uma mãe que cuida de mim como ninguém nunca cuidou. O que mais eu posso querer?


*FIM*

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

CAPITULO 22

Fui pra casa com aquilo dando voltas na minha cabeça, será que foi minha madrinha? Não, ela que sempre me ajudou, ela não poderia ter sido capaz de matar minha mãe, sempre foi tão boa comigo.
-Fernanda? – A vi na rua da casa da minha madrinha.
-Oi Rê, tava indo te ver. Ia dar com a cara na porta né?
-É, eu tava na casa da Fabiana.
-Na casa de quem? - Ela disse me fuzilando com os olhos.
-Não precisa ficar com ciúmes. Ela é uma pessoa que está tentando me ajudar no caso da minha mãe. Só isso.
-Ah ta.
-Mas então o que te trouxe aqui hoje?
-Nada, só queria te ver mesmo.
-Que romântico.
-Boba.
-Vamos lá pra casa.
-Mas então essa garota está te ajudando como? – Ela disse com ciúmes.
-Garota? Ah a Fabiana? Ela não é mais garota, ela tem idade pra ser minha mãe, literalmente.
-Como assim?
-É que na verdade ela era meio que uma namorada da minha mãe, minha mãe ia se separar do meu pai pra ficar com a tal Fabiana.
-Me pinta que eu to bege.
-Que? – Não acreditei naquilo, era muito besta.
-Não acredito que sua mãe também era...
-Lésbica? É, também é estranho pra mim.
-Quando você descobriu isso?
-Faz pouco tempo. Mas essa história é comprida, ia precisar de um dia inteiro pra te contar.
-Nossa, não sei nem o que dizer.
-Não precisa dizer nada, essa história é confusa mesmo. Posso te pedir um favor?
-Pode o que?
-Calma ai. Madrinha? Madrinha? Um bilhete?
“Rê, sai pra encontra minha namorada, a gente vai ter uma D.R. mas não demoro, tem comida pronta na geladeira, é só esquentar. Beijos.”
-Ótimo, vem pro meu quarto.
Subimos pro meu quarto, eu fechei a porta.
-Fê, preciso de mais um favor teu.
-Que é? Que cara é essa?
-Olha, pode ser que aconteça alguma coisa comigo...
-Que coisa Renata? Não me deixa nervosa.
-Não sei que coisa, mas se acontecer qualquer coisa, se eu sumir, se você me ouvir gritando, machucada, qualquer coisa, você entendeu? Liga pra esse numero. – Dei um papel com o numero da Fabiana. – Pede pra falar com a Fabiana, e fala o que está acontecendo, seja o que for, liga pra ela e conta tudo.
-Tá, mas Renata me conta o que está acontecendo. Tô preocupada.
-Só o que posso te contar é que eu acho que to perto de descobrir quem matou minha mãe, e se eu tiver certa, posso entrar pelo cano, se é que você me entende.
-Já que é assim, sai dessa Renata, não brinca com sua vida, por favor, por mim.
-Não posso mais sair, já é tarde, agora eu tenho que ir até o fim.
-E isso é tudo que eu posso fazer?
-Você pode torcer pra eu estar errada, ai você não vai ter que se preocupar.
-Só isso?
-Só.
-Renata? – Era a voz da minha madrinha. Tinha chegado a hora de saber o que aconteceu com a gente aquele dia.
-Fica quieta, não faz barulho. – Disse num sussurro pra Fernanda. – Tô aqui madrinha! - Disse, saindo do quarto e fechando a porta.
-Ah, tem alguém em casa?
-Não, por quê?
-Achei que tinha ouvido sua voz, quando cheguei aqui.
-Ah é que eu tava no telefone. – Mostrei o celular.
-Ah ta?
-Mas e então como foi a D.R.?
-Pra variar foi um saco. Ah você deve saber como é D.R.
-Se sei, nunca gostei, é a pior parte do namoro.
-Sem dúvida.
-Mas mudando de assunto: Madrinha, eu estava tentando lembrar do filme que a gente assistiu naquele dia que... A você sabe... Mas, então, eu não lembrei, você lembra?
-Ah o nome eu não lembro, sei que era um de uns cachorrinhos que você estava louca pra assistir. Mas porque você quer saber disso agora?
-Não é só que eu não tava me lembrando.
Filme de cachorrinhos? Aquele filme?
Eu tava sentada com minha madrinha e mais uma mulher do meu lado, parecia ser antes do filme. A gente se levantou pra ir comprar pipoca, mas minha madrinha ta se afastando.
-Rê, a Madrinha vai ir ali rapidinho, compra um presente pra uma amiga, jajá a madrinha vai lá na sala, ta?
-Não madrinha, não quero ficar longe de você.
-É rapidinho, princesa. Vai assistir o filme com a Priscila, daqui a pouco a madrinha vai lá, ta?
-Bem rapidão, né?
-Super rápido, você nem vai perceber que eu sai quando eu voltar. Mas vai lá assistir o filme, você não quer perder né? E se você perder quem vai me contar depois o começo? Por que a Priscila não sabe conta direito a historia do filme. – Ela deu risada, eu sorri também.
-Tá, vamos Tia Prí, é verdade que você não sabe conta historia de filme? E tão fácil! – Eu disse entrando na sala do cinema.
Minha cabeça tava rodando. Não, aquilo não podia estar acontecendo.
-Foi você! – Eu acusei.
-Eu o que?
-Que matou minha mãe. Foi você! E você se passou por minha amiga esses anos todos... Como eu fui tão burra.
-Quem te contou isso? A idiota da Fabiana?
-Porque? Porque fez isso com minha mãe? O que ela te fez?
-Eu amava sua mãe, mas ela era casada, e quando eu ia contar do que eu sentia, a maldita da Fabiana tomou a frente, e tomou sua mãe de mim. Não podia perder sua mãe pro seu pai, nem pra songa monga da Fabiana, eu tinha que fazer alguma coisa pra separar sua mãe deles. – Ela disse com calma, como se fosse normal o que ela estava dizendo.
-E por isso você matou minha mãe? E agora você vai me matar também? É isso? – Gritei, revoltada. A mulher que eu sempre confiei é uma assassina.
-Infelizmente Renata, você não me deixa alternativa, vai ter outro suicídio na família, que coisa né? A filha não conseguiu suportar o suicídio de sua querida mãezinha, e resolveu se juntar a ela. História perfeita olha: A adolescente rebelde descobre que sua mãe se suicidou, e ela fica atormentada com essa história, um dia ela acha a arma que sua madrinha escondia na gaveta da sala, – Ela disse abrindo uma gaveta da estante da sala e tirando uma ama. – e se mata quando a madrinha não está por perto pra impedi-la. Olha que isso vai acabar entrando pra história, “A tragédia familiar”, manchete no jornal e tudo, não é que você vai acaba ficando famosa, Renata?
-Mas vai fazer barulho, e eles vão saber que você já estava em casa.
-Da pra ver que você não entende nada de armas. Esta aqui tem silenciador, ninguém vai ouvir nada. Não precisa se preocupar com sua querida madrinha!
-Você é louca!
-Pode até ser, mas quem vai suspeitar da madrinha, que vai tá chorando pela morte da afilhada querida? – Apontou a arma pra mim.
-Isso não vai ficar assim, você ainda vai pagar por tudo.
-Olha, eu duvido muito disso. Mas vamos parar de papo, isso já está se alongando demais.
Mirou a arma na minha cabeça, estava sem reação. Quando ela apertou o gatilho, vi a Fernanda pulando na minha frente, e indo pra trás com o impacto da bala. Tentei segura-lá pra não bater a cabeça em nada. Não conseguia ver nada, deitei a Fernanda no chão e fui pra cima da minha madrinha, ela tentou atirar em mim, mas agora eu já tinha reação, por sorte a bala não me pegou. Consegui chegar perto dela, e a gente começou uma espécie de duelo, estava consciente que ela estava armada e que a qualquer momento eu poderia morrer. Mas nada disso me amedrontava tudo que me interessava era vingar a morte da minha mãe, e acabar com ela por ela ter atirado na Fernanda. Eu não podia a deixar escapar sem eu tentar lutar pelo menos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

CAPITULO 21

Chegando lá vi a Fernanda, e fui me desculpar por não ter me despedido dela.
-Fê?
-Oi, e ai? Dormiu bem? Tá mais calma?
-Tô sim, valeu! Mas desculpa por ter dormido e não ter me despedido.
-Relaxa. O que importa é que você está mais calma.
-Tô sim, valeu mesmo. E por favor, não conta aquilo pra ninguém.
-Claro, não se preocupa. Bom eu vou indo pra minha sala que eu não terminei meu dever de casa, e tem que entregar, então a gente se vê.
-Ah ta, vai lá sim, e faz a lição direitinho hein?!?!
-Hahaha, sim senhora mamãe! - Disse e foi pra sala.
-Renata? - Conhecia aquela voz, mas não era da Leandra.
-Fabiana? Nossa, não imaginava ter ver aqui. Aconteceu algo?
-Não, só vim ver você mesmo, já que sumiu.
-Ah, desculpa é que aconteceram algumas coisas, minha cabeça ficou meio tumultuada.
-Coisas relacionadas com...
-Ah não, não é nada com isso, não! Problemas com ex, enfim, ex é um pé no saco, você deve saber.
-Sei sim. - Ela deu risada. - Mas então ta a fim de ir mais tarde lá em casa almoçar lá?
-Ah pode ser, claro.
-Achei outras fotos que eu acho que você vai gostar.
-Serio? Ai que legal, agora que eu vou mesmo.
-Bom então até mais tarde, fico te esperando. Boa aula.
-Obrigada, até mais.
Ela se foi.
-O que ela queria com você? - Agora era certeza, era a Leandra!
-Ah oi, ela veio me chamar pra ir almoçar, disse que achou umas fotos que vou gostar.
-Hum, entendi. Mas então o que você fez de bom ontem?
-Nada demais, só descobri que minha ex teve um caso, que pelo que eu entendi durou bastante tempo, com outra.
-Que?!?!
-É isso mesmo, mas não queira detalhes, não tô a fim de lembrar isso, por favor.
-Tudo bem, já que não quer falar. Mas então soube mais alguma coisa sobre a sua mãe?
-Nada. Não sei o que fazer para descobrir. Não sei quem pode ter sido, fica todo mundo nesse jogo de gato e rato, ai que raiva!
-É foda mesmo. Mas você acha que vai conseguir descobrir quem foi?
-Não tenho ideia. Mas estou esperançosa, porque não vou sossegar até descobrir o que realmente aconteceu.
-E se eu puder ajudar só falar. Até porque eu quero ajudar.
-Valeu, mas vamos esperar pra ver o que acontece.
-Bora pra sala? Já tocou o sinal.
-Bora.

Na hora da saída eu tava saindo e vi a Fê.
-Oi, e ai? Fez a lição direitinho?
-Fiz sim, mamãe!
-Assim sim. Bom, vou indo nessa, estou meio atrasada já.
-Nossa, vai tirar o pai da forca?
-Se fosse isso ficaria conversando com você.
Ela achou graça.
-Tá bom, vai lá. Depois a gente conversa.

Fui até a casa a Fabiana.
-Oi, entra.
-Obrigada.
-Então como foi de aula?
-Pra ser sincera não sei, tava com a cabeça cheia como te disse de manhã, então estava bem desligada.
-Entendi. Gosta de lasanha?
-Adoro.
-Que bom, eu porque estou fazendo.
-Nossa. Amo lasanha, acertou em cheio.
-Sua mãe também amava lasanha, aliás, você têm muita coisa a ver pelo que eu tô vendo.
-Bom gosto então ela tinha. E sua filha? Não tá aqui hoje?
-Não, a Isa vai passar o dia com a avó. Hoje a gente não tem que falar baixo pra ela não escutar. – Ela disse rindo.
-Opa, isso já é um avanço.
-E não é menina? Ah ta aqui as fotos que te falei. – ela disse pegando algumas fotos na mesinha do lado do sofá. E tem mais uma coisa, que eu acho que você vai gostar.
-O que? Mais do que ver fotos da minha mãe?
-O que você diria de ter fotos da sua mãe?
-Como assim?
-Eu achei os negativos da maioria das fotos, e estão em bom estado, se você quiser, eu mando revelar pra você.
-Se eu quiser? Claro que eu quero! Eu vou amar. Nossa não sei como agradecer.
-Bom eu até sei, mas depende de você.
-E o que seria?
-Você disse que tava com a cabeça cheia, você quer conversar a respeito?
-Você não iria querer saber, é uma historia chata.
-Porque você não me conta e me deixa decidir isso?
-Tá bom.
-Mas vamos lá pra cozinha pra eu olhar a lasanha.
-O que aconteceu é o seguinte...

Contei tudo pra ela. E tudo saiu tão fácil, como se eu soubesse que podia confiar nela. E isso foi estranho.
Quando eu terminei, já estávamos almoçando, e ela perguntou:
-Mas você tá mal porque gosta dela, ou está só nervosa por ter descoberto que ela já te traia antes?
-Não sei. Como eu disse, eu gostava demais dela, e achei que tudo tivesse passado, mas ela apareceu de novo e eu percebi que ainda mexe comigo, contra minha vontade, mas descobri que ela me traiu de verdade. E agora eu não sei o que pensar, nem o que sentir, sabe?
-Sei. É complicado mesmo. Pelo menos você descobriu a verdade, agora você já sabe o que aconteceu.
-É, sei, agora posso pelo menos tentar passar uma borracha em tudo.
-Mas e essa Fernanda? Vocês duas tem alguma coisa?
-Na verdade foi por causa dela que eu fui praticamente expulsa de casa.
-Como assim?
-É que teve uma festa na escola e pegaram à gente transando no banheiro. Mas não temos nada, tipo ela até gosta de mim, mas com tanta coisa que tá acontecendo na minha cabeça, não estou com muita cabeça pra pensar nisso.
-Não tá com cabeça, ou tá enrolando mesmo?
-Tá tão obvio assim?
-Pior que ta. – ela disse rindo.
-É que tem uma amiga que também está afim de mim. Ai eu fico receosa de ficar com uma e acabar machucando a outra, sabe?
-Nossa, mas você é uma arrasa corações que nem sua mãe. Ai que ta: quem sai aos seus não degenera.
-É, mas ser a “arrasa corações” dá trabalho.
-Mas falando sério, você gosta mais de qual?
-De verdade?
-De verdade.
-Não sei.
-É, ai complica.
-Mudando de assunto, posso te fazer uma pergunta?
-Pode, fala.
-Você conheceu minha madrinha, né?
-A Cátia? Infelizmente.
-Infelizmente por quê?
-Olha, eu sei que ela é tua madrinha, que você gosta dela, mas eu nunca gostei muito dela.
-Sério? Ela me falou que vocês três era inseparáveis.
-E éramos por causa da sua mãe que gostava dela, eu particularmente não era muito fã da Cátia.
-E por quê?
-Sabe que nem eu sei? Mas eu nunca engoli ela.
-Você acha que ela poderia ter sido apaixonada pela minha mãe?
-Não sei, as duas eram muito amigas. Mas não sei se a Cátia nutria uma paixão pela tua mãe. Porque você ta me perguntando isso? Você acha isso?
-Não, pra ser sincera ela não fala muito da minha mãe, é que meu pai comentou que ele achava isso.
Meu celular começou a tocar.
-Ai desculpa.
-Tudo Bem
-Alô. – Disse atendendo o telefone.
-Rê, onde você ta? Porque ainda não chegou em casa?
-Ai desculpa, é que a Fabiana me chamou pra almoçar aqui na casa dela.
-Poxa, você podia ter avisado, tô aqui super preocupada porque você não chega.
-Desculpa, é que foi meio de repente. Mas não fica preocupada, não. Mais tarde eu estou em casa.
-Ta bem, estou te esperando, e se você for pra outro lugar me avisa ta?
-Tá, pode deixar. Beijo.
-Outro.
Eu olhei pra Fabiana que estava com uma cara pensativa.
-Fabiana? Tudo bem?
-Aham, só to pensando.
-Posso saber no que?
-Renata, seu pai comentou que achava que a Cátia gostava da sua mãe, né?
-É.
-Você já levou isso em consideração?
-Como assim?
-Olha desculpa posso ta viajando, mas e se ela realmente fosse apaixonada pela sua mãe? E se ela foi quem mandou os bilhetes? E se foi ela que...?
-Você acha isso possível?
-Não sei, não quero te por contra sua madrinha, mas é uma possibilidade. Porque cá entre nós, você está focando em mim e no seu pai, né? Mas e se você e a gente estiver olhando pro lado errado?
-Você não tá se precipitando? Tipo a gente nem sabe se ela realmente era apaixonada pela minha mãe.
-Mas e se for. Renata se for ela, faz todo o sentido...
-Mas ela tava comigo na noite que minha mãe foi morta.
-Você tem certeza? Você já comentou que nem lembra disso.
-Tá, mas meu pai confirmou que pediu pra ela sair comigo porque queria fazer as pazes com minha mãe.
-Renata faz uma força, realmente saiu só você duas aquele dia? Não tinha mais ninguém com vocês?
-Não sei, nem lembro do dia.
-Faz uma força. Tenta lembrar do filme, talvez você se lembre do resto.
-Olha, acho que a gente está apontando pro lado errado.
-Tenta, se você me disser com certeza que passou o dia todo só com ela, e paro de te pressionar. Mas por favor, a gente pode ta perto de resolver esse mistério.
-Tá, vou tentar. - Eu fiz força, mas nada me veio na cabeça. – Olha, assim eu não vou conseguir lembrar de nada, preciso de um tempo.
-Ta bem, mas, por favor, tenta lembrar.
-Vou tentar.

CAPITULO 20

Chegando lá vi a Fernanda, e fui me desculpar por não ter me despedido dela.
-Fê?
-Oi, e ai? Dormiu bem? Tá mais calma?
-Tô sim, valeu! Mas desculpa por ter dormido e não ter me despedido.
-Relaxa. O que importa é que você está mais calma.
-Tô sim, valeu mesmo. E por favor, não conta aquilo pra ninguém.
-Claro, não se preocupa. Bom eu vou indo pra minha sala que eu não terminei meu dever de casa, e tem que entregar, então a gente se vê.
-Ah ta, vai lá sim, e faz a lição direitinho hein?!?!
-Hahaha, sim senhora mamãe! - Disse e foi pra sala.
-Renata? - Conhecia aquela voz, mas não era da Leandra.
-Fabiana? Nossa, não imaginava ter ver aqui. Aconteceu algo?
-Não, só vim ver você mesmo, já que sumiu.
-Ah, desculpa é que aconteceram algumas coisas, minha cabeça ficou meio tumultuada.
-Coisas relacionadas com...
-Ah não, não é nada com isso, não! Problemas com ex, enfim, ex é um pé no saco, você deve saber.
-Sei sim. - Ela deu risada. - Mas então ta a fim de ir mais tarde lá em casa almoçar lá?
-Ah pode ser, claro.
-Achei outras fotos que eu acho que você vai gostar.
-Serio? Ai que legal, agora que eu vou mesmo.
-Bom então até mais tarde, fico te esperando. Boa aula.
-Obrigada, até mais.
Ela se foi.
-O que ela queria com você? - Agora era certeza, era a Leandra!
-Ah oi, ela veio me chamar pra ir almoçar, disse que achou umas fotos que vou gostar.
-Hum, entendi. Mas então o que você fez de bom ontem?
-Nada demais, só descobri que minha ex teve um caso, que pelo que eu entendi durou bastante tempo, com outra.
-Que?!?!
-É isso mesmo, mas não queira detalhes, não tô a fim de lembrar isso, por favor.
-Tudo bem, já que não quer falar. Mas então soube mais alguma coisa sobre a sua mãe?
-Nada. Não sei o que fazer para descobrir. Não sei quem pode ter sido, fica todo mundo nesse jogo de gato e rato, ai que raiva!
-É foda mesmo. Mas você acha que vai conseguir descobrir quem foi?
-Não tenho ideia. Mas estou esperançosa, porque não vou sossegar até descobrir o que realmente aconteceu.
-E se eu puder ajudar só falar. Até porque eu quero ajudar.
-Valeu, mas vamos esperar pra ver o que acontece.
-Bora pra sala? Já tocou o sinal.
-Bora.

Na hora da saída eu tava saindo e vi a Fê.
-Oi, e ai? Fez a lição direitinho?
-Fiz sim, mamãe!
-Assim sim. Bom, vou indo nessa, estou meio atrasada já.
-Nossa, vai tirar o pai da forca?
-Se fosse isso ficaria conversando com você.
Ela achou graça.
-Tá bom, vai lá. Depois a gente conversa.

Fui até a casa a Fabiana.
-Oi, entra.
-Obrigada.
-Então como foi de aula?
-Pra ser sincera não sei, tava com a cabeça cheia como te disse de manhã, então estava bem desligada.
-Entendi. Gosta de lasanha?
-Adoro.
-Que bom, eu porque estou fazendo.
-Nossa. Amo lasanha, acertou em cheio.
-Sua mãe também amava lasanha, aliás, você têm muita coisa a ver pelo que eu tô vendo.
-Bom gosto então ela tinha. E sua filha? Não tá aqui hoje?
-Não, a Isa vai passar o dia com a avó. Hoje a gente não tem que falar baixo pra ela não escutar. – Ela disse rindo.
-Opa, isso já é um avanço.
-E não é menina? Ah ta aqui as fotos que te falei. – ela disse pegando algumas fotos na mesinha do lado do sofá. E tem mais uma coisa, que eu acho que você vai gostar.
-O que? Mais do que ver fotos da minha mãe?
-O que você diria de ter fotos da sua mãe?
-Como assim?
-Eu achei os negativos da maioria das fotos, e estão em bom estado, se você quiser, eu mando revelar pra você.
-Se eu quiser? Claro que eu quero! Eu vou amar. Nossa não sei como agradecer.
-Bom eu até sei, mas depende de você.
-E o que seria?
-Você disse que tava com a cabeça cheia, você quer conversar a respeito?
-Você não iria querer saber, é uma historia chata.
-Porque você não me conta e me deixa decidir isso?
-Tá bom.
-Mas vamos lá pra cozinha pra eu olhar a lasanha.
-O que aconteceu é o seguinte...

Contei tudo pra ela. E tudo saiu tão fácil, como se eu soubesse que podia confiar nela. E isso foi estranho.
Quando eu terminei, já estávamos almoçando, e ela perguntou:
-Mas você tá mal porque gosta dela, ou está só nervosa por ter descoberto que ela já te traia antes?
-Não sei. Como eu disse, eu gostava demais dela, e achei que tudo tivesse passado, mas ela apareceu de novo e eu percebi que ainda mexe comigo, contra minha vontade, mas descobri que ela me traiu de verdade. E agora eu não sei o que pensar, nem o que sentir, sabe?
-Sei. É complicado mesmo. Pelo menos você descobriu a verdade, agora você já sabe o que aconteceu.
-É, sei, agora posso pelo menos tentar passar uma borracha em tudo.
-Mas e essa Fernanda? Vocês duas tem alguma coisa?
-Na verdade foi por causa dela que eu fui praticamente expulsa de casa.
-Como assim?
-É que teve uma festa na escola e pegaram à gente transando no banheiro. Mas não temos nada, tipo ela até gosta de mim, mas com tanta coisa que tá acontecendo na minha cabeça, não estou com muita cabeça pra pensar nisso.
-Não tá com cabeça, ou tá enrolando mesmo?
-Tá tão obvio assim?
-Pior que ta. – ela disse rindo.
-É que tem uma amiga que também está afim de mim. Ai eu fico receosa de ficar com uma e acabar machucando a outra, sabe?
-Nossa, mas você é uma arrasa corações que nem sua mãe. Ai que ta: quem sai aos seus não degenera.
-É, mas ser a “arrasa corações” dá trabalho.
-Mas falando sério, você gosta mais de qual?
-De verdade?
-De verdade.
-Não sei.
-É, ai complica.
-Mudando de assunto, posso te fazer uma pergunta?
-Pode, fala.
-Você conheceu minha madrinha, né?
-A Cátia? Infelizmente.
-Infelizmente por quê?
-Olha, eu sei que ela é tua madrinha, que você gosta dela, mas eu nunca gostei muito dela.
-Sério? Ela me falou que vocês três era inseparáveis.
-E éramos por causa da sua mãe que gostava dela, eu particularmente não era muito fã da Cátia.
-E por quê?
-Sabe que nem eu sei? Mas eu nunca engoli ela.
-Você acha que ela poderia ter sido apaixonada pela minha mãe?
-Não sei, as duas eram muito amigas. Mas não sei se a Cátia nutria uma paixão pela tua mãe. Porque você ta me perguntando isso? Você acha isso?
-Não, pra ser sincera ela não fala muito da minha mãe, é que meu pai comentou que ele achava isso.
Meu celular começou a tocar.
-Ai desculpa.
-Tudo Bem
-Alô. – Disse atendendo o telefone.
-Rê, onde você ta? Porque ainda não chegou em casa?
-Ai desculpa, é que a Fabiana me chamou pra almoçar aqui na casa dela.
-Poxa, você podia ter avisado, tô aqui super preocupada porque você não chega.
-Desculpa, é que foi meio de repente. Mas não fica preocupada, não. Mais tarde eu estou em casa.
-Ta bem, estou te esperando, e se você for pra outro lugar me avisa ta?
-Tá, pode deixar. Beijo.
-Outro.
Eu olhei pra Fabiana que estava com uma cara pensativa.
-Fabiana? Tudo bem?
-Aham, só to pensando.
-Posso saber no que?
-Renata, seu pai comentou que achava que a Cátia gostava da sua mãe, né?
-É.
-Você já levou isso em consideração?
-Como assim?
-Olha desculpa posso ta viajando, mas e se ela realmente fosse apaixonada pela sua mãe? E se ela foi quem mandou os bilhetes? E se foi ela que...?
-Você acha isso possível?
-Não sei, não quero te por contra sua madrinha, mas é uma possibilidade. Porque cá entre nós, você está focando em mim e no seu pai, né? Mas e se você e a gente estiver olhando pro lado errado?
-Você não tá se precipitando? Tipo a gente nem sabe se ela realmente era apaixonada pela minha mãe.
-Mas e se for. Renata se for ela, faz todo o sentido...
-Mas ela tava comigo na noite que minha mãe foi morta.
-Você tem certeza? Você já comentou que nem lembra disso.
-Tá, mas meu pai confirmou que pediu pra ela sair comigo porque queria fazer as pazes com minha mãe.
-Renata faz uma força, realmente saiu só você duas aquele dia? Não tinha mais ninguém com vocês?
-Não sei, nem lembro do dia.
-Faz uma força. Tenta lembrar do filme, talvez você se lembre do resto.
-Olha, acho que a gente está apontando pro lado errado.
-Tenta, se você me disser com certeza que passou o dia todo só com ela, e paro de te pressionar. Mas por favor, a gente pode ta perto de resolver esse mistério.
-Tá, vou tentar. - Eu fiz força, mas nada me veio na cabeça. – Olha, assim eu não vou conseguir lembrar de nada, preciso de um tempo.
-Ta bem, mas, por favor, tenta lembrar.
-Vou tentar.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

CAPITULO 19

Mais tarde eu sai com a Fernanda rumo a praça, me escondi atrás de um arbusto, onde dava pra escutar o que diziam, a Fernanda foi normal, até encontrar a Flávia que estava com a Mônica.
-Ah, então é aqui a tal praça?
-Como se você não soubesse! O que você tá fazendo aqui?
-A Rê ficou em casa com uma amiga, nem perde seu tempo. - Ela disse com uma cara de ciúmes BEM convincente.
-Rê? A tua ex? - A Mônica perguntou.
-E como você sabia que eu tava aqui? Ela te mandou aqui, foi? Virou mensageira dela?
-Não, é só que esse é caminho pra minha casa, e já que te vi, resolvi avisar pra você não se preocupar porque ela não vem.
-Você não me falou que ela tava vindo pra cá! - Reclamou a Mônica.
-E você acha que eu vou cair nessa história?
-Você quem sabe, não sou eu quem vai perder tempo, mas se você quiser confirmar liga no celular dela, ou você já viu aquela ali sem o celular? Tchauzinho, que eu tenho mais o que fazer! - E saiu em direção a casa dela. E assim que ela ficasse fora de vista, ia dar meia volta pra me encontrar.
-Que história é essa dessa garota vir aqui? - Continuou a Mônica
-Pra quem você está ligando? - A Mônica perguntou.
-Pra Renata, claro. Alô? Quem ta falando? É o numero da Renata? Ah ta com uma amiga dela? No quarto? Não deixa que depois eu falo com ela. Só avisa pra ela que eu liguei ta? Obrigada. Boa noite.
-E então?
-Ta trancafiada no quarto com uma amiga.
-E você acha que isso é verdade? - A Mônica perguntou.
-Acho, sim. Já tinha percebido que essa garota que passou é apaixonada pela Rê, e você não viu a cara de ciúmes dela? Droga!
-Ih amorzinho, seu plano foi por água abaixo. - Nessa hora a Fernanda apareceu do meu lado, ofegante.
-Droga, achei que ela fosse vir. – Flávia disse.
-Uma coisa eu não posso negar: Ela é esperta, você acha que ela ia cair nessa que você estava dopada?
-Achei, porque ela não é deixar uma história sem saber o final, mas nessa me enganei. Vou ter que dar um outro jeito de armar pra ela acreditar que eu fui dopada por você.
-Flávia, pára com isso, deixa essa menina pra lá. Você perdeu dessa vez. Aliás, não sei como ela não descobriu antes daquela festa.
ANTES?!?!
-A gente tinha que ter se segurado na festa, dei muito na cara. E eu lá sou de perder?
-Não é, não, mas dessa vez perdeu.
-Essa aposta já é minha!
APOSTA?!?!
-Acorda, você não tem chance. Ela nem ta aqui. Dessa vez eu que venci. Agora tenho que pensar num prêmio bem interessante...
-Ainda não acabou, ainda vou fazer ela acreditar.
-Na verdade não vai não Flávia! - Eu disse, aparecendo pra ela.
-Renata? - Ela disse com espanto.
-Pois é, Flávia. Muito obrigada por ter me chamado, essa conversa de vocês foi muito esclarecedora.
-Eu não sabia que você tava ai... Liguei no seu celular...
-E minha madrinha atendeu? É eu sei, você se esqueceu que nós somos amigas? E você tinha razão: Não sou de deixar uma história sem saber o final, e graças a você descobri. Agora me esquece. Achei que você fosse melhor que esse lixo que esta se mostrando, mas pelo que eu escutei estava errada. SOME!! Vem Fê. - E sai andando com a Fernanda em direção a minha casa.
-Rê? Renata? - Ela gritou, mas eu não olhei.

Quando chegamos em casa, encontrei minha madrinha.
-Rê, você tinha razão aquela menina que você falou que ia ligar, ligou. Agora você pode explicar o que está acontecendo?
-Olha madrinha, deixa pra lá. Já foi, passado, mas obrigada por ter me ajudado. Eu vou ficar lá em cima com a Fernanda, conversando, tá? Qualquer coisa me chama. Vem, Fê!
Subimos pro quarto, eu que tinha pegado o celular com minha madrinha, ataquei na cama.
-Como você está? - A Fernanda perguntou, tímida.
-Arrasada! Meu ela já tava tendo um caso com ela antes daquele dia, claro! Como eu fui trouxa, ai que idiota que eu sou.
-Rê, se acalma, eu sei que é difícil, mas ficar se xingando não vai ajudar muita coisa. E outra, a idiota foi ela que te tinha nas mãos e te usou.
-Como eu sou burra! Não acredito que não entendi que a Mônica não tava assediando ela, tava tendo um caso com ela. Ai que raiva!
-Rê, deita aqui no meu colo, esquece essa história. Como você falou já foi, é passado. Vira a página. Não vai adiantar nada você ficar assim.
-Eu sei, mas porra dói sabe? Eu confiava demais nela, ela era tudo pra mim e de repente e me vi sem nada. Quando finalmente achava que tinha arranjado alguém que pudesse confiar, alguém que finalmente me amava. E me vi de novo sozinha sem ninguém e me sentindo usada quem nem pano de chão.
Meu olho estava lacrimejando, e comecei a chorar, logo eu virei de costas pra Fernanda, puxei a manga da blusa e sequei as lágrimas.
-Não precisa ter vergonha de chorar, é normal, você esta machucada, deita aqui no meu colo e tenta dormir, amanha você vai estar melhor.
Eu deitei na cama e abracei-a, ela ficou fazendo carinho na minha cabeça, enquanto chorava, molhando a blusa dela com minhas lágrimas. Mas ela não reclamava, simplesmente acariciava meus cabelos, com a maior paciência do mundo. Que menina era aquela que dava colo para minhas lágrimas por outra garota mesmo gostando de mim? Será que ela gostava tanto de mim a ponto de aguentar minhas lágrimas por outra?

Quando acordei já era de manhã, já estava na hora de me arrumar pra ir à escola, mas cadê a Fernanda?
-Madrinha?
-Oi, bom dia, dormiu bem?
-Dormi, sim. Mas cadê a Fernanda? Que horas ela foi embora?
-Ah, ela saiu daqui mais ou menos onze da noite, por quê? Você não viu de novo?
-Não, acabei dormindo de novo.
-Ai Renata como você é insensível!
-Que? Por quê?
-Vira pro lado e dormi, nem espera a menina sair.
-Ah não, não aconteceu nada entre a gente ontem, tipo ela me ajudou a descobrir umas coisas e eu fiquei meio mal, ela ficou lá comigo pra me fazer companhia até eu dormir.
-Companhia? Sei bem a companhia que ela te fez!
-Não, serio a gente não ficou de verdade.
-Humm, e o que foi que aconteceu que você ficou tão mal assim?
-Nada deixa pra lá como eu disse é passado, já foi.
-Tá bom, já que você não quer falar não está mais aqui quem perguntou. Mas toma café da manhã, senão você acaba se atrasando.
Tomei café e sai para ir à escola.

domingo, 13 de dezembro de 2009

CAPITULO 18

Mais tarde, a Lê foi em casa pra gente ir no cinema.
-Oi Lê, entra ai. Tô quase pronta.
-É imaginei que isso fosse acontecer.
-O que você quis dizer com isso? - Perguntei fingindo intimidar ela.
-Eu? Nada! Quem disse alguma coisa? - Ela brincou.
-Não, mas é rapidinho, só falta pega minha bolsa, e já estou pronta.
-Milagre. Hoje chove! - Disse, caçoando.
-Boba, vamos?
-Aham, daqui a pouco a gente ganha carteirinha do cinema.
-Ia ser bom, íamos ganhar desconto.
-Ia ser uma economia boa.
A gente deu risada.

Mais tarde, depois que a gente saiu do cinema, estávamos andando na rua, de repente a Flávia aparece do nada na minha frente.
-Que isso? Resolveu me seguir agora?
Ela olhou feio para a Leandra, e disse:
-Olha se você acha que me fazendo sentir ciúmes vai me fazer desistir de você, precisa rever suas estratégias. Eu não vou desistir de você! Sei que estou dentro do seu coração, nós duas sabemos disso. Pode aparecer quantas garotas forem, você no final vai voltar pra mim, porque você é minha e eu sou sua. E nada – Ela olhou de novo pra Leandra e continuou – e nem ninguém vai separar a gente.
Fiquei surpresa com essas palavras, mas disfarcei.
-Já acabou com o melodrama? - Perguntei.
A Leandra riu.
-Já sim, e nós duas sabemos que foi mais que um “melodrama”. - É, eu sabia mesmo, ou eu achava que sabia.
-Flávia, me deixa em paz, segue sua vida porque estou seguindo a minha e se você colaborasse ia ser uma ajuda e tanto.
-Eu já vou, mas só por hoje, logo você vai ter noticias minhas, e eu ainda vou te ter de novo. - E saiu andando.
-Gente, mas a ruiva tá apaixonada mesmo! - A Leandra zombou.
-Pois que fique, por mim dane-se. Como diz a musica: “Passado é passado, eu quero é paz!”.
-Mas cá entre nós, bonita ela é.
-Pode pegar não me importo aquela ali não quero ver nem incrustada de diamante.
-1º)Você viu como ela me olhou? Se olhar matasse, eu tava esquartejada aqui na rua; 2º)O que ela fez pra você ficar tão magoada com ela?
-Olha não to a fim de falar dela. Esquece essa garota!
-Ok, já esqueci!

No outro dia, na escola, encontrei Fernanda assim que cheguei, e fui falar com ela.
-Oi moça, tudo bem? - Cumprimentei.
-Olá, nossa hoje entrou para a historia.
-Por quê?
-Porque é a primeira vez que a gente se cumprimenta na escola de modo decente, sem eu esta chorando ou você fazendo piadinha de mim.
-Nossa! É mesmo, não tinha reparado nisso.
-Mas então, descobriu o que está acontecendo?
-Que? Sobre o que?
-Você que disse ontem que não sabia o que estava acontecendo. - Ela me lembrou.
-Ah é mesmo. Não ainda, não. Minha cabeça tá rodando.
-Ô tadinha dessa pobre rebelde! - Zombou.
-Isso caçoa mesmo, vai rebelde não tem coração mesmo né? Que diferença faz? - Fiz drama pra brincar.
-Ai meu Deus que drama!
-Mas é serio tô confusa mesmo.
-Bom brincadeiras a parte, você sabe que pode contar comigo né?
-Sei sim. E agradeço é muito bom saber isso. E você também pode contar comigo, forever and ever! - Brinquei.
-Mas essa menina está muito metida falando em inglês! - Ela caçoou.
-É só pra quem pode, filha!
Escutei meu nome.
-Aquela ruiva ta te chamando. - Ela apontou.
Me virei e dei de cara com a Flávia.
-Você de novo? O que você quer?
-Só vim pedir pra você ir num lugar hoje à noite.
-Ah tá, você não quer mais nada, não né? Um buquê de flores, quem sabe? - Ironizei.
-Sério! Vai naquela praça que a gente costumava ficar perto da escola, às oito horas, que você vai ouvir algumas coisas.
-Não acho que não vou ouvir nada, não. Porque às oito da noite provavelmente eu vou estar na minha cama, lendo alguma coisa que valha a pena.
-Ok, o pedido tá feito, se eu fosse você eu iria. - E saiu andando.
-Nossa achei que ela fosse me bater, agora.
-É só ciúmes, é que ela... - Mas ela me cortou.
-Viu a gente ontem? É eu sei, reconheci ela, na verdade reconheci ela ontem. Só tenho uma pergunta pra te fazer.
-Qual?
-Aquele beijo... Você queria mesmo, ou foi pra fazer ciúmes nela?
-Eu queria, senão não teria te levado pra casa, e não teria acontecido tudo aquilo.
-Tá, com isso fico mais tranquila. Por favor, não me usa pra fazer ciúmes nela, tá?
-Meu, eu não te usaria, eu te beijei por que eu quis e quis muito, como você mesma pôde perceber depois, lá em casa.
-Tá bem, mas vamos mudar de assunto: já teve algum avanço na história da sua mãe.
-Não, isso tá mais empacado que burro na lama.
Ela deu risada.
-Ah, mas relaxa por que você chega lá.
-Espero. Fernanda você me ajuda numa coisa?
-Depende, se eu puder. O que?
-Hoje a noite, com essa historia da Flávia... Você me ajudaria?
-Até ajudo, mas tem uma condição.
-Aiii! Qual?
-Me conta direito essa historia de vocês.
-Mas o que você quer saber exatamente?
-Tudo.
-Nossa. Tá até conto, mas você não pode contar pra ninguém.
-Ta.
-Hoje, depois da aula, vem comigo lá pra casa, não quero que ninguém fique sabendo dessa historia.
-Tá, olha o sinal. Até mais tarde.

Depois da aula a Fernanda veio me procurar.
-Oi, então, vai falar mesmo?
-Vou, eu prometi não foi?
-É, então vamos?
-Vamos.

Quando a gente chegou em casa, deixamos as mochilas na sala e seguimos para a cozinha.
-Vem, vou preparar alguma coisa pra gente almoçar.
-Me conta, tô curiosa.
-Relaxa, vamos comer alguma coisa.
-Pára de enrolar!
-Eu não to enrolando!
-E eu não te conheço?
-Tá, - Disse conformada. - senta ai. - Disse apontando pra uma cadeira perto da mesa.
Nos sentamos, ela me olhando com uma curiosidade estampada na cara.
-Desculpa! É que eu nunca falei disso com ninguém, então fico meio sem graça.
-Não tem que se desculpar. Fala, eu estou CURIOSA!
Eu dei risada.
-Tá eu conto, foi assim: Nós estudávamos na mesma escola, e acabamos nos conhecendo através de amigos, começamos a sair, e acabei me apaixonando como nunca. Então começamos a namorar, eu estava super feliz podendo dizer que ela era “minha namorada”, sabe?!? Ela foi à única pessoa pra quem realmente me abri, confiava nela. Mas apareceu a Mônica, morria de ciúmes, porque eu sabia que a tal Mônica tinha um “tombo” pela Flávia. E ela foi se aproximando da Flávia, ficando “amiga mesmo” - Eu fiz aspas nas ultimas palavras com as mãos. - E eu sempre falei pra Flávia que essa menina não prestava, e ela me falava que era coisa da minha cabeça. E as duas foram se aproximando cada vez mais, e eu com cada vez mais ciúmes e menos paciência. Até que um dia fomos numa festa de uma amiga nossa, e a tal Mônica estava lá, durante a festa a gente se separou um pouco, porque eu fui falar com uns amigos, e ela falou que ia ver uns amigos que também estavam lá. Até ai tudo bem, mas de repente veio uma amiga minha, e me chamou, ela tava com uma cara estranha, e quando eu perguntei o que tinha acontecido, não me disse, me puxou pela mão até a porta de um quarto, quando ela abriu a porta, eu vi a Flávia deitada na cama se agarrando com a Mônica. E eu terminei com ela, lógico. E no final do ano pedi transferência me mudei pra essa escola.
-E ela tem a cara de pau de dizer que te ama, mesmo tendo sido pega traindo?
-O que ela diz é que foi armação, que doparam ela e tal. Mas eu não acredito muito nisso.
-Mas você ficou tão mal assim que teve que pedir transferência?
-Eu tava apaixonada demais, sabe aquele ditado: “Quanto maior a árvore, maior o tombo”? Então foi assim comigo, sei lá era como se só ela existisse pra mim, e ter pego ela na cama daquele jeito foi um baque horrível.
-Hum, e onde eu entro na história de hoje à noite?
-Desculpa tá te pedindo isso, mas é que eu sinto que você é a única que poderia me ajudar...
-Nossa. Que bom que você pensa em mim assim. Mas o que exatamente eu posso fazer? E pra quê?
-É que eu preciso chegar ao fundo dessa história.
-E eu entro onde mesmo?
-Você entra indo lá falar pra ela que eu não vou.
-Mas se você não vai por que eu tenho que avisar?
-Eu vou!
-Não estou entendendo.
-É pra ela pensar que eu não vou, mas eu vou estar lá, porque se ela souber que eu to lá ela vai fazer de tudo pra que a versão dela se confirme, mas se eu, supostamente, não estiver, a história vai correr livre, entendeu.
-Você só ta esquecendo um pequeno detalhe.
-Qual?
-Eu não sei que praça que vocês costumavam ficar. Vai ser estranho eu chegar lá assim, sem mais nem menos e falar que você não vai.
-Já pensei nisso, a tal praça é aquela perto da sua casa, eu lembro de ter te visto por lá, e você pode falar que estava a caminho de casa, e resolveu avisar que eu fiquei aqui em casa.
-E se ela resolver tentar tirar a prova?
-Eu deixo meu celular com minha madrinha, se ela ligar peço pra ela dizer que eu to no quarto com alguma garota, e que esqueci o celular na sala, mas que ia pedir pra eu ligar pra ela depois.
-Tá, já que eu prometi eu ajudo, mas depois você tem que me contar tudo.
-Sim, senhora!
-E eu posso fazer mais uma pergunta?
-Pode. Qual?
-Você ainda sente alguma coisa por ela?
-Olha não vou ser hipócrita, o que eu senti por ela foi forte de mais, muito mesmo, e por isso que preciso dessa confirmação. Porque querendo ou não, eu não tenho certeza se ela foi ou não dopada, entende? Se ela me traiu mesmo, eu vou dar um jeito de virar página e seguir minha vida, senão...
-Vou te ajudar sim, e que saber? To torcendo pra ela não ter te traído.
-Que?!?!
-É, você ainda gosta dela, e como eu gosto de você eu quero, realmente, que seja feliz, mesmo que não seja comigo.
-Nossa. Não sei o que dizer.
-Não precisa. Mas vem cá, você tem certeza de que sua madrinha vai ajudar a gente?
-Vai sim, é só eu pedir.
-E não é querendo te desanimar, mas você sabe que isso pode não dar certo, né?
-Sei sim, mas como dizem: A esperança é a ultima que morre!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

CAPITULO 17

-Que? - Ela disse sem entender.
-Posso?
-Que te deu Renata?
-Posso ou não? - Insisti.
-Aqui na frente de todo mundo? Você ta louca?
-Não aqui, ali olha, tem uma rua que da pra gente ficar sem ninguém atrapalhar.
-Você está falando sério?
-Parece que eu estou brincando? Vem!
E a puxei pela mão até a rua que eu tinha falado, quando chegamos, coloquei ela contra parede e comecei a beijá-la, a mão dela foi pra minha nuca, e continuamos nos beijando por um bom tempo.
-Ei, vamos lá pra casa?
-Mas e sua madrinha?
-Ela não ta lá, tá trabalhando.
-Tá, vamos sim.
  madrinha
Nós fomos até em casa, que era perto do tal restaurante.
-Entra.
-Tô achando que vou me arrepender disso, mas... - Mas interrompi.
-Relaxa, não pensa em mais nada. - Eu pedi.
-Com você é meio difícil pensar em alguma coisa mesmo.
Abracei-a pela cintura e comecei a beijar seu pescoço, a mão dela na minha nuca puxando alguns fios do meu cabelo, subi minha boca até a boca dela, e comecei a levá-la até o sofá, ainda beijando. Deitei-a no sofá, tirei minha blusa e deitei no meio das suas pernas, ela começou a arranhar minhas costas, levantei ela e tirei sua blusa, ela estava sem sutiã,a deitei de novo, fui descendo minha boca até um dos seios, minha mão acariciando o outro seio, fui descendo minha boca pela barriga, e dei pequenas mordidas na barriga, enquanto minha mão abria o zíper da sua calça, aos poucos fui descendo a calça dela, tirei o resto de nossas roupas.
Ela ficou meio sentada no sofá, enquanto nos beijávamos, fui descendo minha boca até o seu seio, minha mão começou acariciar calmamente entre as pernas dela, fui descendo minha boca até entre suas pernas, passei minha língua na sua virilha, fui até o centro, a ouvindo gemer deliciosamente baixo, brinquei com minha língua, até que comecei a sugá-la, com força, ela gemeu mais alto, suguei com mais força, ela deu um gemido tão delicioso que não resisti e olhei para ela. Ela, que tava com a mão nos meus cabelos, pressionou minha cabeça contra ela, para eu continuar, sem hesitar e continuei sugando cada vez mais forte, quando estava quase perdendo as forças, parei. Deitei-a no sofá, deitei por cima, desci minha mão até o meio das pernas dela, e comecei com um dedo, ela arranhava minhas costas, enquanto eu beijava seu pescoço. Depois com dois dedos e mais forte, ela me arranhou com mais força, eu olhava o rosto dela, aquela expressão de prazer me dava mais vontade de continuar. Então fui cada vez mais forte, mais rápido, até que senti meus dedos banhados seu com o gozo, não resisti e desci para sugar tudo, quando encostei, ela deu um suspiro alto, e gemeu baixinho, eu passei minha língua devagar, em cada cantinho que eu conseguia chegar, e demorava ao máximo só pra sentir por mais tempo o gosto dela. Quando vi que consegui o que queria, deitei por cima dela, e te dei um beijo bem molhado. Ela me abraçou, como nunca tinha feito antes.
Logo entendi aquele abraço, e me dei conta do erro que cometi, mas será que foi realmente um erro? Não sentia assim. Mas não podia ter feito isso, não sabendo que ela gosta de mim, não devia ter tentado provocar a Flávia. Mas era tão bom ficar com a Fê...
 
Nessa hora o telefone tocou, era a Leandra.
-Aii, deixa eu atender, já venho.
-Tá.
-Alô?
-Rê?
-Eu, Lê?
-A própria, o que acontece que você não atende o celular? Tô ligando faz um tempão.
-Putz, foi mal, é que ta no vibracall.
-Ah, ta. Entendi.
-Mas o que é tão importante que você está me ligando há tanto tempo?
-Nada de mais, é para perguntar se você não ta afim de ir no cinema hoje a noite.
-Ah pode ser, tô precisando. Que horas?
-Umas 20:00H pode ser?
-Aham, pode sim.
-Ta, eu passo ai então, beleza?
-Ok, até mais tarde.
-Beijão.
-Outro.

-Nossa! Olha a hora, tenho que ir para casa, minha mãe deve tá louca lá em casa. - Ouvi a Fernanda exclamar.
-Nossa, já são 17:00H, passou rápido.
-Porque será, né?
-Sabe que eu não sei. - Me fiz de desentendida.
Ela sorriu.
-Boba! Ai, onde você jogou minha blusa?
-Com certeza está aqui em casa. Ah olha ela ali. Vou pegar.
-Tá.
-Pronto. Fê?
-Oi?
-Sabe o que é...?
-Sei, olha relaxa, acho que eu já sou bem grandinha para perceber o que ta acontecendo.
-É? E Você pode me dizer o que está acontecendo? Porque eu realmente estou perdida!
-Aii Rê, só você mesmo. Mas a respeito do que acabou de acontecer, eu sei que não foi nada serio, você já me falou o que está acontecendo. Para ser sincera eu só tenho uma pergunta.
-Qual?
-Quem é aquela menina que você tava falando outro dia lá na frente da escola, uma ruiva?
-Ninguém importante.
-Mas você pareceu bastante abalada depois da conversa.
-Nossa! Você é observadora.
-Você sabe que eu presto atenção em tudo que se refere a você!
-Nossa! Fiquei sem graça agora.
-Desculpa, não foi essa a intenção, mas você sabe o que eu sinto, e sabe que não seria diferente.
-Sabia, sim. Mas mesmo assim eu fiquei sem graça.
-Olha só: a Paty deixou a rebelde da escola sem graça!
-Se você espalhar isso por ai, você é uma Paty morta! - Ameacei de brincadeira.
-Uii, tremi de medo agora! Mas então, vai me dizer?
-Dizer o que?
-Quem era a ruiva.
-Tá com ciúmes?
-Vai ficar enrolando? Ou não quer responder mesmo?
-Era minha ex. Como eu disse: ninguém importante.
-Pra ser sincera, não foi o que pareceu.
-Ah, não vamos falar disso. Pra que perder tempo falando disso?
-Ok, já que você não que falar, não está mais aqui quem perguntou.
-Valeu. Já vai mesmo?
-Já. Tá na minha hora.
-Tá bom então, a gente se vê na escola.
-Até amanha.
 Ela tava saindo.
-Nossa! É assim? - Perguntei, com um tom magoado na voz.
-Assim o que?
-Sai e eu nem ganho beijo? Beleza!
-Boba claro que ganha.
Ela veio na minha direção e começou a me beijar, aquele beijo tava me deixando louca, passei minha mão pela cintura dela, não queria deixar ela se afastar... Ela se afastou.
-Melhor parar por aqui, senão não volto para casa hoje.
-É você tem razão.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CAPITULO 16

Ela se levantou e ficou me olhando incrédula.
-Você não pode estar falando serio.
-Posso e estou!
-Mas e tudo que acabou de acontecer?
-Foi um erro. Não devia ter acontecido.
-Não acho que tenha sido um erro. E você devia tirar essa capa de garota forte, e aceitar que o que acabou de acontecer aqui não foi um erro.
-Foi um erro sim, isso não devia ter acontecido.
-E porque não?
-Porque não!
-Você não precisa agir assim, não comigo.
-Assim como?
-Você sabe do que estou falando. Nós duas sabemos que você queria isso tanto quanto eu. Você sabe que comigo não precisa bancar a garota forte, aquela que nada abala. Porque nós sabemos que não é bem assim.
-Você não sabe de mim há muito tempo. Quer saber, já disse que isso foi um erro, é melhor você ir embora agora.
-Ta bom, eu vou, porque você ta pedindo. Mas você está errada, e vai perceber isso, mais cedo ou mais tarde, e eu vou ta aqui sempre e pra sempre. E eu não vou desistir de ter você de volta pra mim, e poder te chamar de minha como antes.
-Você vai perder seu tempo.
-Com você eu nunca perco tempo, tudo com você é um presente a cada minuto, mesmo quando me maltrata como agora.
-Flávia, por favor...
-Já to indo, fica sossegada, mas eu vou fazer de tudo pra ter você de volta, por que eu te amo.
Ela se vestiu e foi embora.
No dia seguinte, na escola, não fui falar com ninguém, fui direto pra sala de aula. A Leandra veio falar comigo.
-Nossa é assim agora?Passa direto e não fala com ninguém?
-Foi mal, to sem cabeça pra nada hoje!
-Nossa, mas o que foi que aconteceu?
-Melhor deixar pra lá. Você estudou pra prova?
-Tem a ver com sua ex né?
-Olha deixa isso pra lá. Tudo que eu quero agora é esquecer que aquela garota existe, e você falando dela, sinceramente não ajuda muito!
-Nossa, desculpa!Não sabia que mexia tanto com você.
-Não mexe!Ai que saco, dá pra parar de falar nela?
-Tá bom, se é o que você quer não esta mais aqui quem falou!
-Valeu.

Quando chegou o intervalo, a Fernanda veio falar comigo.
-Rê, sabe o que é...?
-Não, você ainda não falou... - Brinquei com ela.
Ela deu risada.
-Besta. Se você me deixasse falar, saberia!
-Mas você que perguntou se eu sabia...
-Tá, vamos focar no que eu ia te falar ta? - Ela disse se segurando para não dar risada.
-Tá.
-Então, é que eu tava pensando da gente dar uma volta hoje depois da aula, o que você acha?
-Ah pode ser, estou sem nada pra fazer mesmo. O que você tem em mente?
-Sei lá, tomar um sorvete, andar por ai, ou alguma coisa do tipo. E então topa?
-Claro! Mas posso dar uma ideia?
-Pode! Qual?
-No lugar da gente tomar sorvete a gente pode ir almoçar, porque eu to morrendo de fome.
Ela não aguentou eu sorriu.
-Beleza, um almoço então!
-Agora sim, eu me animei. - Disse, satisfeita.
-Bom vou indo, o sinal já ta tocando.

Na hora da saída a Fernanda veio me procurar pra gente ir almoçar.
-Então, vamos lá?
-Aham, e onde você pretende me levar?
-Sabe aquele restaurante que tem a dois quarteirões daqui?
-Aquele pequenininho?
-É esse mesmo. É pequeno, mas a comida lá é boa.
-Já que você diz!
-Então, você e a Leandra voltaram a se falar né?
-Voltamos, sim! Sei lá, não vale a pena estragar uma amizade por uma besteira dessas.
-Mas me conta o que você anda aprontando?
-Eu?
-É, você.
-Que isso? Eu sou um anjo de pessoa!
-E eu tenho poderes mágicos. - ironizou.
-Não, mas é serio, tô sossegada. Estou com muita coisa na cabeça pra pensar em aprontar.
-O negócio com a sua mãe?
-Também.
-Tem mais?
-Tem, mas não vamos falar disso, tá?
-Ta bem, mas se você quiser conversar, já sabe né?
-Já sim, valeu!
-Chegamos!
Almoçamos. Meus momentos com ela desde que a gente fez as pazes, tem sido ótimos, descobri que ela é uma boa companhia.
-Gostou da comida?
-É, você tinha razão, é boa mesmo.
-Você ainda não entendeu que eu sempre tenho razão?
-Ta, agora sou eu que tenho que falar que tenho poderes mágicos. - Disse sarcástica.
-Não é por nada, não, mas eu acho que tem uma garota seguindo a gente.
-Onde?
-Não, deve ser impressão.
-Isso. Me assusta mesmo!
Ela deu risada.
Mesmo assim eu disfarcei e olhei pra trás, realmente tinha uma menina seguindo a gente, era a Flávia!
-Posso dizer uma coisa? - Perguntei.
-Pode, o que é?
-Tô com vontade de te beijar.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CAPITULO 15

-Lê, já volto.
-Vai onde? Você não ia pra casa?
-Eu vou, só preciso de um minuto.
-Ta bom.
 
Fui falar com ela, que estava do outro lado da rua.
-O que você está fazendo aqui?
-Vim fala com você.
-1º: Como você me achou? 2º: A gente não tem mais nada pra conversar!
-Fui até sua casa e seu pai me contou que vocês brigaram e que saiu de casa, então pedi pra ele o endereço da sua escola.
-Não devia ter vindo.
-Você ainda está muito magoada, né?
-Olha, fala logo o que você veio me dizer e vai embora, tá legal?
-Quem aquela menina que não pára de olhar pra gente? Alguma namoradinha nova?
-Isso não é da sua conta. Não mais!
-Eu já falei o que aconteceu, e já expliquei. Droga.
-Ah e você acha que é simples assim? Você me trai e vem me pedir perdão e eu aceito dizendo que te amo?
-Já te falei que não te traí, já falei que é você quem eu amo!
-Não sei nada disso. O que eu sei é que eu te peguei na cama com outra. Se isso é amor, então já não sei mais nada...
-Rê, você...
-Pra você agora é Renata, Flávia. E dá licença que eu tenho mais o que fazer. Ah e, por favor, me esquece e some da minha vida. - E dei as costas.
Voltei pra perto da Lê. 
-Vamos embora Lê, meu dia já deu o que tinha que dar!
-Beleza, mas quem é aquela menina? Porque ficou tão nervosa por causa dela?
-Ela é minha ex. Agora sem comentários nem perguntas ta?
-Ok, não ta mais aqui quem perguntou.
-Obrigada.
-Você ainda ta a fim de ir ao cinema?
-Agora mais que nunca!

Passei o dia com a Lê, quando já estava escurecendo voltei pra casa, minha madrinha não estava, tinha deixado um recado avisando que iria chegar mais tarde. Subi e fui direto para o quarto. Fui ler algum livro pra matar o tempo. Quando de repente a campainha tocou, fui atender.
-Ah não, o que você ta fazendo aqui?
-Vim conversar com você.
-Como você soube onde eu estava? Ah não espera, já sei, meu pai te deu o endereço, certo?
-Certo!
-Sabia...
-Vai me deixar esperando aqui fora ou vai me chamar pra entrar?
-Devia te deixar bem ai, e fechar a porta...
-Mas não vai, porque não é uma menina mal-educada! - Ela me interrompeu.
-Entra logo.
-Agora sim. - Disse, satisfeita.
-Fala logo o que você tem pra me dizer e vai embora, ta legal?
-Rê, quantas vezes eu vou ter que dizer que aquilo foi armação? Que eu não fiz nada? Que ela me embebedou?
-Nenhuma. Você quem ta dizendo. Já disse que não acredito, e mesmo que fosse armação, te avisei um bilhão de vezes que aquela menina não prestava, mas VOCÊ não acreditou.
-É. Você estava certa. Mas eu errei, caramba, todo mundo erra. Me dá uma chance de mostrar o que eu sinto.
-Já te dei, e você jogou ela no lixo.
-Rê, eu nunca deixei de te amar. Acredita em mim, droga.
-Cara, eu já acreditei em você, alias você foi à única em quem confiei. E você sabe disso perfeitamente. Meu eu me entreguei pra você completamente, mas que importância isso tem, não é mesmo?
-Tem muita, eu sempre valorizei isso. Meu, te juro que aquilo foi armação. Eu jamais te trairia, principalmente com ela. Ta certo, eu errei, devia ter te escutado, mas será que não mereço um perdão?
-Você tem noção do quanto eu fiquei arrasada?
-E eu? Você acha que eu fiquei muito feliz vendo você ir embora, né?
-Não sei o que pensar.
-Você ainda sente alguma coisa por mim?
-Cara você me machucou demais!
-Não foi essa minha pergunta. Você ainda gosta de mim?
-Pára com isso. Acho melhor você ir embora agora.
-Acha mesmo?
Ela disse isso e veio me beijar, virei o rosto, mas ela insistiu até que conseguiu. Não resisti. Mas eu não podia. Ela só me machucou, mas não conseguia parar.
Aquela boca, aquele beijo, o toque dela, tudo me fazia sentir aquela paixão novamente, a mesma paixão que me cegou e deixou marcas que não se apagaram.
-Vamos pro seu quarto, alguém pode chegar.
-Vem. - Disse sem pensar.
Puxei-a pela mão, mas ela não queria só a mão, veio me beijar, subimos as escadas nos beijando. Chegamos ao meu quarto, tirou a blusa e abriu a calça. Eu também tirei minha blusa e abri minha calça, quando ia tirar minha calça ela me parou e me deitou na cama, subindo encima de mim. Começou a me beijar, se mexendo no meio das minhas pernas, com uma mão começou a apertar meu seio. Ela se levantou e tirou o resto da sua roupa, em seguida tirou a minha, e voltou na mesma posição de antes, me deixando ainda mais excitada, ela correu a mão pelo meu corpo, até chegar entre as minhas pernas, começou a me acariciar bem de vagar, de um jeito que só ela sabe fazer, mas parou de me beijar e foi descendo a boca pelo meu colo, chegando nos meus seios começou a brincar com meu piercing, foi descendo ainda mais passando pela minha barriga, foi descendo até chegar na minha virilha. Começou a dar pequenos beijos na minha virilha, e foi indo, devagar, em direção ao meu piercing, passou a língua bem delicadamente em volta dele, começou a explorar com a língua cada canto mais escondido, então começou a me chupar, chupando de um jeito que me deixava imóvel. Enquanto chupava, ela passava os dedos em volta me excitando, então começou a colocar um dedo bem de vagar e tirar. Cada movimento que ela fazia me deixava com mais vontade dela, mais desejo. Foi subindo a boca, passeando pelo meu corpo, até que chegou na minha boca, e me deu um beijo, onde parecia que todo resto ia sumir. A mão dela continuou me masturbando, minha mão foi descendo pelo corpo dela, até chegar onde queria, comecei a acariciá-la e a penetrar meu dedo, sentindo ela úmida de desejo, ouvindo ela gemer baixinho no meu ouvido. Ela se levantou e disse:
 -Vamos tenta uma coisa.
 Ela encaixou nossas pernas de um jeito que nossos sexos se encontravam. Passando o dedo devagar no meu piercing, aninhando o sexo dela ao meu. Quando ela chegou na posição que queria, começou a se mexer, me deixando cada vez mais excitada. E ficamos nisso por algum tempo.
Quando já estávamos cansadas, ela se deitou ao meu lado na cama pequena, me abraçando e beijando minha nuca. Não dissemos uma palavra, ficamos naquela posição por um longo momento, momento que, involuntariamente, eu não queria que passasse. Mas eu não podia aceitar ela de volta, não com tudo o que ela fez e com tudo que estava acontecendo. Até que ela rompeu o silencio e disse:
-Senti falta de você, falta do seu cheiro, não quero mais me separar de você...
-Acho melhor isso parar por aqui.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CAPITULO 14

Voltei para casa e, quando minha madrinha chegou, resolvi ir falar com ela sobre o que o meu pai me falou.
-Oi, tudo bem?
-Tudo, madrinha a gente pode conversar?
-Podemos sim, sobre o que? Aconteceu alguma coisa?
-Tipo, hoje meu pai me ligou e pediu para nos encontrar-mos, eu fui e no meio da conversa ele soltou que você também gosta de mulher. É verdade?
-É. Eu não sabia se devia contar então fiquei na minha. - Ela ficou extremamente sem graça.
-Desculpa me intrometer, é que eu fiquei curiosa, não sabia, por isso eu perguntei. - Também fiquei sem graça.
-Não, tudo bem.
-Eu posso fazer uma pergunta?
-Pode. O que é?
-Você era apaixonada pela minha mãe?
-Que? - Ela ficou surpresa com minha pergunta.
-Meu pai falou que achava que você era apaixonada por ela.
-Não, sua mãe sempre foi minha amiga, uma das melhores, era muito especial. É que seu pai nunca gostou de mim porque eu sou lésbica, essa é a verdade.
-E porque ele acharia que você era apaixonada por ela?
-Como já disse eu e sua mãe éramos muito amigas, muito mesmo, gente dormíamos na casa uma da outra nos tempos de colégio, nos trocávamos uma na frente da outra, já chegamos a tomar banho juntas, mas tudo na inocência, ela era como uma irmã. Ele deve ter confundido tudo.
-Mas era só amizade, mesmo?
-Lógico, eu e sua mãe éramos SÓ amigas. Eu a conheci na escola.
-Então você conheceu a Fabiana?
-A Fabi? Claro, éramos super amigas, inseparáveis. E cá entre nós, a Fabi, sim sempre foi afim da sua mãe.
-Ela me falou isso também.
-Falou? Você conhece ela? Como?
-É, então eu conheço, tipo quando eu li o diário da minha mãe...
-Você leu o diário da sua mãe?
-É.
-E ela tinha um? - Perguntou com uma cara estranha, não entendi aquele olhar.
-Tinha. Você não sabia?
-Não. Mas como você conheceu ela?
-Então eu li sobre ela no diário, e fui procurá-la, pra saber se ela sabia alguma coisa da morte da minha mãe.
-Mas foi dito que ela se matou.
-Mas eu não acredito nisso, nem ela, nem meu pai.
-E vocês acreditam em que?
-Que ela foi assassinada, ela não faria isso, tinha muitos planos, os dois acharam o mesmo.
-Vai ver todos esses problemas da separação, que estava passando, deve ter deixado ela confusa, sei lá.
-Não eu não acredito nisso, eu li o diário dela todo daquele ano, parecia estar feliz apesar dos problemas com meu pai, não parecia em nenhum momento estar confusa.
 A campainha tocou e minha madrinha foi ver quem era.
-Oi, por favor, a Renata está? - Ouvi de longe.
-Está sim, você é a...?
-Fernanda.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CAPITULO 13

Chegando no refeitório, eu fui falar com a Leandra.
-Leandra, você pode me explicar o que está acontecendo aqui?
-Renata?
-Eu mandei você não fazer piada com isso, não mandei?
-Rê, ela é a Fernanda, pára com isso.
-Não, não paro. Droga, por que você fez isso?
-Meu você vai defender ela na frente de todo mundo?
-Vou, porque ela que está com a razão. Caramba, que te deu? Você começou com umas besteiras de repente, por que isso agora?
-Meu você é cega ou o que? Ela está armando pra cima de você.
-Que seja, a questão aqui não é essa, a questão aqui é que eu pedi uma coisa pra você e você fez o oposto. Eu te pedi isso em confiança.
-Eu já sei Renata. - Disse a Fernanda de repente.
-Já sabe o que? - Perguntei, sem entender.
-A Leandra é apaixonada por você, não é Leandra? - Quando a Fernanda disse isso fiquei em choque, não esperava isso.
-Do que você está falando, garota?
-Claro, tava tão óbvio. Não acredito que você nunca percebeu, Renata.
-Pára de falar besteira, menina.
-Isso é verdade, Leandra? - Perguntei.
Ela ficou calada, e me olhou sem saber o que dizer.
-É por isso que você está estranha, Leandra? - Insisti.
-Demorou pra você perceber, hein? - Ela disse, revoltada.
-Demorei por que eu não imaginava que você gostasse de mim. Porque nunca falou nada?
-Pra que? Pra levar um fora seu? Não, muito obrigada.
-De qualquer forma você tinha que ter vindo falar comigo.
O sinal tocou, ela se virou e foi pra sala. Sem falar nada eu fui também.

Na hora do intervalo eu fui falar com ela.
-Leandra, não sai ainda. Preciso falar com você.
-Que foi? Veio me dar um fora definitivo? Não precisa.
-Porque você nunca me falou nada?
-Porque eu sabia que ia levar um fora, você gosta é da Fernanda, meu pára de negar, está escrito na sua testa que você gosta.
-Porque fez isso com ela hoje?
-Porque eu não consigo suportar ver ela saindo por cima sempre, não podia aceitar que você a protegesse por causa dessa paixão, não podia permitir que vocês acabassem juntas, eu tinha que fazer alguma coisa, pra ela ficar com raiva de você, e assim te esquecer e você ficar só pra mim. Pelo visto isso não deu certo, né?
-Olha, eu não to te reconhecendo... Eu preciso pensar. Depois a gente se fala.
Eu saí da sala, e encontrei a Fernanda no final do corredor.
-Ah, oi, olha desculpa pelo que a Leandra fez hoje, eu tinha pedido pra ela não fazer piadinhas, mas...
-Mas ela é afim de você e ficou com ciúmes. - Ela completou.
-Você pega as coisas rápido. - Elogiei.
-Mas na verdade eu é que tenho que pedir desculpas, te acusei sem ter provas e estava errada, desculpa. - Disse, sem graça.
-Relaxa, era natural que você me acusasse, só eu sabia, então não se preocupa com isso.
-Eu fui até a sua sala, mas você tava falando com a Leandra, então não quis atrapalhar. E eu acabei escutando um pedaço da conversa.
-Ah é?
“Ih agora fudeu!” Foi isso que passou na minha cabeça na hora.
-E o que você escutou? - Perguntei com medo da resposta.
-A parte que ela falou que você gosta de mim, isso é verdade? - Era o que eu temia!
-Sabe, eu to com tanto problema, que eu nem to pensando nisso agora.
-Ah, desculpa, é que eu fiquei curiosa, eu não devia ter escutado a conversa entre vocês. – Nos duas estávamos sem graça.
-Não, me desculpa você, por não poder te dar a resposta que você quer escutar.
Meu celular começou a tocar, alguém havia me mandado mensagem. Era da Leandra.
“Desculpa por tudo, acho melhor nos afastarmos, pelo menos por um tempo”.
-Droga.
-Que foi?
-A Leandra quer se afastar de mim.
-Vocês eram muito amigas, né?
-Ela que mais me ajudou quando eu mais precisei.
-Será que eu posso ajudar?
-Duvido.
-Me fala, quem sabe eu possa te ajudar?
-Não sei se é uma boa idéia.
-Já entendi, você não quer falar, desculpa não queria me intrometer.
-Não, é que eu não queira falar, é que é um assunto muito sério, e não quero te envolver.
-Bom, quando você se sentir segura pra falar, pode vir falar comigo.
-Obrigada, mas acho que esse é um assunto que eu tenho que resolver sozinha.

Na hora da saída, enquanto estava indo para casa meu celular tocou, era meu pai:
-Alô? Pai?
-Filha?
-Aconteceu alguma coisa?
-Tô ligando pra saber como você está? - Isso foi estranho!
-Ah eu to bem, e você?
-Bem, será que a gente pode se encontrar?
-Por quê? O que aconteceu?
-Nada, só queria te encontrar, pode ser?
-Pode, onde?
-Na frente do cinema, umas três horas, o que você acha?
-Ótimo, eu vou estar lá.
-Então até daqui a pouco.
-Até.
-Beijo.
-Tchau.

No horário combinado eu fui encontrar meu pai.
-Oi.
-Como você está filha?
-Indo.
-Algum problema?
-Alguns.
-E eu posso ajudar em alguma coisa?
-Na verdade não.
-Mas se eu puder fazer alguma coisa, estou aqui. - Isso foi mais estranho ainda.
-Tá, valeu.
-Mas então, como está a sua vida fora de casa?
-Tranquila.
-Vamos pra aquela lanchonete, ali.
-Ta bom.
-Filha agora que a gente está de cabeça mais fria, você não prefere voltar pra casa? Afinal lá é a sua casa, é só você parar com essa história.
-Se você está se referindo à minha homossexualidade, é melhor nem continuar, que vai ser pior.
-Mas então você está morando aonde?
-Na casa da minha madrinha.
-O que? É claro que você não vai parar com essa besteira.
-Do que você está falando?
-Que é óbvio que você morando lá, vai demorar pra passar essa besteira de ficar com garotas.
-O que uma coisa tem a ver com a outra?
-Sua madrinha, porque você acha que eu nunca fui com a cara dela?
-Eu é que vou saber?
-É melhor deixar pra lá.
-Calma ai. Você está querendo dizer que minha madrinha gosta de mulher também?
-Ela nunca te falou isso?
-Não. Mas calma ai, se você não gosta dela, porque chamaram ela pra ser minha madrinha?
-Porque sua mãe era muito amiga dela, então não pude recusar esse pedido, eu fazia qualquer coisa pra eu ver sua mãe feliz.
-Eu não sabia da minha madrinha.
-Porque você foi morar lá?
-Porque desde sempre ela me apoiou, então lá foi o único lugar que eu pensei.
-Volta pra casa, vamos continuar como era antes.
-Não, por que eu não vou mudar, e a gente vai continuar discutindo.
-Bom, quando você volta se quiser, as portas de casa estarão abertas.
-Ta, obrigada. Mas sua raiva dela é só por ela ser lésbica?
-Pra ser sincero, não é isso não. Ela e sua mãe eram muito amigas, e sempre achei que a Cátia era apaixonada pela sua mãe, mas sua mãe falava que era coisa da minha cabeça, mas nunca acreditei muito não.
-Você tem certeza?
-Que ela era apaixonada pela sua mãe?
-É.
-Certeza eu não tenho, mas eu sempre achei que a Cátia era apaixonada por ela, da parte da sua mãe eu não acredito que tenha sido recíproco.
-Qual foi a sua reação quando descobriu que minha mãe queria se separar?
-Na verdade, e fiquei mal, cheguei até falar besteira, mas eu amava sua mãe demais, ela era tudo pra mim, tanto que na noite que ela morreu, eu tinha pedido pra sua madrinha sair com você pra eu tentar fazer as pazes com a ela, fazê-la mudar de idéia, mas quando eu cheguei lá ela já estava morta, eu queria morrer quando eu a vi daquele jeito.
-Minha mãe tinha alguma pessoa que não gostava dela?
-Até onde eu sei não, ela sempre foi uma pessoa bem querida por todos, era um amor de pessoa, a pessoa mais maravilhosa do mundo, ela era muito especial.
-Então porque você acha que alguém a mataria?
-Não sei, mas eu sei que ela não se matou, ela não faria isso.
-Pra mim essa história está muito mal contada.
-Pra mim também.
-Então porque você nunca foi atrás da verdade?
-Eu ia falar o que? “Ah ela não fez isso, porque ela jamais se mataria.”
-Sei lá, lutasse, fizesse qualquer coisa.
-Eu ia passar de bobo isso sim.
-Que passasse.
-Não é tão simples assim.
-Nunca é né pai? Quando se tem má vontade ou medo de alguma coisa sempre é mais difícil.
-Você não sabe do que você está falando. Não sabe o que sofri.
-E eu? Você acha que não sofri? Pra você é muito fácil se fazer de coitado, aliás, foi isso o que você fez a vida inteira, desde que minha mãe morreu, né?
-Do que você está falando? Eu nunca me fiz de coitado.
-Foi mais fácil se embebedar, do que encarar as coisas de frente, né?
-Você não sabe do que está falando.
-Sei, sei muito bem, porque eu que fui deixada de lado esses anos todos, tinha que ficar vendo você se embebedar e rezar pra que não cismasse de me bater, você não sabe como era horrível voltar pra casa com medo de apanhar de novo por causa da sua bebedeira. Mas você nunca se preocupou com isso, né? Estava ocupado demais se fazendo de coitadinho, nunca se preocupou com ninguém além de você mesmo, e quem se ferrou esses anos todos fui eu.
-Olha, eu sei que não estive presente em muitos momentos, mas nunca me fiz de “coitadinho”, como você diz.
-“Não esteve presente em muitos momentos”? Você nunca esteve presente em momento algum! Depois que minha mãe morreu, você mergulhou um mundo de amargura, que acabou esquecendo que ainda tava vivo, que ainda tinha a mim que dependia de você. Eu era só uma criança, eu tive que me criar sozinha porque com você, eu nunca pude contar pra nada, pra nada!
-Você não tem o direito de me julgar assim.
-Eu não estou te julgando, estou falando do inferno que foi minha vida nesses últimos anos, graças a você. Eu acho melhor ir embora, não deveria ter vindo. Quando você resolver enfrentar as coisas de frente, em vez de se esconder na bebida, acho que a gente vai poder conversar, mas até lá vou levando a minha vida e você leve a sua, mas não me procure, porque não quero fazer parte desse seu mundo onde só você é que importa, onde você é o centro de tudo, onde só você tem sentimentos. Tchau.
-Filha, espera, volta aqui.
-A gente não tem mais nada pra conversar enquanto você não resolver encarar as coisas de frente. Fui.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CAPITULO 12

Quando eu cheguei à casa da Fabiana quem abriu a porta foi a filha dela.
-Oi, por favor, a sua mãe está?
-Tá só um minuto, é Renata né? - Perguntou confirmando.
-Isso.
-Espera aqui, vou chamar ela.
 Não demorou a Fabiana veio até a porta.
 -Oi, tudo bem? Entra.
-Eu estou precisando falar com você. Pode ser? - Perguntei apreensiva
-Sobre aquilo?
-É.
-Tá, Isa você pode subir? Eu preciso falar com ela.
-Tô indo, vou mexer no computador, tá?
-Tá bom, vai lá. Pronto, o que você quer saber?
-Porque você mandou recados pro meu pai?
-O que?
-É, o que tava escrito nesses bilhetes?
-Mas eu nunca mandei bilhete nenhum pro seu pai.
-Não foi o que ele disse.
-Mas eu to falando a verdade, eu nunca mandei nenhum bilhete pra ele.
-Ele me falou que você mandava recados, pra ele se afastar dela, alguns até ameaçando de morte.
-Imagina. Eu nunca mandei nenhum bilhete, principalmente ameaçando ele, eu jamais faria isso. Você viu esses bilhetes?
-Não. Ele disse que jogou fora.
-Então, como você pode acreditar que ele está falando a verdade?
-Você está querendo dizer que ele estava inventando?
-Olha, eu só sei que eu nunca mandei nenhum bilhete. Ele só pode ter inventado.
-Cara, não to entendendo mais nada.
-Desculpa, mas quanto a esses bilhetes, não posso falar nada, até porque não os escrevi.
-Tá, bom brigada, eu vou tentar ver isso. Minha mãe alguma vez falou se estava sendo ameaçada, sem ser pelo meu pai? Ou algo parecido?
-Não, pra mim ela não falou nada, só falou sobre o seu pai mesmo.
-Ela disse se tinha mais alguém apaixonado por ela?
-Pra mim não, mas é provável que houvesse outros apaixonados pela sua mãe, porque mesmo depois de ter sido mãe, ela continuava linda.
-Isso ajuda muito. Bom, acho que é só. Desculpa te incomodar.
-Que isso. Se você precisar de alguma informação ou alguma coisa e se eu puder ajudar eu te ajudo.
-Obrigada. Então, vou nessa.
-Renata, você quer ver umas fotos dela? - Perguntou amistosamente.
-Você tem alguma? - Perguntei animada.
-Ih um monte, vem eu te mostro, senta aí que eu já trago.
-Claro.
 Ela subiu as escada e logo trouxe uma caixa, já envelhecida e gasta pelo tempo.
-Essa caixa está cheia de fotos dela.
-Sério?
-Aham, nós tirávamos muitas fotos, era nosso passa tempo preferido.
-Nossa. Eu não sabia que você tinha fotos dela.
-Fica vendo, eu vou pegar uns biscoitos pra gente, suco ou café?
-Suco, por favor.
Enquanto eu fiquei vendo as fotos, que eram muitas, ela foi pegar uns biscoitos, sem demorar muito.
-Olha, pega. - Disse oferecendo uns biscoitos de chocolate, e suco de uva.
-Obrigada.
-Olha essa foto, foi um dia que nós duas levamos você no parquinho, você não parava de correr de um lado pro outro.
-Pelo visto eu era bagunceira desde pequena.
-Muito! Nossa, sua mãe ficava louca de preocupação, você vivia machucada. - Disse com ar nostálgico.
-Vem cá, o que você acha que minha mãe diria se me visse hoje? - Perguntei, tentando saber um pouco mais sobre minha mãe.
-Você diz por causa dos piercings?
-É, pelos piercings, pelo meu jeito de ser...
-Eu acho que ficaria surpresa com os seus piercings, mas ia gostar, na verdade ela queria pôr um no nariz, mas ela tinha medo e seu pai também não deixava.
-Sério?
-Aham, ela morria de medo da agulha, era muito medrosa. E quanto ao seu jeito, não sei como agiria, mas sei que ela ia te amar, independente de qualquer jeito que você tivesse, ela sempre foi louca por você, tanto que uma das condições pra ela ficar comigo foi eu aceitar que você viesse morar com a gente.
-Eu lembro que ela sempre se deitava comigo até eu dormir fazendo cafuné, sempre brincava comigo...
-Você era tudo pra ela, a maior preocupação dela vir morar comigo era como você reagiria quando soubesse que ela namorava outra mulher.
-É, li isso no diário dela.
-O que mais você leu?
-Na verdade eu só li o diário do ano que ela morreu, e nele ela falava dos problemas com meu pai, falava que ele não estava aceitando a separação, mas falava que gostava muito de você. Por isso eu sei que posso confiar em você, se ela confiava é porque você é de confiança.
-Sua mãe era especial, ela tinha uma doçura e ao mesmo tempo uma personalidade marcante, podia ser um amor, mas também podia ser de uma dureza, nervosa que só. Ela era única, eu ainda sinto muita falta dela.
Ela disse isso com lágrimas nos olhos. E logo ela se desculpou.
-Desculpa, eu ainda me emociono muito quando lembro da sua mãe.
-Tudo bem, tipo é meio estranho ver uma mulher chorando pela minha mãe, essa coisa da minha mãe ser homossexual ainda é muito nova pra mim, mas não tem problema, eu vou me acostumar.
Ela sorriu.
-Sabe? Você vai achar bobagem, mas tudo o que eu faço até hoje é pensando nela, pra você ter uma idéia até o nome da minha filha eu dei Isa por causa dela.
-Mas o nome da minha mãe era Márcia.
-Mas ela sempre gostou de “Isa”, seu nome era pra ser Isa, mas seu pai não quis.
-Por quê? Você sabe? É um nome tão bonito.
-Não sei. Mas já que ele não tinha gostado de Isa ela decidiu dar o nome de Renata.
-Como vocês se conheceram?
-Na verdade a gente se conheceu na escola, mas nós nos desencontramos, até então éramos amigas, aí no final de 96 a gente se reencontrou, fazíamos academia juntas, então confessei pra ela o que eu sentia, que na verdade começou quando nós estudávamos juntas, e quando nos reencontramos ela estava mais linda do que nunca, nós nos reaproximamos, e acabei arriscando e falei pra ela o que eu sentia.
-E qual foi a reação dela?
-No começo ela se assustou um pouco, mas ela também gostava de mim, então aconteceu tudo aquilo que você deve ter lido no diário dela.
-Se ela também gostava de você, porque ela se assustou?
-Porque ela nunca tinha ficado com nenhuma mulher, mas ela viu que o que a gente sentia era mais forte do que o medo dela.
-Mas vocês não se preocuparam com o que os outros iam dizer?
-Sabe a gente dividia a mesma opinião quanto a isso, nós nos preocupávamos que nós nos amávamos, a única opinião que importava pra ela era a sua. Estávamos pouco se lixando pro que os outros iam dizer, a gente se amava e era isso que importava, o resto era só o resto.
-Que paulada. - Disse, sem perceber.
-O que? - Ela disse sem entender.
-Não, não é nada, só estou pensando alto. Bom, obrigada pelo suco e pelos biscoitos, eu já vou indo.
-Não precisa agradecer. Sempre que quiser de uma amiga eu to aqui.
-Nossa, brigada.
 
Voltei pra casa com tudo que a agente tinha conversado dando voltas na minha cabeça. No outro dia fui para escola, mal cheguei e sem falar com ninguém, fui ao banheiro quando estava saindo eu vi a Fernanda vindo em direção, correndo e chorando.
 -Fernanda? O que aconteceu? - Perguntei, preocupada.
-É muito bom saber que você é uma pessoa de palavra. - Disse, irônica.
-Que? Do que você está falando? - Sem entender.
-Eu achei que não fizesse piadinhas sobre sentimentos dos outros, mas que idiotice a minha, a grande piadista da escola não fazer piada disso seria absurdo, não é mesmo?
-Será que você pode explicar do que você está falando?
-Eu confiava em você, por que foi espalhar pra todo mundo que a “patricinha se apaixonou pela rebelde da escola”.
-Eu não falei nada, nem fiz piada alguma sobre isso. Onde você ouviu isso?
-A sua amiguinha, Leandra, fez questão de me contar que eu tinha virado a piada da escola. - Disse nervosa.
-Vem comigo. - Disse, resignada.
-Que foi? - Ela não entendeu.
-Cadê ela? - Perguntei, furiosa.
-Tá no refeitório, por quê?
-Vamos lá.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CAPITULO 11

-Rê?
-Oi, aquela patricinha me tira do sério. - Desabafei.
-Não sabia de tudo isso. - Falou, em tom de desculpa.
-Ninguém sabia.
-E o que te fez dizer tudo aquilo?
-Quando ela me chamou de orfãzinha ela me tirou do sério.
-Você está bem?
-Meu, quer falar mal de mim? Fala, eu não me importo, mas não ouse se referir a mim como órfã de um modo pejorativo como ela fez.
-Relaxa, você calou a boca dela, acho que vai te deixar em paz.
-Assim espero.
 
Quando eu estava conversando com a Leandra, a Fernanda entrou, disse:
-Renata, a gente pode conversar? - Disse, tímida.
-O que você quer? - Rosnei.
-Vou deixar vocês duas a sós. - Mais uma vez a Leandra saiu à Francesa.
-Falar sobre o que aconteceu lá embaixo.
-Veio me zoar mais? Veio começar a usar o que eu te disse? Vamos lá, comece, sou toda ouvidos!
-Não. Vim me desculpar pelo que eu disse. Não sabia o que dizer pra te responder, então a única coisa que eu pensei foi naquilo, desculpa não devia ter dito aquilo, com mãe não se faz piada, mas eu tava nervosa e na hora eu não pensei. - Disse, e deu para ver que ela tava arrependida...
-Pois devia. Olha, você quer falar mal de mim? Pode falar eu não ligo, mas não mexe com assuntos que envolvam a morte da minha mãe, isso eu não permito, isso chega a ser baixo.
-É que eu... Pra ser sincera, eu to magoada com você, tipo num dia você está super carinhosa, até me defende, e quando chega em publico me trata daquele jeito, achei que essa implicância ia parar, mas pelo visto tudo foi só uma brincadeira pra você né? - Disse, em tom desconsolado.
-Meu, eu já disse, se você não sabe, não fala.
-Senão é isso, o que pode ser?
-Sua anta, eu fiz isso pra te ajudar.
-Ah claro. Me fez contar pra minhas amigas que eu sou apaixonada por você, me fez dizer pra elas o que aconteceu entre a gente, me fez dizer que eu acreditava que você também gostava de mim e que nós íamos ficar juntas, pra quê? Pra chegar na frente delas e me humilhar como fez.
-Eu não mandei você dizer pra elas... Calma ai, você disse que é apaixonada por mim? - Fiquei surpresa com essa revelação.
-Devia ter calado minha boca. Agora você vai ficar me zoando.
-Não. Eu, ao contrário de você, não faço piadinhas com os sentimentos dos outros. Mas sim, fiz aquilo porque eu queria te ajudar.
-Ajudar como? Me humilhando na frente de todo mundo?
-Eu pensei que fazendo aquilo, me afastando de você tudo ia voltar a ser como antes: Você implicando comigo e eu implicando com você, com você me tratando mal e eu te tratando como antes você ia poder refazer sua “reputação”, e tudo ia voltar a ser como antes. Mas, não você foi dizer essas coisas sem me dizer nada.
-E precisava?
-Claro, eu não ia adivinhar que você é apaixonada por mim.
-Mas você disse isso no sábado.
-Eu disse aquilo pra te provocar, eu não imaginava que você gostasse de mim de verdade.
-Que vergonha.
-Mas porque você gosta de mim?
-Nada, esquece.
-Não, agora você vai ter que me dizer.
-Sei lá porque eu gosto de você é a mesma coisa que perguntar por que pijama tem bolso, não tem resposta. E agora você deve estar me achando mais idiota do que nunca. – Disse, sem saber onde enfiar a cara.
-Não mais que o normal.
-Cara, você não muda.
-Esse é meu jeito, faço piada com tudo que eu posso.
-Talvez eu tenha me apaixonado por você por causa disso, dessa sua alegria. Pra ser sincera, eu sei que vou me arrepender de dizer isso, depois das coisas que você disse hoje, de todos os problemas que você passou, você ainda continua brincando, fazendo piadas a todo o momento, eu acho que to gostando mais ainda de você.
-É, eu sei que sou demais. - Disse isso pra zombar com a cara dela.
-É disso que eu to falando, a gente acabou de ter um briga super séria lá embaixo e agora você ta brincando.
-Não vai adiantar de nada ficar nervosa, não vai mudar tudo o que já passei e quanto à briga, você já se desculpou, e ainda por cima se declarou pra mim. Que mais eu posso querer?
Ela sorriu.
-Agora, falando sério, será que a gente pode parar com essa implicância tola? - Perguntou, quase como uma súplica.
-Não sei tenho uma reputação a zelar. - Debochei.
-Larga de ser boba. - Ela disse rindo.
-Mas bem que você gosta da boba aqui, né? - Provoquei.
-E quanto a não fazer piadas com os sentimentos dos outros?
-Eu estou te ofendendo? Não, eu não faço desde que seja algo que vai te ofender ou te prejudicar, agora eu estou brincando com você, não estou te ofendendo.
Ela sorriu, e disse:
-Tá bom. Mas então: Paz?
-Tá né, vamos parar com essa implicância.
-Sem mais piadinhas sobre mim?
-Sem piadinhas.
-Então, agora sim. Posso fazer uma pergunta?
-Poder pode, só não garanto que eu vá responder.
-Mas eu vou arriscar mesmo assim. Porque você deu em cima de mim?
-Bem, que você gostou, né?
-A pergunta não foi essa.
-Mas você gostou ou não?
-Se eu gosto de você, é óbvio que eu gostei. Mas não muda de assunto, por quê?
Nessa hora o sinal tocou.
-Ih olha que coisa chata, o sinal tocou, não vai dar pra te responder, olha que tragédia, não é mesmo?
-Você conseguiu, mas tudo bem você ainda vai me responder isso.
-Fernanda, mudou de sala? - Disse a professora que tinha acabado de entrar na sala.
-Não professora, eu já estou saindo. - Disse se levantando da cadeira. - Você ainda vai me responder.
-Tchauzinho. - Zombei.
-Desculpa professora.
 A Fernanda saiu da sala e a Leandra veio falar comigo:
-E ai, como foi a conversa?
-Leandra?
-Sim professora?
-Eu já estou na sala, então sem conversa.
-Sim Senhora, desculpa professora.
 A Leandra se virou pra mim e disse:
 -Você não vai fugir.
 
Na hora do intervalo estava saindo da sala quando a Leandra disse:
-Me espera, eu quero saber o que aconteceu.
-Então vamos, anda.
-Então o que ela disse?
-Ela pediu desculpas pelo que disse e...
-E o que?
-Ela se declarou pra mim.
-Como é que é?
-Isso que você ouviu, ela disse que é apaixonada por mim.
-Não acredito! A patricinha se apaixonou pela rebelde da escola. - Falou em tom de zombaria
-Obrigada pelo “Rebelde”.
-Você entendeu. Agora eu vou encarnar nela até o fim do ano.
-Não, você na vai zoar ela com isso.
-E porque não?
-Você ia gostar que te zoassem porque você gosta de alguém?
-Não, mas ela é diferente, ela é a Fernanda! - Disse como se isso explicasse algo.
-E daí?
-Ela é a menina que você implica desde que chegou na escola.
-Eu sei, mas mesmo assim, eu não vou fazer com ela o que eu não gostaria que fizessem comigo.
-Tá vendo? Você gosta dela, assume isso de uma vez.
-Meu, pára com isso. Eu já falei que não.
-Tá então prova, espalha pra todo mundo, faz ela se sentir humilhada.
-Não.
-Viu? Você gosta dela.
-Pensa o que você quiser, mas eu não vou fazer isso.
-Você está muito diferente. - Ela criticou.
-Não, eu sempre fui assim. Eu não faço com os outros o que eu não quero que façam comigo.
-Meu, ela é a Fernanda, pára de proteger ela, agora mesmo você tava falando um monte pra ela.
-Era diferente. Olha, se você não quiser arranjar uma briga comigo é melhor você parar com isso. - Ameacei.
-Ta bom, não precisa ficar nervosa comigo. Mas e você a perdoou?
-Aham, a gente ta de boa, combinamos de parar com as implicâncias.
-To falando...
-Leandra!
-Tá, eu já parei.

Na hora da saída, quando estava saindo, Leandra me chamou:
-Rê, vamos no cinema hoje?
-Não vai dar. Eu vou lá na Fabiana.
-Fazer o que?
-Sei lá, eu vou lá.
-Você vai lá e não sabe nem o porquê? - Disse sem entender muito.
-Exato.
-Quer que eu vá junto?
-Não precisa, pode ir ao cinema. Eu vou lá.
-Você que sabe.
-Bom já vou indo, beijo.
-Tchau.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CAPITULO 10

-Vamos, Lê.
-Como foi lá dentro?
-Ele falou que acha que foi a Fabiana que matou minha mãe.
-Porque ele acha isso?
-Parece que ela mandava recados dizendo pra ele se afastar dela, senão faria ela mesma, nem que ela tivesse que matar pra conseguir isso.
-E você viu os recados?
-Não, ele jogou fora.
-E você acha o que a respeito de tudo isso?
-Não sei, minha cabeça está girando, to muito confusa, não sei o que pensar, to muito cansada, eu não preguei o olho a noite toda pra nada, isso só fica mais confuso a cada minuto.
-Vai pra casa descansar.
-Acho meio difícil.
-Por quê?
-Minha cabeça está a mil, to cansada, mas não consigo relaxar.
 
Quando chegamos à casa da minha madrinha:
-Entra ai. Vamos subir lá pro meu quarto. - Chamei.
-Sua madrinha não está?
-Não, ela está trabalhando.
-O que você está achando de tudo isso?
-Parece que eu to num filme... De terror.
-Que exagero! No máximo policial. Você vai na escola amanhã? - Ela tentou descontrair.
-Vou, amanhã tem prova, que alias eu não estudei nada.
-Nem me fala, eu também não. - Ela disse se sentando na cama - Vem cá, tenta descansar um pouco, deita aqui no meu colo.
Atendendo ao pedido dela, deitei no colo dela. Ela começou a fazer carinho na minha cabeça.
 -Tenta dormir, você está precisando.
 Ela me fez carinho, estava tão bom, tão reconfortante e não demorou muito para eu dormir.

Quando foi no outro dia, acordei com o despertador e percebi que já era de manhã:
-Nossa, peguei no sono. - Exclamei vendo a hora.
Desci as escadas, minha madrinha já estava na cozinha.
-Bom dia, madrinha.
-Olá, achei que não fosse acordar pra ir à escola.
-Bem que eu queria, mas hoje tem prova.
-Estudou?
-Pra ser sincera não, eu tive que resolver uns problemas.
-Que tipo de problemas?
-Nada não, deixa pra lá.
-Aquela que é a Fernanda?
-Que?
-A menina que saiu do seu quarto ontem, ela que é a Fernanda?
-Não ela é a Leandra, ela é só minha amiga.
-Saindo do seu quarto àquela hora da noite?
-Ela foi embora que horas?
-Você não sabe? - Perguntou, desconfiada.
-Não, eu peguei no sono.
-Sei, e vocês são só amigas? - Perguntou debochando.
-É. Eu tava cansada, ai eu peguei no sono conversando com ela. Mas que horas ela saiu?
-Umas nove e meia.
-Hum... Bom, madrinha eu vou indo, senão eu vou me atrasar.
-Vai lá. Boa aula.
-Obrigada. Tchau.
 
Quando cheguei na escola, fui falar com a Leandra:
-Oi Lê, foi mal por ontem.
-Relaxa, você tava cansada. Descansou?
-Aham, to bem mais relaxada. Também com aquele cafuné...
-É, minhas mãos são mágicas.
-É eu já tenho certa intimidade com elas.
Ela deu risada.
Nesse momento eu vi a Fernanda e comecei a observá-la.
-Está olhando pra onde Rê?
Se virando pra tentar descobrir pra onde eu estava olhando.
-Ah já sei, está olhando a Fernanda.
-Me erra.
-Gente, eu vou dar uma festa só pra convidados.
-É gente é só pra mauricinhos e patricinhas, qualquer um que tenha alguma coisa útil na cabeça está terminantemente proibido de ir. - Eu zombei.
-Nossa não dá pra ser mais criativa? - Ela disse de mau humor
-Não, você não é uma boa fonte de inspiração. - Retruquei.
-Não foi o que pareceu naquela noite. - Disse, me provocando.
-Acorda, eu tava bêbada. - Tentei disfarçar.
-Engraçado, você não tinha gosto de uma gota de álcool, na verdade tinha gosto de Coca-Cola. - Disse fazendo cara de pensativa.
-Nossa, que memória! Você deve ter gostado mesmo pra lembrar de tantos detalhes...
-Não, porque ao contrario do que você pensa, eu não sou tão burra assim.
-É verdade, por isso você gostou do que aconteceu entre a gente.
-Na verdade, eu já tive melhores.
-Ah é?
-Anham, muito melhores.
-Olha, o jeito que você gritava aquela noite não foi o que pareceu. Só não vou te imitar porque o horário não permite.
-Mas quem foi que deu em cima?
-Fui eu. Porque eu percebi que você tava morrendo de vontade de ficar comigo, então eu resolvi fazer uma boa ação, pelo que você demonstrou, foi uma ótima ação.
-Pena que você só seja boa na cama, mas no resto é uma idiota.
-Fazer o que nem tudo é perfeito.
 Ela se aproximou de mim, e disse:
-Por que você age feito idiota sempre?
-Já disse pra você não abrir a boca pra falar alguma coisa de mim. Você não sabe nada da minha vida pra falar alguma coisa.
-Olha gente a orfãzinha está estressadinha!!
Fiquei furiosa, me seguei pra não avançar nela.
 -Olha aqui paty idiota, você pensa um trilhão de vezes antes de se referir a mim desse jeito. Você quer falar de família? Vamos falar de família: Eu sou órfã sim, perdi minha mãe quando eu não tinha nem sete anos, infelizmente. Agora, você cala essa boca pra falar disso porque você não sabe como é crescer sem uma mãe, você não sabe como é conviver com um pai alcoólatra, você não sabe como é viver sem saber o que aconteceu na sua família, você não sabe o que é ser eu, você não sabe de nada, então cala a sua boca antes de pensar em falar alguma coisa da minha vida particular. Por que, pra você, tudo sempre esteve ao alcance das suas mãos, você pensava já estava tudo lá, você teve a sorte de crescer com sua família junta unida, sempre que você chorava tinha alguém pra ver o que aconteceu, sempre que eu chorava meu pai me mandava calar a boca porque tava atrapalhando programa de TV, quando você se machucava, tinha alguém pra cuidar de você, sempre que eu me machucava, tinha que aguentar a dor calada, pois se eu falasse um “A” ia ser chamada de fraca. Sempre que você ia mal na escola seus pais sentavam e conversavam com você, sempre que eu ia mal na escola eu levava um coro do meu pai, que só se preocupava se ia ter bebida quando ele chegasse em casa. Ou seja, você sempre teve uma vida ótima, então cala essa sua boca antes de falar de mim, porque isso não é nem um terço do que minha vida foi nesses onze anos que minha mãe não esteve comigo. Alias você quer falar mal da minha vida? Agora você já sabe o suficiente pra falar mal de mim um bom tempo. Satisfeita? Agora por favor, você pode me deixar em paz?
Eu disse isso e me virei, e fui pra sala, estava muito nervosa, não queria ficar mais naquele lugar, minha vontade foi de sumir, esquecer de tudo, apagar todos os problemas, mas isso não era possível. Entrei na sala e me sentei, logo em seguida veio a Lê ver como eu estava.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CAPITULO 9

-Quem gostaria?
-Ela não me conhece, eu sou filha de uma amiga dela, meu nome é Renata.
-Tá, só um minuto, que eu vou chamar ela.
Quando a menina se virou para chamar a Fabiana, eu abri um imenso sorriso.
Uma mulher alta, olhos e cabelos castanhos, muito bonita pra idade que ela devia ter, saiu à porta, quando me viu hesitou um pouco.
-Oi, você quer falar comigo? - Perguntou, insegura.
-Fabiana? - Meu coração na boca.
-Isso. Mas quem é você? - Perguntou hesitante.
-Meu nome é Renata, filha da Márcia, essa é minha amiga, Leandra. Eu posso falar com você?
-Renata? Entra. Você... Você está muito parecida com a sua mãe, nossa. Mas porque você veio até mim? Como me achou? - Ela perguntou sem saber muito bem o que estava acontecendo, ou sem acreditar muito.
-Eu estava lendo o diário da minha mãe, e... E ela falava muito de você.
 Ela olhou para a tal menina que abriu a porta e disse:
 -Filha, deixa a gente conversar em particular?
-Tá bom, vou estar no meu quarto, qualquer coisa me chama. - Se virou e subiu a escada, desaparecendo de vista.
-Então, em que eu posso te ajudar?
-Como eu disse, ontem encontrei o diário da minha mãe, e fiquei sabendo que você e minha mãe se... Se gostavam, isso é verdade?
-Aqui em casa ninguém sabe disso. - Ela disse olhando pra escada para ver ser a filha não estava escutando.
-Então é verdade?
-É, mas sua mãe era casada, então ela decidiu se separar do seu pai pra ficar comigo.
-E o que aconteceu?
-Sua mãe um dia me chamou e disse que ia se separar pra ficar comigo, já estava tudo combinado, ela ia se separar ia pegar você e vir morar comigo. Mas antes que isso acontecesse, mataram ela.
-Mas ficou concluído que ela cometeu suicídio, não é?
-É, mas isso nunca me convenceu.
-Então você acha que alguém a matou?
-Acho não, tenho certeza. Ela amava demais a vida, amava demais você, para fazer uma coisa dessas.
-Você que conviveu com ela, ela falava se alguém a ameaçava?
-Quando você descobriu que sua mãe era homossexual?
-Ontem, meu pai me expulsou de casa por eu ser homossexual e quando eu fui pegar minhas coisas, eu achei o diário dela e li, ai hoje eu vim aqui.
-Então quer dizer que seu pai te expulsou?
-Pode-se dizer que sim. Você acha que foi meu pai a matou?
-Pra ser sincera eu acredito que sim, ela me falou várias vezes que o Edgard a ameaçava. Mas eu não posso acusá-lo, a única coisa que eu tenho certeza é que ela não se matou.
-Mas no diário ela dizia que ele a amava muito.
-Ela também me dizia isso. Mas eu fiquei tão abalada com a morte dela, que nem sei quem foi o assassino dela.
-Aquela moça é sua filha?
-É, depois de um ano, mais ou menos, eu conheci o pai da Isa, ela nasceu, mas na verdade, nunca esqueci a sua mãe. Depois dela, não consegui me apaixonar por mais ninguém. Nunca me recuperei da sua perda, nos primeiros anos eu tive até que fazer terapia.
-Pelo que eu li, vocês eram muito... Apaixonadas. – Era estranho dizer isso.
-Eu nunca gostei de ninguém além de sua mãe, ela era única.
-Você era amante da minha mãe?
-Não, ela disse que queria se separar do seu pai primeiro pra não ter peso na consciência, e estava certa, e eu estava disposta a esperá-la.
-Eu preciso da sua ajuda.
-Pra que?
-Eu quero descobrir o assassino da minha mãe, mas eu não sei nada dela.
-Se é pra encontrar o assassino dela eu ajudo, mas como você pretende fazer isso?
-Obrigada. Não sei, to pensando ainda. Mas então você acha mesmo que foi o meu pai que a matou?
-Como eu disse, sim. Ele até onde eu sei era o único que se opunha ao nosso relacionamento.
-Eu vou falar com ele.
-Rê, você está louca? - A Leandra falou, pela primeira vez, desde que chegamos.
-Lê, você tem uma idéia melhor? É o único jeito de saber mais alguma coisa.
-Eu vou com você.
-Lê, é melhor eu ir sozinha.
-Ela está certa, é melhor ela ir sozinha mesmo, ela é filha, vai ser mais fácil dele falar alguma coisa. - A Fabiana me apoiou.
-Tá, eu não vou entrar, mas vou ficar do lado de fora, te esperando.
-Tá, mas eu vou entrar sozinha. Então é melhor a gente ir andando. Obrigada por ter recebido a gente.
-Não tem nada, sempre que precisar agora você sabe onde me achar. Anota meu telefone, fica mais fácil da gente se falar.
-Tá me passa.
-Então, qualquer coisa me procura.
-Tchau, obrigada por tudo, qualquer novidade eu te aviso.
 
Enquanto estávamos indo em direção à casa do meu pai, fomos conversando.
-Rê, o que você achou dela? – Ela me perguntou
-Eu acho que a gente pode confiar nela, se minha mãe confiava, ela deve ser de confiança. – Respondi
-Espero que você esteja certa.
-Por quê? Você não achou ela de confiança? – Perguntei
-Não é isso, é que é um assunto muito delicado, e quero muito que você descubra o que aconteceu com sua mãe, espero que ela possa ajudar.
-Obrigada pela sua amizade, está sendo muito importante. Tão pouco tempo e você já ta me ajudando tanto, nem sei como agradecer.
-Está sendo muito mais pra mim.
-Por quê?
-Por que é muito bom poder ajudar uma amiga. – Disse sorrindo.
Quando estávamos em frente à casa do meu pai, eu falei para a Leandra:
-Bom, agora eu vou lá. Espero que consiga alguma coisa.
-Qualquer coisa eu vou estar aqui fora, me chama que eu vou ver o que está acontecendo.
-Pode deixar. Obrigada
 Eu toquei a campainha, meu pai abriu a porta, surpreso em me ver.
-O que você faz aqui? Veio pedir abrigo? - Debochou.
-Preciso falar com você, sobre minha mãe. - Avisei.
-Entra. - Disse, surpreso. - O que você quer saber?
-Sobre a morte dela.
-E porque se interessou por isso agora?
-Porque, eu descobri que quando ela morreu, estava pra se separar de você.
-Você já sabe tudo pelo visto.
-Sei que foi dito que foi suicídio, mas eu não acredito que foi isso o que aconteceu.
-Você acha o que?
-Que ela foi assassinada.
-E você acha que foi eu?
-Ela ia te trocar por uma mulher, e você não podia aceitar isso.
-Você não sabe o que está falando.
-Então porque você pediu pra minha madrinha me levar pra sair? Porque estava planejando alguma coisa.
-É, eu tava sim. Eu e sua mãe estávamos passando por problemas, então eu resolvi ter uma conversa com ela, pra tentar fazê-la mudar de idéia, mas quando eu cheguei a vi morta no quarto, com sangue na mão e uma faca na cabeça. Eu também não acredito que tenha sido suicídio, mas foi o que a policia disse.
-E porque você não foi atrás pra saber o que realmente aconteceu?
-Ir atrás do que? Eu não tinha nenhuma prova, não tinha nada, só você, que eu precisava criar.
-Você conhecia a mulher pela qual minha mãe ia te deixar?
-Conheço, ela e sua mãe faziam academia juntas, e ela sempre vinha aqui visitar sua mãe, até que ela levou sua mãe pra esse caminho.
-E porque quando você descobriu que eu sou homossexual disse que minha mãe ia ter vergonha de mim, etc.?
-Porque eu não acredito que ela ia me deixar pra ficar com a Fabiana, e pra mim é muito humilhante saber que ia ser trocado por uma mulher. A única coisa que eu posso dizer é que não matei sua mãe, não faria isso com a mulher mais importante da minha vida.
-Então quem pode ter feito isso com ela?
-Pra mim foi essa amante da sua mãe.
-Por quê?
-Porque ela ficava insistindo, ficava em cima, ela chegou a me mandar recados pra me afastar da Márcia, mas eu não dava ouvidos.
-Recados? Que tipo de recados?
-Dizia que era pra eu me afastar, senão ela ia ela mesma separar a gente, nem que para isso ela precisasse matar.
-E onde estão esses bilhetes?
-Eu joguei fora, não dava ouvidos a ela.
-E porque não guardou para mostrar pra mostra a policia?
-Porque eu não podia imaginar que fosse acontecer aquilo à sua mãe. Aonde você vai? - Perguntou, quando me viu sair andando.
-Já ouvi o suficiente, vou embora.
-Onde você está morando?
-Isso não é mais da sua conta.
-Mas você é minha filha.
-Mas você não é mais meu pai.
 Eu disse isso indo em direção à porta, e sai.