-Lê, já volto.
-Vai onde? Você não ia pra casa?
-Eu vou, só preciso de um minuto.
-Ta bom.
Fui falar com ela, que estava do outro lado da rua.
-O que você está fazendo aqui?
-Vim fala com você.
-1º: Como você me achou? 2º: A gente não tem mais nada pra conversar!
-Fui até sua casa e seu pai me contou que vocês brigaram e que saiu de casa, então pedi pra ele o endereço da sua escola.
-Não devia ter vindo.
-Você ainda está muito magoada, né?
-Olha, fala logo o que você veio me dizer e vai embora, tá legal?
-Quem aquela menina que não pára de olhar pra gente? Alguma namoradinha nova?
-Isso não é da sua conta. Não mais!
-Eu já falei o que aconteceu, e já expliquei. Droga.
-Ah e você acha que é simples assim? Você me trai e vem me pedir perdão e eu aceito dizendo que te amo?
-Já te falei que não te traí, já falei que é você quem eu amo!
-Não sei nada disso. O que eu sei é que eu te peguei na cama com outra. Se isso é amor, então já não sei mais nada...
-Rê, você...
-Pra você agora é Renata, Flávia. E dá licença que eu tenho mais o que fazer. Ah e, por favor, me esquece e some da minha vida. - E dei as costas.
Voltei pra perto da Lê.
-Vamos embora Lê, meu dia já deu o que tinha que dar!
-Beleza, mas quem é aquela menina? Porque ficou tão nervosa por causa dela?
-Ela é minha ex. Agora sem comentários nem perguntas ta?
-Ok, não ta mais aqui quem perguntou.
-Obrigada.
-Você ainda ta a fim de ir ao cinema?
-Agora mais que nunca!
Passei o dia com a Lê, quando já estava escurecendo voltei pra casa, minha madrinha não estava, tinha deixado um recado avisando que iria chegar mais tarde. Subi e fui direto para o quarto. Fui ler algum livro pra matar o tempo. Quando de repente a campainha tocou, fui atender.
-Ah não, o que você ta fazendo aqui?
-Vim conversar com você.
-Como você soube onde eu estava? Ah não espera, já sei, meu pai te deu o endereço, certo?
-Certo!
-Sabia...
-Vai me deixar esperando aqui fora ou vai me chamar pra entrar?
-Devia te deixar bem ai, e fechar a porta...
-Mas não vai, porque não é uma menina mal-educada! - Ela me interrompeu.
-Entra logo.
-Agora sim. - Disse, satisfeita.
-Fala logo o que você tem pra me dizer e vai embora, ta legal?
-Rê, quantas vezes eu vou ter que dizer que aquilo foi armação? Que eu não fiz nada? Que ela me embebedou?
-Nenhuma. Você quem ta dizendo. Já disse que não acredito, e mesmo que fosse armação, te avisei um bilhão de vezes que aquela menina não prestava, mas VOCÊ não acreditou.
-É. Você estava certa. Mas eu errei, caramba, todo mundo erra. Me dá uma chance de mostrar o que eu sinto.
-Já te dei, e você jogou ela no lixo.
-Rê, eu nunca deixei de te amar. Acredita em mim, droga.
-Cara, eu já acreditei em você, alias você foi à única em quem confiei. E você sabe disso perfeitamente. Meu eu me entreguei pra você completamente, mas que importância isso tem, não é mesmo?
-Tem muita, eu sempre valorizei isso. Meu, te juro que aquilo foi armação. Eu jamais te trairia, principalmente com ela. Ta certo, eu errei, devia ter te escutado, mas será que não mereço um perdão?
-Você tem noção do quanto eu fiquei arrasada?
-E eu? Você acha que eu fiquei muito feliz vendo você ir embora, né?
-Não sei o que pensar.
-Você ainda sente alguma coisa por mim?
-Cara você me machucou demais!
-Não foi essa minha pergunta. Você ainda gosta de mim?
-Pára com isso. Acho melhor você ir embora agora.
-Acha mesmo?
Ela disse isso e veio me beijar, virei o rosto, mas ela insistiu até que conseguiu. Não resisti. Mas eu não podia. Ela só me machucou, mas não conseguia parar.
Aquela boca, aquele beijo, o toque dela, tudo me fazia sentir aquela paixão novamente, a mesma paixão que me cegou e deixou marcas que não se apagaram.
-Vamos pro seu quarto, alguém pode chegar.
-Vem. - Disse sem pensar.
Puxei-a pela mão, mas ela não queria só a mão, veio me beijar, subimos as escadas nos beijando. Chegamos ao meu quarto, tirou a blusa e abriu a calça. Eu também tirei minha blusa e abri minha calça, quando ia tirar minha calça ela me parou e me deitou na cama, subindo encima de mim. Começou a me beijar, se mexendo no meio das minhas pernas, com uma mão começou a apertar meu seio. Ela se levantou e tirou o resto da sua roupa, em seguida tirou a minha, e voltou na mesma posição de antes, me deixando ainda mais excitada, ela correu a mão pelo meu corpo, até chegar entre as minhas pernas, começou a me acariciar bem de vagar, de um jeito que só ela sabe fazer, mas parou de me beijar e foi descendo a boca pelo meu colo, chegando nos meus seios começou a brincar com meu piercing, foi descendo ainda mais passando pela minha barriga, foi descendo até chegar na minha virilha. Começou a dar pequenos beijos na minha virilha, e foi indo, devagar, em direção ao meu piercing, passou a língua bem delicadamente em volta dele, começou a explorar com a língua cada canto mais escondido, então começou a me chupar, chupando de um jeito que me deixava imóvel. Enquanto chupava, ela passava os dedos em volta me excitando, então começou a colocar um dedo bem de vagar e tirar. Cada movimento que ela fazia me deixava com mais vontade dela, mais desejo. Foi subindo a boca, passeando pelo meu corpo, até que chegou na minha boca, e me deu um beijo, onde parecia que todo resto ia sumir. A mão dela continuou me masturbando, minha mão foi descendo pelo corpo dela, até chegar onde queria, comecei a acariciá-la e a penetrar meu dedo, sentindo ela úmida de desejo, ouvindo ela gemer baixinho no meu ouvido. Ela se levantou e disse:
-Vamos tenta uma coisa.
Ela encaixou nossas pernas de um jeito que nossos sexos se encontravam. Passando o dedo devagar no meu piercing, aninhando o sexo dela ao meu. Quando ela chegou na posição que queria, começou a se mexer, me deixando cada vez mais excitada. E ficamos nisso por algum tempo.
Quando já estávamos cansadas, ela se deitou ao meu lado na cama pequena, me abraçando e beijando minha nuca. Não dissemos uma palavra, ficamos naquela posição por um longo momento, momento que, involuntariamente, eu não queria que passasse. Mas eu não podia aceitar ela de volta, não com tudo o que ela fez e com tudo que estava acontecendo. Até que ela rompeu o silencio e disse:
-Senti falta de você, falta do seu cheiro, não quero mais me separar de você...
-Acho melhor isso parar por aqui.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
CAPITULO 14
Voltei para casa e, quando minha madrinha chegou, resolvi ir falar com ela sobre o que o meu pai me falou.
-Oi, tudo bem?
-Tudo, madrinha a gente pode conversar?
-Podemos sim, sobre o que? Aconteceu alguma coisa?
-Tipo, hoje meu pai me ligou e pediu para nos encontrar-mos, eu fui e no meio da conversa ele soltou que você também gosta de mulher. É verdade?
-É. Eu não sabia se devia contar então fiquei na minha. - Ela ficou extremamente sem graça.
-Desculpa me intrometer, é que eu fiquei curiosa, não sabia, por isso eu perguntei. - Também fiquei sem graça.
-Não, tudo bem.
-Eu posso fazer uma pergunta?
-Pode. O que é?
-Você era apaixonada pela minha mãe?
-Que? - Ela ficou surpresa com minha pergunta.
-Meu pai falou que achava que você era apaixonada por ela.
-Não, sua mãe sempre foi minha amiga, uma das melhores, era muito especial. É que seu pai nunca gostou de mim porque eu sou lésbica, essa é a verdade.
-E porque ele acharia que você era apaixonada por ela?
-Como já disse eu e sua mãe éramos muito amigas, muito mesmo, gente dormíamos na casa uma da outra nos tempos de colégio, nos trocávamos uma na frente da outra, já chegamos a tomar banho juntas, mas tudo na inocência, ela era como uma irmã. Ele deve ter confundido tudo.
-Mas era só amizade, mesmo?
-Lógico, eu e sua mãe éramos SÓ amigas. Eu a conheci na escola.
-Então você conheceu a Fabiana?
-A Fabi? Claro, éramos super amigas, inseparáveis. E cá entre nós, a Fabi, sim sempre foi afim da sua mãe.
-Ela me falou isso também.
-Falou? Você conhece ela? Como?
-É, então eu conheço, tipo quando eu li o diário da minha mãe...
-Você leu o diário da sua mãe?
-É.
-E ela tinha um? - Perguntou com uma cara estranha, não entendi aquele olhar.
-Tinha. Você não sabia?
-Não. Mas como você conheceu ela?
-Então eu li sobre ela no diário, e fui procurá-la, pra saber se ela sabia alguma coisa da morte da minha mãe.
-Mas foi dito que ela se matou.
-Mas eu não acredito nisso, nem ela, nem meu pai.
-E vocês acreditam em que?
-Que ela foi assassinada, ela não faria isso, tinha muitos planos, os dois acharam o mesmo.
-Vai ver todos esses problemas da separação, que estava passando, deve ter deixado ela confusa, sei lá.
-Não eu não acredito nisso, eu li o diário dela todo daquele ano, parecia estar feliz apesar dos problemas com meu pai, não parecia em nenhum momento estar confusa.
A campainha tocou e minha madrinha foi ver quem era.
-Oi, por favor, a Renata está? - Ouvi de longe.
-Está sim, você é a...?
-Fernanda.
-Oi, tudo bem?
-Tudo, madrinha a gente pode conversar?
-Podemos sim, sobre o que? Aconteceu alguma coisa?
-Tipo, hoje meu pai me ligou e pediu para nos encontrar-mos, eu fui e no meio da conversa ele soltou que você também gosta de mulher. É verdade?
-É. Eu não sabia se devia contar então fiquei na minha. - Ela ficou extremamente sem graça.
-Desculpa me intrometer, é que eu fiquei curiosa, não sabia, por isso eu perguntei. - Também fiquei sem graça.
-Não, tudo bem.
-Eu posso fazer uma pergunta?
-Pode. O que é?
-Você era apaixonada pela minha mãe?
-Que? - Ela ficou surpresa com minha pergunta.
-Meu pai falou que achava que você era apaixonada por ela.
-Não, sua mãe sempre foi minha amiga, uma das melhores, era muito especial. É que seu pai nunca gostou de mim porque eu sou lésbica, essa é a verdade.
-E porque ele acharia que você era apaixonada por ela?
-Como já disse eu e sua mãe éramos muito amigas, muito mesmo, gente dormíamos na casa uma da outra nos tempos de colégio, nos trocávamos uma na frente da outra, já chegamos a tomar banho juntas, mas tudo na inocência, ela era como uma irmã. Ele deve ter confundido tudo.
-Mas era só amizade, mesmo?
-Lógico, eu e sua mãe éramos SÓ amigas. Eu a conheci na escola.
-Então você conheceu a Fabiana?
-A Fabi? Claro, éramos super amigas, inseparáveis. E cá entre nós, a Fabi, sim sempre foi afim da sua mãe.
-Ela me falou isso também.
-Falou? Você conhece ela? Como?
-É, então eu conheço, tipo quando eu li o diário da minha mãe...
-Você leu o diário da sua mãe?
-É.
-E ela tinha um? - Perguntou com uma cara estranha, não entendi aquele olhar.
-Tinha. Você não sabia?
-Não. Mas como você conheceu ela?
-Então eu li sobre ela no diário, e fui procurá-la, pra saber se ela sabia alguma coisa da morte da minha mãe.
-Mas foi dito que ela se matou.
-Mas eu não acredito nisso, nem ela, nem meu pai.
-E vocês acreditam em que?
-Que ela foi assassinada, ela não faria isso, tinha muitos planos, os dois acharam o mesmo.
-Vai ver todos esses problemas da separação, que estava passando, deve ter deixado ela confusa, sei lá.
-Não eu não acredito nisso, eu li o diário dela todo daquele ano, parecia estar feliz apesar dos problemas com meu pai, não parecia em nenhum momento estar confusa.
A campainha tocou e minha madrinha foi ver quem era.
-Oi, por favor, a Renata está? - Ouvi de longe.
-Está sim, você é a...?
-Fernanda.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
CAPITULO 13
Chegando no refeitório, eu fui falar com a Leandra.
-Leandra, você pode me explicar o que está acontecendo aqui?
-Renata?
-Eu mandei você não fazer piada com isso, não mandei?
-Rê, ela é a Fernanda, pára com isso.
-Não, não paro. Droga, por que você fez isso?
-Meu você vai defender ela na frente de todo mundo?
-Vou, porque ela que está com a razão. Caramba, que te deu? Você começou com umas besteiras de repente, por que isso agora?
-Meu você é cega ou o que? Ela está armando pra cima de você.
-Que seja, a questão aqui não é essa, a questão aqui é que eu pedi uma coisa pra você e você fez o oposto. Eu te pedi isso em confiança.
-Eu já sei Renata. - Disse a Fernanda de repente.
-Já sabe o que? - Perguntei, sem entender.
-A Leandra é apaixonada por você, não é Leandra? - Quando a Fernanda disse isso fiquei em choque, não esperava isso.
-Do que você está falando, garota?
-Claro, tava tão óbvio. Não acredito que você nunca percebeu, Renata.
-Pára de falar besteira, menina.
-Isso é verdade, Leandra? - Perguntei.
Ela ficou calada, e me olhou sem saber o que dizer.
-É por isso que você está estranha, Leandra? - Insisti.
-Demorou pra você perceber, hein? - Ela disse, revoltada.
-Demorei por que eu não imaginava que você gostasse de mim. Porque nunca falou nada?
-Pra que? Pra levar um fora seu? Não, muito obrigada.
-De qualquer forma você tinha que ter vindo falar comigo.
O sinal tocou, ela se virou e foi pra sala. Sem falar nada eu fui também.
Na hora do intervalo eu fui falar com ela.
-Leandra, não sai ainda. Preciso falar com você.
-Que foi? Veio me dar um fora definitivo? Não precisa.
-Porque você nunca me falou nada?
-Porque eu sabia que ia levar um fora, você gosta é da Fernanda, meu pára de negar, está escrito na sua testa que você gosta.
-Porque fez isso com ela hoje?
-Porque eu não consigo suportar ver ela saindo por cima sempre, não podia aceitar que você a protegesse por causa dessa paixão, não podia permitir que vocês acabassem juntas, eu tinha que fazer alguma coisa, pra ela ficar com raiva de você, e assim te esquecer e você ficar só pra mim. Pelo visto isso não deu certo, né?
-Olha, eu não to te reconhecendo... Eu preciso pensar. Depois a gente se fala.
Eu saí da sala, e encontrei a Fernanda no final do corredor.
-Ah, oi, olha desculpa pelo que a Leandra fez hoje, eu tinha pedido pra ela não fazer piadinhas, mas...
-Mas ela é afim de você e ficou com ciúmes. - Ela completou.
-Você pega as coisas rápido. - Elogiei.
-Mas na verdade eu é que tenho que pedir desculpas, te acusei sem ter provas e estava errada, desculpa. - Disse, sem graça.
-Relaxa, era natural que você me acusasse, só eu sabia, então não se preocupa com isso.
-Eu fui até a sua sala, mas você tava falando com a Leandra, então não quis atrapalhar. E eu acabei escutando um pedaço da conversa.
-Ah é?
“Ih agora fudeu!” Foi isso que passou na minha cabeça na hora.
-E o que você escutou? - Perguntei com medo da resposta.
-A parte que ela falou que você gosta de mim, isso é verdade? - Era o que eu temia!
-Sabe, eu to com tanto problema, que eu nem to pensando nisso agora.
-Ah, desculpa, é que eu fiquei curiosa, eu não devia ter escutado a conversa entre vocês. – Nos duas estávamos sem graça.
-Não, me desculpa você, por não poder te dar a resposta que você quer escutar.
Meu celular começou a tocar, alguém havia me mandado mensagem. Era da Leandra.
“Desculpa por tudo, acho melhor nos afastarmos, pelo menos por um tempo”.
-Droga.
-Que foi?
-A Leandra quer se afastar de mim.
-Vocês eram muito amigas, né?
-Ela que mais me ajudou quando eu mais precisei.
-Será que eu posso ajudar?
-Duvido.
-Me fala, quem sabe eu possa te ajudar?
-Não sei se é uma boa idéia.
-Já entendi, você não quer falar, desculpa não queria me intrometer.
-Não, é que eu não queira falar, é que é um assunto muito sério, e não quero te envolver.
-Bom, quando você se sentir segura pra falar, pode vir falar comigo.
-Obrigada, mas acho que esse é um assunto que eu tenho que resolver sozinha.
Na hora da saída, enquanto estava indo para casa meu celular tocou, era meu pai:
-Alô? Pai?
-Filha?
-Aconteceu alguma coisa?
-Tô ligando pra saber como você está? - Isso foi estranho!
-Ah eu to bem, e você?
-Bem, será que a gente pode se encontrar?
-Por quê? O que aconteceu?
-Nada, só queria te encontrar, pode ser?
-Pode, onde?
-Na frente do cinema, umas três horas, o que você acha?
-Ótimo, eu vou estar lá.
-Então até daqui a pouco.
-Até.
-Beijo.
-Tchau.
No horário combinado eu fui encontrar meu pai.
-Oi.
-Como você está filha?
-Indo.
-Algum problema?
-Alguns.
-E eu posso ajudar em alguma coisa?
-Na verdade não.
-Mas se eu puder fazer alguma coisa, estou aqui. - Isso foi mais estranho ainda.
-Tá, valeu.
-Mas então, como está a sua vida fora de casa?
-Tranquila.
-Vamos pra aquela lanchonete, ali.
-Ta bom.
-Filha agora que a gente está de cabeça mais fria, você não prefere voltar pra casa? Afinal lá é a sua casa, é só você parar com essa história.
-Se você está se referindo à minha homossexualidade, é melhor nem continuar, que vai ser pior.
-Mas então você está morando aonde?
-Na casa da minha madrinha.
-O que? É claro que você não vai parar com essa besteira.
-Do que você está falando?
-Que é óbvio que você morando lá, vai demorar pra passar essa besteira de ficar com garotas.
-O que uma coisa tem a ver com a outra?
-Sua madrinha, porque você acha que eu nunca fui com a cara dela?
-Eu é que vou saber?
-É melhor deixar pra lá.
-Calma ai. Você está querendo dizer que minha madrinha gosta de mulher também?
-Ela nunca te falou isso?
-Não. Mas calma ai, se você não gosta dela, porque chamaram ela pra ser minha madrinha?
-Porque sua mãe era muito amiga dela, então não pude recusar esse pedido, eu fazia qualquer coisa pra eu ver sua mãe feliz.
-Eu não sabia da minha madrinha.
-Porque você foi morar lá?
-Porque desde sempre ela me apoiou, então lá foi o único lugar que eu pensei.
-Volta pra casa, vamos continuar como era antes.
-Não, por que eu não vou mudar, e a gente vai continuar discutindo.
-Bom, quando você volta se quiser, as portas de casa estarão abertas.
-Ta, obrigada. Mas sua raiva dela é só por ela ser lésbica?
-Pra ser sincero, não é isso não. Ela e sua mãe eram muito amigas, e sempre achei que a Cátia era apaixonada pela sua mãe, mas sua mãe falava que era coisa da minha cabeça, mas nunca acreditei muito não.
-Você tem certeza?
-Que ela era apaixonada pela sua mãe?
-É.
-Certeza eu não tenho, mas eu sempre achei que a Cátia era apaixonada por ela, da parte da sua mãe eu não acredito que tenha sido recíproco.
-Qual foi a sua reação quando descobriu que minha mãe queria se separar?
-Na verdade, e fiquei mal, cheguei até falar besteira, mas eu amava sua mãe demais, ela era tudo pra mim, tanto que na noite que ela morreu, eu tinha pedido pra sua madrinha sair com você pra eu tentar fazer as pazes com a ela, fazê-la mudar de idéia, mas quando eu cheguei lá ela já estava morta, eu queria morrer quando eu a vi daquele jeito.
-Minha mãe tinha alguma pessoa que não gostava dela?
-Até onde eu sei não, ela sempre foi uma pessoa bem querida por todos, era um amor de pessoa, a pessoa mais maravilhosa do mundo, ela era muito especial.
-Então porque você acha que alguém a mataria?
-Não sei, mas eu sei que ela não se matou, ela não faria isso.
-Pra mim essa história está muito mal contada.
-Pra mim também.
-Então porque você nunca foi atrás da verdade?
-Eu ia falar o que? “Ah ela não fez isso, porque ela jamais se mataria.”
-Sei lá, lutasse, fizesse qualquer coisa.
-Eu ia passar de bobo isso sim.
-Que passasse.
-Não é tão simples assim.
-Nunca é né pai? Quando se tem má vontade ou medo de alguma coisa sempre é mais difícil.
-Você não sabe do que você está falando. Não sabe o que sofri.
-E eu? Você acha que não sofri? Pra você é muito fácil se fazer de coitado, aliás, foi isso o que você fez a vida inteira, desde que minha mãe morreu, né?
-Do que você está falando? Eu nunca me fiz de coitado.
-Foi mais fácil se embebedar, do que encarar as coisas de frente, né?
-Você não sabe do que está falando.
-Sei, sei muito bem, porque eu que fui deixada de lado esses anos todos, tinha que ficar vendo você se embebedar e rezar pra que não cismasse de me bater, você não sabe como era horrível voltar pra casa com medo de apanhar de novo por causa da sua bebedeira. Mas você nunca se preocupou com isso, né? Estava ocupado demais se fazendo de coitadinho, nunca se preocupou com ninguém além de você mesmo, e quem se ferrou esses anos todos fui eu.
-Olha, eu sei que não estive presente em muitos momentos, mas nunca me fiz de “coitadinho”, como você diz.
-“Não esteve presente em muitos momentos”? Você nunca esteve presente em momento algum! Depois que minha mãe morreu, você mergulhou um mundo de amargura, que acabou esquecendo que ainda tava vivo, que ainda tinha a mim que dependia de você. Eu era só uma criança, eu tive que me criar sozinha porque com você, eu nunca pude contar pra nada, pra nada!
-Você não tem o direito de me julgar assim.
-Eu não estou te julgando, estou falando do inferno que foi minha vida nesses últimos anos, graças a você. Eu acho melhor ir embora, não deveria ter vindo. Quando você resolver enfrentar as coisas de frente, em vez de se esconder na bebida, acho que a gente vai poder conversar, mas até lá vou levando a minha vida e você leve a sua, mas não me procure, porque não quero fazer parte desse seu mundo onde só você é que importa, onde você é o centro de tudo, onde só você tem sentimentos. Tchau.
-Filha, espera, volta aqui.
-A gente não tem mais nada pra conversar enquanto você não resolver encarar as coisas de frente. Fui.
-Leandra, você pode me explicar o que está acontecendo aqui?
-Renata?
-Eu mandei você não fazer piada com isso, não mandei?
-Rê, ela é a Fernanda, pára com isso.
-Não, não paro. Droga, por que você fez isso?
-Meu você vai defender ela na frente de todo mundo?
-Vou, porque ela que está com a razão. Caramba, que te deu? Você começou com umas besteiras de repente, por que isso agora?
-Meu você é cega ou o que? Ela está armando pra cima de você.
-Que seja, a questão aqui não é essa, a questão aqui é que eu pedi uma coisa pra você e você fez o oposto. Eu te pedi isso em confiança.
-Eu já sei Renata. - Disse a Fernanda de repente.
-Já sabe o que? - Perguntei, sem entender.
-A Leandra é apaixonada por você, não é Leandra? - Quando a Fernanda disse isso fiquei em choque, não esperava isso.
-Do que você está falando, garota?
-Claro, tava tão óbvio. Não acredito que você nunca percebeu, Renata.
-Pára de falar besteira, menina.
-Isso é verdade, Leandra? - Perguntei.
Ela ficou calada, e me olhou sem saber o que dizer.
-É por isso que você está estranha, Leandra? - Insisti.
-Demorou pra você perceber, hein? - Ela disse, revoltada.
-Demorei por que eu não imaginava que você gostasse de mim. Porque nunca falou nada?
-Pra que? Pra levar um fora seu? Não, muito obrigada.
-De qualquer forma você tinha que ter vindo falar comigo.
O sinal tocou, ela se virou e foi pra sala. Sem falar nada eu fui também.
Na hora do intervalo eu fui falar com ela.
-Leandra, não sai ainda. Preciso falar com você.
-Que foi? Veio me dar um fora definitivo? Não precisa.
-Porque você nunca me falou nada?
-Porque eu sabia que ia levar um fora, você gosta é da Fernanda, meu pára de negar, está escrito na sua testa que você gosta.
-Porque fez isso com ela hoje?
-Porque eu não consigo suportar ver ela saindo por cima sempre, não podia aceitar que você a protegesse por causa dessa paixão, não podia permitir que vocês acabassem juntas, eu tinha que fazer alguma coisa, pra ela ficar com raiva de você, e assim te esquecer e você ficar só pra mim. Pelo visto isso não deu certo, né?
-Olha, eu não to te reconhecendo... Eu preciso pensar. Depois a gente se fala.
Eu saí da sala, e encontrei a Fernanda no final do corredor.
-Ah, oi, olha desculpa pelo que a Leandra fez hoje, eu tinha pedido pra ela não fazer piadinhas, mas...
-Mas ela é afim de você e ficou com ciúmes. - Ela completou.
-Você pega as coisas rápido. - Elogiei.
-Mas na verdade eu é que tenho que pedir desculpas, te acusei sem ter provas e estava errada, desculpa. - Disse, sem graça.
-Relaxa, era natural que você me acusasse, só eu sabia, então não se preocupa com isso.
-Eu fui até a sua sala, mas você tava falando com a Leandra, então não quis atrapalhar. E eu acabei escutando um pedaço da conversa.
-Ah é?
“Ih agora fudeu!” Foi isso que passou na minha cabeça na hora.
-E o que você escutou? - Perguntei com medo da resposta.
-A parte que ela falou que você gosta de mim, isso é verdade? - Era o que eu temia!
-Sabe, eu to com tanto problema, que eu nem to pensando nisso agora.
-Ah, desculpa, é que eu fiquei curiosa, eu não devia ter escutado a conversa entre vocês. – Nos duas estávamos sem graça.
-Não, me desculpa você, por não poder te dar a resposta que você quer escutar.
Meu celular começou a tocar, alguém havia me mandado mensagem. Era da Leandra.
“Desculpa por tudo, acho melhor nos afastarmos, pelo menos por um tempo”.
-Droga.
-Que foi?
-A Leandra quer se afastar de mim.
-Vocês eram muito amigas, né?
-Ela que mais me ajudou quando eu mais precisei.
-Será que eu posso ajudar?
-Duvido.
-Me fala, quem sabe eu possa te ajudar?
-Não sei se é uma boa idéia.
-Já entendi, você não quer falar, desculpa não queria me intrometer.
-Não, é que eu não queira falar, é que é um assunto muito sério, e não quero te envolver.
-Bom, quando você se sentir segura pra falar, pode vir falar comigo.
-Obrigada, mas acho que esse é um assunto que eu tenho que resolver sozinha.
Na hora da saída, enquanto estava indo para casa meu celular tocou, era meu pai:
-Alô? Pai?
-Filha?
-Aconteceu alguma coisa?
-Tô ligando pra saber como você está? - Isso foi estranho!
-Ah eu to bem, e você?
-Bem, será que a gente pode se encontrar?
-Por quê? O que aconteceu?
-Nada, só queria te encontrar, pode ser?
-Pode, onde?
-Na frente do cinema, umas três horas, o que você acha?
-Ótimo, eu vou estar lá.
-Então até daqui a pouco.
-Até.
-Beijo.
-Tchau.
No horário combinado eu fui encontrar meu pai.
-Oi.
-Como você está filha?
-Indo.
-Algum problema?
-Alguns.
-E eu posso ajudar em alguma coisa?
-Na verdade não.
-Mas se eu puder fazer alguma coisa, estou aqui. - Isso foi mais estranho ainda.
-Tá, valeu.
-Mas então, como está a sua vida fora de casa?
-Tranquila.
-Vamos pra aquela lanchonete, ali.
-Ta bom.
-Filha agora que a gente está de cabeça mais fria, você não prefere voltar pra casa? Afinal lá é a sua casa, é só você parar com essa história.
-Se você está se referindo à minha homossexualidade, é melhor nem continuar, que vai ser pior.
-Mas então você está morando aonde?
-Na casa da minha madrinha.
-O que? É claro que você não vai parar com essa besteira.
-Do que você está falando?
-Que é óbvio que você morando lá, vai demorar pra passar essa besteira de ficar com garotas.
-O que uma coisa tem a ver com a outra?
-Sua madrinha, porque você acha que eu nunca fui com a cara dela?
-Eu é que vou saber?
-É melhor deixar pra lá.
-Calma ai. Você está querendo dizer que minha madrinha gosta de mulher também?
-Ela nunca te falou isso?
-Não. Mas calma ai, se você não gosta dela, porque chamaram ela pra ser minha madrinha?
-Porque sua mãe era muito amiga dela, então não pude recusar esse pedido, eu fazia qualquer coisa pra eu ver sua mãe feliz.
-Eu não sabia da minha madrinha.
-Porque você foi morar lá?
-Porque desde sempre ela me apoiou, então lá foi o único lugar que eu pensei.
-Volta pra casa, vamos continuar como era antes.
-Não, por que eu não vou mudar, e a gente vai continuar discutindo.
-Bom, quando você volta se quiser, as portas de casa estarão abertas.
-Ta, obrigada. Mas sua raiva dela é só por ela ser lésbica?
-Pra ser sincero, não é isso não. Ela e sua mãe eram muito amigas, e sempre achei que a Cátia era apaixonada pela sua mãe, mas sua mãe falava que era coisa da minha cabeça, mas nunca acreditei muito não.
-Você tem certeza?
-Que ela era apaixonada pela sua mãe?
-É.
-Certeza eu não tenho, mas eu sempre achei que a Cátia era apaixonada por ela, da parte da sua mãe eu não acredito que tenha sido recíproco.
-Qual foi a sua reação quando descobriu que minha mãe queria se separar?
-Na verdade, e fiquei mal, cheguei até falar besteira, mas eu amava sua mãe demais, ela era tudo pra mim, tanto que na noite que ela morreu, eu tinha pedido pra sua madrinha sair com você pra eu tentar fazer as pazes com a ela, fazê-la mudar de idéia, mas quando eu cheguei lá ela já estava morta, eu queria morrer quando eu a vi daquele jeito.
-Minha mãe tinha alguma pessoa que não gostava dela?
-Até onde eu sei não, ela sempre foi uma pessoa bem querida por todos, era um amor de pessoa, a pessoa mais maravilhosa do mundo, ela era muito especial.
-Então porque você acha que alguém a mataria?
-Não sei, mas eu sei que ela não se matou, ela não faria isso.
-Pra mim essa história está muito mal contada.
-Pra mim também.
-Então porque você nunca foi atrás da verdade?
-Eu ia falar o que? “Ah ela não fez isso, porque ela jamais se mataria.”
-Sei lá, lutasse, fizesse qualquer coisa.
-Eu ia passar de bobo isso sim.
-Que passasse.
-Não é tão simples assim.
-Nunca é né pai? Quando se tem má vontade ou medo de alguma coisa sempre é mais difícil.
-Você não sabe do que você está falando. Não sabe o que sofri.
-E eu? Você acha que não sofri? Pra você é muito fácil se fazer de coitado, aliás, foi isso o que você fez a vida inteira, desde que minha mãe morreu, né?
-Do que você está falando? Eu nunca me fiz de coitado.
-Foi mais fácil se embebedar, do que encarar as coisas de frente, né?
-Você não sabe do que está falando.
-Sei, sei muito bem, porque eu que fui deixada de lado esses anos todos, tinha que ficar vendo você se embebedar e rezar pra que não cismasse de me bater, você não sabe como era horrível voltar pra casa com medo de apanhar de novo por causa da sua bebedeira. Mas você nunca se preocupou com isso, né? Estava ocupado demais se fazendo de coitadinho, nunca se preocupou com ninguém além de você mesmo, e quem se ferrou esses anos todos fui eu.
-Olha, eu sei que não estive presente em muitos momentos, mas nunca me fiz de “coitadinho”, como você diz.
-“Não esteve presente em muitos momentos”? Você nunca esteve presente em momento algum! Depois que minha mãe morreu, você mergulhou um mundo de amargura, que acabou esquecendo que ainda tava vivo, que ainda tinha a mim que dependia de você. Eu era só uma criança, eu tive que me criar sozinha porque com você, eu nunca pude contar pra nada, pra nada!
-Você não tem o direito de me julgar assim.
-Eu não estou te julgando, estou falando do inferno que foi minha vida nesses últimos anos, graças a você. Eu acho melhor ir embora, não deveria ter vindo. Quando você resolver enfrentar as coisas de frente, em vez de se esconder na bebida, acho que a gente vai poder conversar, mas até lá vou levando a minha vida e você leve a sua, mas não me procure, porque não quero fazer parte desse seu mundo onde só você é que importa, onde você é o centro de tudo, onde só você tem sentimentos. Tchau.
-Filha, espera, volta aqui.
-A gente não tem mais nada pra conversar enquanto você não resolver encarar as coisas de frente. Fui.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
CAPITULO 12
Quando eu cheguei à casa da Fabiana quem abriu a porta foi a filha dela.
-Oi, por favor, a sua mãe está?
-Tá só um minuto, é Renata né? - Perguntou confirmando.
-Isso.
-Espera aqui, vou chamar ela.
Não demorou a Fabiana veio até a porta.
-Oi, tudo bem? Entra.
-Eu estou precisando falar com você. Pode ser? - Perguntei apreensiva
-Sobre aquilo?
-É.
-Tá, Isa você pode subir? Eu preciso falar com ela.
-Tô indo, vou mexer no computador, tá?
-Tá bom, vai lá. Pronto, o que você quer saber?
-Porque você mandou recados pro meu pai?
-O que?
-É, o que tava escrito nesses bilhetes?
-Mas eu nunca mandei bilhete nenhum pro seu pai.
-Não foi o que ele disse.
-Mas eu to falando a verdade, eu nunca mandei nenhum bilhete pra ele.
-Ele me falou que você mandava recados, pra ele se afastar dela, alguns até ameaçando de morte.
-Imagina. Eu nunca mandei nenhum bilhete, principalmente ameaçando ele, eu jamais faria isso. Você viu esses bilhetes?
-Não. Ele disse que jogou fora.
-Então, como você pode acreditar que ele está falando a verdade?
-Você está querendo dizer que ele estava inventando?
-Olha, eu só sei que eu nunca mandei nenhum bilhete. Ele só pode ter inventado.
-Cara, não to entendendo mais nada.
-Desculpa, mas quanto a esses bilhetes, não posso falar nada, até porque não os escrevi.
-Tá, bom brigada, eu vou tentar ver isso. Minha mãe alguma vez falou se estava sendo ameaçada, sem ser pelo meu pai? Ou algo parecido?
-Não, pra mim ela não falou nada, só falou sobre o seu pai mesmo.
-Ela disse se tinha mais alguém apaixonado por ela?
-Pra mim não, mas é provável que houvesse outros apaixonados pela sua mãe, porque mesmo depois de ter sido mãe, ela continuava linda.
-Isso ajuda muito. Bom, acho que é só. Desculpa te incomodar.
-Que isso. Se você precisar de alguma informação ou alguma coisa e se eu puder ajudar eu te ajudo.
-Obrigada. Então, vou nessa.
-Renata, você quer ver umas fotos dela? - Perguntou amistosamente.
-Você tem alguma? - Perguntei animada.
-Ih um monte, vem eu te mostro, senta aí que eu já trago.
-Claro.
Ela subiu as escada e logo trouxe uma caixa, já envelhecida e gasta pelo tempo.
-Essa caixa está cheia de fotos dela.
-Sério?
-Aham, nós tirávamos muitas fotos, era nosso passa tempo preferido.
-Nossa. Eu não sabia que você tinha fotos dela.
-Fica vendo, eu vou pegar uns biscoitos pra gente, suco ou café?
-Suco, por favor.
Enquanto eu fiquei vendo as fotos, que eram muitas, ela foi pegar uns biscoitos, sem demorar muito.
-Olha, pega. - Disse oferecendo uns biscoitos de chocolate, e suco de uva.
-Obrigada.
-Olha essa foto, foi um dia que nós duas levamos você no parquinho, você não parava de correr de um lado pro outro.
-Pelo visto eu era bagunceira desde pequena.
-Muito! Nossa, sua mãe ficava louca de preocupação, você vivia machucada. - Disse com ar nostálgico.
-Vem cá, o que você acha que minha mãe diria se me visse hoje? - Perguntei, tentando saber um pouco mais sobre minha mãe.
-Você diz por causa dos piercings?
-É, pelos piercings, pelo meu jeito de ser...
-Eu acho que ficaria surpresa com os seus piercings, mas ia gostar, na verdade ela queria pôr um no nariz, mas ela tinha medo e seu pai também não deixava.
-Sério?
-Aham, ela morria de medo da agulha, era muito medrosa. E quanto ao seu jeito, não sei como agiria, mas sei que ela ia te amar, independente de qualquer jeito que você tivesse, ela sempre foi louca por você, tanto que uma das condições pra ela ficar comigo foi eu aceitar que você viesse morar com a gente.
-Eu lembro que ela sempre se deitava comigo até eu dormir fazendo cafuné, sempre brincava comigo...
-Você era tudo pra ela, a maior preocupação dela vir morar comigo era como você reagiria quando soubesse que ela namorava outra mulher.
-É, li isso no diário dela.
-O que mais você leu?
-Na verdade eu só li o diário do ano que ela morreu, e nele ela falava dos problemas com meu pai, falava que ele não estava aceitando a separação, mas falava que gostava muito de você. Por isso eu sei que posso confiar em você, se ela confiava é porque você é de confiança.
-Sua mãe era especial, ela tinha uma doçura e ao mesmo tempo uma personalidade marcante, podia ser um amor, mas também podia ser de uma dureza, nervosa que só. Ela era única, eu ainda sinto muita falta dela.
Ela disse isso com lágrimas nos olhos. E logo ela se desculpou.
-Desculpa, eu ainda me emociono muito quando lembro da sua mãe.
-Tudo bem, tipo é meio estranho ver uma mulher chorando pela minha mãe, essa coisa da minha mãe ser homossexual ainda é muito nova pra mim, mas não tem problema, eu vou me acostumar.
Ela sorriu.
-Sabe? Você vai achar bobagem, mas tudo o que eu faço até hoje é pensando nela, pra você ter uma idéia até o nome da minha filha eu dei Isa por causa dela.
-Mas o nome da minha mãe era Márcia.
-Mas ela sempre gostou de “Isa”, seu nome era pra ser Isa, mas seu pai não quis.
-Por quê? Você sabe? É um nome tão bonito.
-Não sei. Mas já que ele não tinha gostado de Isa ela decidiu dar o nome de Renata.
-Como vocês se conheceram?
-Na verdade a gente se conheceu na escola, mas nós nos desencontramos, até então éramos amigas, aí no final de 96 a gente se reencontrou, fazíamos academia juntas, então confessei pra ela o que eu sentia, que na verdade começou quando nós estudávamos juntas, e quando nos reencontramos ela estava mais linda do que nunca, nós nos reaproximamos, e acabei arriscando e falei pra ela o que eu sentia.
-E qual foi a reação dela?
-No começo ela se assustou um pouco, mas ela também gostava de mim, então aconteceu tudo aquilo que você deve ter lido no diário dela.
-Se ela também gostava de você, porque ela se assustou?
-Porque ela nunca tinha ficado com nenhuma mulher, mas ela viu que o que a gente sentia era mais forte do que o medo dela.
-Mas vocês não se preocuparam com o que os outros iam dizer?
-Sabe a gente dividia a mesma opinião quanto a isso, nós nos preocupávamos que nós nos amávamos, a única opinião que importava pra ela era a sua. Estávamos pouco se lixando pro que os outros iam dizer, a gente se amava e era isso que importava, o resto era só o resto.
-Que paulada. - Disse, sem perceber.
-O que? - Ela disse sem entender.
-Não, não é nada, só estou pensando alto. Bom, obrigada pelo suco e pelos biscoitos, eu já vou indo.
-Não precisa agradecer. Sempre que quiser de uma amiga eu to aqui.
-Nossa, brigada.
Voltei pra casa com tudo que a agente tinha conversado dando voltas na minha cabeça. No outro dia fui para escola, mal cheguei e sem falar com ninguém, fui ao banheiro quando estava saindo eu vi a Fernanda vindo em direção, correndo e chorando.
-Fernanda? O que aconteceu? - Perguntei, preocupada.
-É muito bom saber que você é uma pessoa de palavra. - Disse, irônica.
-Que? Do que você está falando? - Sem entender.
-Eu achei que não fizesse piadinhas sobre sentimentos dos outros, mas que idiotice a minha, a grande piadista da escola não fazer piada disso seria absurdo, não é mesmo?
-Será que você pode explicar do que você está falando?
-Eu confiava em você, por que foi espalhar pra todo mundo que a “patricinha se apaixonou pela rebelde da escola”.
-Eu não falei nada, nem fiz piada alguma sobre isso. Onde você ouviu isso?
-A sua amiguinha, Leandra, fez questão de me contar que eu tinha virado a piada da escola. - Disse nervosa.
-Vem comigo. - Disse, resignada.
-Que foi? - Ela não entendeu.
-Cadê ela? - Perguntei, furiosa.
-Tá no refeitório, por quê?
-Vamos lá.
-Oi, por favor, a sua mãe está?
-Tá só um minuto, é Renata né? - Perguntou confirmando.
-Isso.
-Espera aqui, vou chamar ela.
Não demorou a Fabiana veio até a porta.
-Oi, tudo bem? Entra.
-Eu estou precisando falar com você. Pode ser? - Perguntei apreensiva
-Sobre aquilo?
-É.
-Tá, Isa você pode subir? Eu preciso falar com ela.
-Tô indo, vou mexer no computador, tá?
-Tá bom, vai lá. Pronto, o que você quer saber?
-Porque você mandou recados pro meu pai?
-O que?
-É, o que tava escrito nesses bilhetes?
-Mas eu nunca mandei bilhete nenhum pro seu pai.
-Não foi o que ele disse.
-Mas eu to falando a verdade, eu nunca mandei nenhum bilhete pra ele.
-Ele me falou que você mandava recados, pra ele se afastar dela, alguns até ameaçando de morte.
-Imagina. Eu nunca mandei nenhum bilhete, principalmente ameaçando ele, eu jamais faria isso. Você viu esses bilhetes?
-Não. Ele disse que jogou fora.
-Então, como você pode acreditar que ele está falando a verdade?
-Você está querendo dizer que ele estava inventando?
-Olha, eu só sei que eu nunca mandei nenhum bilhete. Ele só pode ter inventado.
-Cara, não to entendendo mais nada.
-Desculpa, mas quanto a esses bilhetes, não posso falar nada, até porque não os escrevi.
-Tá, bom brigada, eu vou tentar ver isso. Minha mãe alguma vez falou se estava sendo ameaçada, sem ser pelo meu pai? Ou algo parecido?
-Não, pra mim ela não falou nada, só falou sobre o seu pai mesmo.
-Ela disse se tinha mais alguém apaixonado por ela?
-Pra mim não, mas é provável que houvesse outros apaixonados pela sua mãe, porque mesmo depois de ter sido mãe, ela continuava linda.
-Isso ajuda muito. Bom, acho que é só. Desculpa te incomodar.
-Que isso. Se você precisar de alguma informação ou alguma coisa e se eu puder ajudar eu te ajudo.
-Obrigada. Então, vou nessa.
-Renata, você quer ver umas fotos dela? - Perguntou amistosamente.
-Você tem alguma? - Perguntei animada.
-Ih um monte, vem eu te mostro, senta aí que eu já trago.
-Claro.
Ela subiu as escada e logo trouxe uma caixa, já envelhecida e gasta pelo tempo.
-Essa caixa está cheia de fotos dela.
-Sério?
-Aham, nós tirávamos muitas fotos, era nosso passa tempo preferido.
-Nossa. Eu não sabia que você tinha fotos dela.
-Fica vendo, eu vou pegar uns biscoitos pra gente, suco ou café?
-Suco, por favor.
Enquanto eu fiquei vendo as fotos, que eram muitas, ela foi pegar uns biscoitos, sem demorar muito.
-Olha, pega. - Disse oferecendo uns biscoitos de chocolate, e suco de uva.
-Obrigada.
-Olha essa foto, foi um dia que nós duas levamos você no parquinho, você não parava de correr de um lado pro outro.
-Pelo visto eu era bagunceira desde pequena.
-Muito! Nossa, sua mãe ficava louca de preocupação, você vivia machucada. - Disse com ar nostálgico.
-Vem cá, o que você acha que minha mãe diria se me visse hoje? - Perguntei, tentando saber um pouco mais sobre minha mãe.
-Você diz por causa dos piercings?
-É, pelos piercings, pelo meu jeito de ser...
-Eu acho que ficaria surpresa com os seus piercings, mas ia gostar, na verdade ela queria pôr um no nariz, mas ela tinha medo e seu pai também não deixava.
-Sério?
-Aham, ela morria de medo da agulha, era muito medrosa. E quanto ao seu jeito, não sei como agiria, mas sei que ela ia te amar, independente de qualquer jeito que você tivesse, ela sempre foi louca por você, tanto que uma das condições pra ela ficar comigo foi eu aceitar que você viesse morar com a gente.
-Eu lembro que ela sempre se deitava comigo até eu dormir fazendo cafuné, sempre brincava comigo...
-Você era tudo pra ela, a maior preocupação dela vir morar comigo era como você reagiria quando soubesse que ela namorava outra mulher.
-É, li isso no diário dela.
-O que mais você leu?
-Na verdade eu só li o diário do ano que ela morreu, e nele ela falava dos problemas com meu pai, falava que ele não estava aceitando a separação, mas falava que gostava muito de você. Por isso eu sei que posso confiar em você, se ela confiava é porque você é de confiança.
-Sua mãe era especial, ela tinha uma doçura e ao mesmo tempo uma personalidade marcante, podia ser um amor, mas também podia ser de uma dureza, nervosa que só. Ela era única, eu ainda sinto muita falta dela.
Ela disse isso com lágrimas nos olhos. E logo ela se desculpou.
-Desculpa, eu ainda me emociono muito quando lembro da sua mãe.
-Tudo bem, tipo é meio estranho ver uma mulher chorando pela minha mãe, essa coisa da minha mãe ser homossexual ainda é muito nova pra mim, mas não tem problema, eu vou me acostumar.
Ela sorriu.
-Sabe? Você vai achar bobagem, mas tudo o que eu faço até hoje é pensando nela, pra você ter uma idéia até o nome da minha filha eu dei Isa por causa dela.
-Mas o nome da minha mãe era Márcia.
-Mas ela sempre gostou de “Isa”, seu nome era pra ser Isa, mas seu pai não quis.
-Por quê? Você sabe? É um nome tão bonito.
-Não sei. Mas já que ele não tinha gostado de Isa ela decidiu dar o nome de Renata.
-Como vocês se conheceram?
-Na verdade a gente se conheceu na escola, mas nós nos desencontramos, até então éramos amigas, aí no final de 96 a gente se reencontrou, fazíamos academia juntas, então confessei pra ela o que eu sentia, que na verdade começou quando nós estudávamos juntas, e quando nos reencontramos ela estava mais linda do que nunca, nós nos reaproximamos, e acabei arriscando e falei pra ela o que eu sentia.
-E qual foi a reação dela?
-No começo ela se assustou um pouco, mas ela também gostava de mim, então aconteceu tudo aquilo que você deve ter lido no diário dela.
-Se ela também gostava de você, porque ela se assustou?
-Porque ela nunca tinha ficado com nenhuma mulher, mas ela viu que o que a gente sentia era mais forte do que o medo dela.
-Mas vocês não se preocuparam com o que os outros iam dizer?
-Sabe a gente dividia a mesma opinião quanto a isso, nós nos preocupávamos que nós nos amávamos, a única opinião que importava pra ela era a sua. Estávamos pouco se lixando pro que os outros iam dizer, a gente se amava e era isso que importava, o resto era só o resto.
-Que paulada. - Disse, sem perceber.
-O que? - Ela disse sem entender.
-Não, não é nada, só estou pensando alto. Bom, obrigada pelo suco e pelos biscoitos, eu já vou indo.
-Não precisa agradecer. Sempre que quiser de uma amiga eu to aqui.
-Nossa, brigada.
Voltei pra casa com tudo que a agente tinha conversado dando voltas na minha cabeça. No outro dia fui para escola, mal cheguei e sem falar com ninguém, fui ao banheiro quando estava saindo eu vi a Fernanda vindo em direção, correndo e chorando.
-Fernanda? O que aconteceu? - Perguntei, preocupada.
-É muito bom saber que você é uma pessoa de palavra. - Disse, irônica.
-Que? Do que você está falando? - Sem entender.
-Eu achei que não fizesse piadinhas sobre sentimentos dos outros, mas que idiotice a minha, a grande piadista da escola não fazer piada disso seria absurdo, não é mesmo?
-Será que você pode explicar do que você está falando?
-Eu confiava em você, por que foi espalhar pra todo mundo que a “patricinha se apaixonou pela rebelde da escola”.
-Eu não falei nada, nem fiz piada alguma sobre isso. Onde você ouviu isso?
-A sua amiguinha, Leandra, fez questão de me contar que eu tinha virado a piada da escola. - Disse nervosa.
-Vem comigo. - Disse, resignada.
-Que foi? - Ela não entendeu.
-Cadê ela? - Perguntei, furiosa.
-Tá no refeitório, por quê?
-Vamos lá.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
CAPITULO 11
-Rê?
-Oi, aquela patricinha me tira do sério. - Desabafei.
-Não sabia de tudo isso. - Falou, em tom de desculpa.
-Ninguém sabia.
-E o que te fez dizer tudo aquilo?
-Quando ela me chamou de orfãzinha ela me tirou do sério.
-Você está bem?
-Meu, quer falar mal de mim? Fala, eu não me importo, mas não ouse se referir a mim como órfã de um modo pejorativo como ela fez.
-Relaxa, você calou a boca dela, acho que vai te deixar em paz.
-Assim espero.
Quando eu estava conversando com a Leandra, a Fernanda entrou, disse:
-Renata, a gente pode conversar? - Disse, tímida.
-O que você quer? - Rosnei.
-Vou deixar vocês duas a sós. - Mais uma vez a Leandra saiu à Francesa.
-Falar sobre o que aconteceu lá embaixo.
-Veio me zoar mais? Veio começar a usar o que eu te disse? Vamos lá, comece, sou toda ouvidos!
-Não. Vim me desculpar pelo que eu disse. Não sabia o que dizer pra te responder, então a única coisa que eu pensei foi naquilo, desculpa não devia ter dito aquilo, com mãe não se faz piada, mas eu tava nervosa e na hora eu não pensei. - Disse, e deu para ver que ela tava arrependida...
-Pois devia. Olha, você quer falar mal de mim? Pode falar eu não ligo, mas não mexe com assuntos que envolvam a morte da minha mãe, isso eu não permito, isso chega a ser baixo.
-É que eu... Pra ser sincera, eu to magoada com você, tipo num dia você está super carinhosa, até me defende, e quando chega em publico me trata daquele jeito, achei que essa implicância ia parar, mas pelo visto tudo foi só uma brincadeira pra você né? - Disse, em tom desconsolado.
-Meu, eu já disse, se você não sabe, não fala.
-Senão é isso, o que pode ser?
-Sua anta, eu fiz isso pra te ajudar.
-Ah claro. Me fez contar pra minhas amigas que eu sou apaixonada por você, me fez dizer pra elas o que aconteceu entre a gente, me fez dizer que eu acreditava que você também gostava de mim e que nós íamos ficar juntas, pra quê? Pra chegar na frente delas e me humilhar como fez.
-Eu não mandei você dizer pra elas... Calma ai, você disse que é apaixonada por mim? - Fiquei surpresa com essa revelação.
-Devia ter calado minha boca. Agora você vai ficar me zoando.
-Não. Eu, ao contrário de você, não faço piadinhas com os sentimentos dos outros. Mas sim, fiz aquilo porque eu queria te ajudar.
-Ajudar como? Me humilhando na frente de todo mundo?
-Eu pensei que fazendo aquilo, me afastando de você tudo ia voltar a ser como antes: Você implicando comigo e eu implicando com você, com você me tratando mal e eu te tratando como antes você ia poder refazer sua “reputação”, e tudo ia voltar a ser como antes. Mas, não você foi dizer essas coisas sem me dizer nada.
-E precisava?
-Claro, eu não ia adivinhar que você é apaixonada por mim.
-Mas você disse isso no sábado.
-Eu disse aquilo pra te provocar, eu não imaginava que você gostasse de mim de verdade.
-Que vergonha.
-Mas porque você gosta de mim?
-Nada, esquece.
-Não, agora você vai ter que me dizer.
-Sei lá porque eu gosto de você é a mesma coisa que perguntar por que pijama tem bolso, não tem resposta. E agora você deve estar me achando mais idiota do que nunca. – Disse, sem saber onde enfiar a cara.
-Não mais que o normal.
-Cara, você não muda.
-Esse é meu jeito, faço piada com tudo que eu posso.
-Talvez eu tenha me apaixonado por você por causa disso, dessa sua alegria. Pra ser sincera, eu sei que vou me arrepender de dizer isso, depois das coisas que você disse hoje, de todos os problemas que você passou, você ainda continua brincando, fazendo piadas a todo o momento, eu acho que to gostando mais ainda de você.
-É, eu sei que sou demais. - Disse isso pra zombar com a cara dela.
-É disso que eu to falando, a gente acabou de ter um briga super séria lá embaixo e agora você ta brincando.
-Não vai adiantar de nada ficar nervosa, não vai mudar tudo o que já passei e quanto à briga, você já se desculpou, e ainda por cima se declarou pra mim. Que mais eu posso querer?
Ela sorriu.
-Agora, falando sério, será que a gente pode parar com essa implicância tola? - Perguntou, quase como uma súplica.
-Não sei tenho uma reputação a zelar. - Debochei.
-Larga de ser boba. - Ela disse rindo.
-Mas bem que você gosta da boba aqui, né? - Provoquei.
-E quanto a não fazer piadas com os sentimentos dos outros?
-Eu estou te ofendendo? Não, eu não faço desde que seja algo que vai te ofender ou te prejudicar, agora eu estou brincando com você, não estou te ofendendo.
Ela sorriu, e disse:
-Tá bom. Mas então: Paz?
-Tá né, vamos parar com essa implicância.
-Sem mais piadinhas sobre mim?
-Sem piadinhas.
-Então, agora sim. Posso fazer uma pergunta?
-Poder pode, só não garanto que eu vá responder.
-Mas eu vou arriscar mesmo assim. Porque você deu em cima de mim?
-Bem, que você gostou, né?
-A pergunta não foi essa.
-Mas você gostou ou não?
-Se eu gosto de você, é óbvio que eu gostei. Mas não muda de assunto, por quê?
Nessa hora o sinal tocou.
-Ih olha que coisa chata, o sinal tocou, não vai dar pra te responder, olha que tragédia, não é mesmo?
-Você conseguiu, mas tudo bem você ainda vai me responder isso.
-Fernanda, mudou de sala? - Disse a professora que tinha acabado de entrar na sala.
-Não professora, eu já estou saindo. - Disse se levantando da cadeira. - Você ainda vai me responder.
-Tchauzinho. - Zombei.
-Desculpa professora.
A Fernanda saiu da sala e a Leandra veio falar comigo:
-E ai, como foi a conversa?
-Leandra?
-Sim professora?
-Eu já estou na sala, então sem conversa.
-Sim Senhora, desculpa professora.
A Leandra se virou pra mim e disse:
-Você não vai fugir.
Na hora do intervalo estava saindo da sala quando a Leandra disse:
-Me espera, eu quero saber o que aconteceu.
-Então vamos, anda.
-Então o que ela disse?
-Ela pediu desculpas pelo que disse e...
-E o que?
-Ela se declarou pra mim.
-Como é que é?
-Isso que você ouviu, ela disse que é apaixonada por mim.
-Não acredito! A patricinha se apaixonou pela rebelde da escola. - Falou em tom de zombaria
-Obrigada pelo “Rebelde”.
-Você entendeu. Agora eu vou encarnar nela até o fim do ano.
-Não, você na vai zoar ela com isso.
-E porque não?
-Você ia gostar que te zoassem porque você gosta de alguém?
-Não, mas ela é diferente, ela é a Fernanda! - Disse como se isso explicasse algo.
-E daí?
-Ela é a menina que você implica desde que chegou na escola.
-Eu sei, mas mesmo assim, eu não vou fazer com ela o que eu não gostaria que fizessem comigo.
-Tá vendo? Você gosta dela, assume isso de uma vez.
-Meu, pára com isso. Eu já falei que não.
-Tá então prova, espalha pra todo mundo, faz ela se sentir humilhada.
-Não.
-Viu? Você gosta dela.
-Pensa o que você quiser, mas eu não vou fazer isso.
-Você está muito diferente. - Ela criticou.
-Não, eu sempre fui assim. Eu não faço com os outros o que eu não quero que façam comigo.
-Meu, ela é a Fernanda, pára de proteger ela, agora mesmo você tava falando um monte pra ela.
-Era diferente. Olha, se você não quiser arranjar uma briga comigo é melhor você parar com isso. - Ameacei.
-Ta bom, não precisa ficar nervosa comigo. Mas e você a perdoou?
-Aham, a gente ta de boa, combinamos de parar com as implicâncias.
-To falando...
-Leandra!
-Tá, eu já parei.
Na hora da saída, quando estava saindo, Leandra me chamou:
-Rê, vamos no cinema hoje?
-Não vai dar. Eu vou lá na Fabiana.
-Fazer o que?
-Sei lá, eu vou lá.
-Você vai lá e não sabe nem o porquê? - Disse sem entender muito.
-Exato.
-Quer que eu vá junto?
-Não precisa, pode ir ao cinema. Eu vou lá.
-Você que sabe.
-Bom já vou indo, beijo.
-Tchau.
-Oi, aquela patricinha me tira do sério. - Desabafei.
-Não sabia de tudo isso. - Falou, em tom de desculpa.
-Ninguém sabia.
-E o que te fez dizer tudo aquilo?
-Quando ela me chamou de orfãzinha ela me tirou do sério.
-Você está bem?
-Meu, quer falar mal de mim? Fala, eu não me importo, mas não ouse se referir a mim como órfã de um modo pejorativo como ela fez.
-Relaxa, você calou a boca dela, acho que vai te deixar em paz.
-Assim espero.
Quando eu estava conversando com a Leandra, a Fernanda entrou, disse:
-Renata, a gente pode conversar? - Disse, tímida.
-O que você quer? - Rosnei.
-Vou deixar vocês duas a sós. - Mais uma vez a Leandra saiu à Francesa.
-Falar sobre o que aconteceu lá embaixo.
-Veio me zoar mais? Veio começar a usar o que eu te disse? Vamos lá, comece, sou toda ouvidos!
-Não. Vim me desculpar pelo que eu disse. Não sabia o que dizer pra te responder, então a única coisa que eu pensei foi naquilo, desculpa não devia ter dito aquilo, com mãe não se faz piada, mas eu tava nervosa e na hora eu não pensei. - Disse, e deu para ver que ela tava arrependida...
-Pois devia. Olha, você quer falar mal de mim? Pode falar eu não ligo, mas não mexe com assuntos que envolvam a morte da minha mãe, isso eu não permito, isso chega a ser baixo.
-É que eu... Pra ser sincera, eu to magoada com você, tipo num dia você está super carinhosa, até me defende, e quando chega em publico me trata daquele jeito, achei que essa implicância ia parar, mas pelo visto tudo foi só uma brincadeira pra você né? - Disse, em tom desconsolado.
-Meu, eu já disse, se você não sabe, não fala.
-Senão é isso, o que pode ser?
-Sua anta, eu fiz isso pra te ajudar.
-Ah claro. Me fez contar pra minhas amigas que eu sou apaixonada por você, me fez dizer pra elas o que aconteceu entre a gente, me fez dizer que eu acreditava que você também gostava de mim e que nós íamos ficar juntas, pra quê? Pra chegar na frente delas e me humilhar como fez.
-Eu não mandei você dizer pra elas... Calma ai, você disse que é apaixonada por mim? - Fiquei surpresa com essa revelação.
-Devia ter calado minha boca. Agora você vai ficar me zoando.
-Não. Eu, ao contrário de você, não faço piadinhas com os sentimentos dos outros. Mas sim, fiz aquilo porque eu queria te ajudar.
-Ajudar como? Me humilhando na frente de todo mundo?
-Eu pensei que fazendo aquilo, me afastando de você tudo ia voltar a ser como antes: Você implicando comigo e eu implicando com você, com você me tratando mal e eu te tratando como antes você ia poder refazer sua “reputação”, e tudo ia voltar a ser como antes. Mas, não você foi dizer essas coisas sem me dizer nada.
-E precisava?
-Claro, eu não ia adivinhar que você é apaixonada por mim.
-Mas você disse isso no sábado.
-Eu disse aquilo pra te provocar, eu não imaginava que você gostasse de mim de verdade.
-Que vergonha.
-Mas porque você gosta de mim?
-Nada, esquece.
-Não, agora você vai ter que me dizer.
-Sei lá porque eu gosto de você é a mesma coisa que perguntar por que pijama tem bolso, não tem resposta. E agora você deve estar me achando mais idiota do que nunca. – Disse, sem saber onde enfiar a cara.
-Não mais que o normal.
-Cara, você não muda.
-Esse é meu jeito, faço piada com tudo que eu posso.
-Talvez eu tenha me apaixonado por você por causa disso, dessa sua alegria. Pra ser sincera, eu sei que vou me arrepender de dizer isso, depois das coisas que você disse hoje, de todos os problemas que você passou, você ainda continua brincando, fazendo piadas a todo o momento, eu acho que to gostando mais ainda de você.
-É, eu sei que sou demais. - Disse isso pra zombar com a cara dela.
-É disso que eu to falando, a gente acabou de ter um briga super séria lá embaixo e agora você ta brincando.
-Não vai adiantar de nada ficar nervosa, não vai mudar tudo o que já passei e quanto à briga, você já se desculpou, e ainda por cima se declarou pra mim. Que mais eu posso querer?
Ela sorriu.
-Agora, falando sério, será que a gente pode parar com essa implicância tola? - Perguntou, quase como uma súplica.
-Não sei tenho uma reputação a zelar. - Debochei.
-Larga de ser boba. - Ela disse rindo.
-Mas bem que você gosta da boba aqui, né? - Provoquei.
-E quanto a não fazer piadas com os sentimentos dos outros?
-Eu estou te ofendendo? Não, eu não faço desde que seja algo que vai te ofender ou te prejudicar, agora eu estou brincando com você, não estou te ofendendo.
Ela sorriu, e disse:
-Tá bom. Mas então: Paz?
-Tá né, vamos parar com essa implicância.
-Sem mais piadinhas sobre mim?
-Sem piadinhas.
-Então, agora sim. Posso fazer uma pergunta?
-Poder pode, só não garanto que eu vá responder.
-Mas eu vou arriscar mesmo assim. Porque você deu em cima de mim?
-Bem, que você gostou, né?
-A pergunta não foi essa.
-Mas você gostou ou não?
-Se eu gosto de você, é óbvio que eu gostei. Mas não muda de assunto, por quê?
Nessa hora o sinal tocou.
-Ih olha que coisa chata, o sinal tocou, não vai dar pra te responder, olha que tragédia, não é mesmo?
-Você conseguiu, mas tudo bem você ainda vai me responder isso.
-Fernanda, mudou de sala? - Disse a professora que tinha acabado de entrar na sala.
-Não professora, eu já estou saindo. - Disse se levantando da cadeira. - Você ainda vai me responder.
-Tchauzinho. - Zombei.
-Desculpa professora.
A Fernanda saiu da sala e a Leandra veio falar comigo:
-E ai, como foi a conversa?
-Leandra?
-Sim professora?
-Eu já estou na sala, então sem conversa.
-Sim Senhora, desculpa professora.
A Leandra se virou pra mim e disse:
-Você não vai fugir.
Na hora do intervalo estava saindo da sala quando a Leandra disse:
-Me espera, eu quero saber o que aconteceu.
-Então vamos, anda.
-Então o que ela disse?
-Ela pediu desculpas pelo que disse e...
-E o que?
-Ela se declarou pra mim.
-Como é que é?
-Isso que você ouviu, ela disse que é apaixonada por mim.
-Não acredito! A patricinha se apaixonou pela rebelde da escola. - Falou em tom de zombaria
-Obrigada pelo “Rebelde”.
-Você entendeu. Agora eu vou encarnar nela até o fim do ano.
-Não, você na vai zoar ela com isso.
-E porque não?
-Você ia gostar que te zoassem porque você gosta de alguém?
-Não, mas ela é diferente, ela é a Fernanda! - Disse como se isso explicasse algo.
-E daí?
-Ela é a menina que você implica desde que chegou na escola.
-Eu sei, mas mesmo assim, eu não vou fazer com ela o que eu não gostaria que fizessem comigo.
-Tá vendo? Você gosta dela, assume isso de uma vez.
-Meu, pára com isso. Eu já falei que não.
-Tá então prova, espalha pra todo mundo, faz ela se sentir humilhada.
-Não.
-Viu? Você gosta dela.
-Pensa o que você quiser, mas eu não vou fazer isso.
-Você está muito diferente. - Ela criticou.
-Não, eu sempre fui assim. Eu não faço com os outros o que eu não quero que façam comigo.
-Meu, ela é a Fernanda, pára de proteger ela, agora mesmo você tava falando um monte pra ela.
-Era diferente. Olha, se você não quiser arranjar uma briga comigo é melhor você parar com isso. - Ameacei.
-Ta bom, não precisa ficar nervosa comigo. Mas e você a perdoou?
-Aham, a gente ta de boa, combinamos de parar com as implicâncias.
-To falando...
-Leandra!
-Tá, eu já parei.
Na hora da saída, quando estava saindo, Leandra me chamou:
-Rê, vamos no cinema hoje?
-Não vai dar. Eu vou lá na Fabiana.
-Fazer o que?
-Sei lá, eu vou lá.
-Você vai lá e não sabe nem o porquê? - Disse sem entender muito.
-Exato.
-Quer que eu vá junto?
-Não precisa, pode ir ao cinema. Eu vou lá.
-Você que sabe.
-Bom já vou indo, beijo.
-Tchau.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
CAPITULO 10
-Vamos, Lê.
-Como foi lá dentro?
-Ele falou que acha que foi a Fabiana que matou minha mãe.
-Porque ele acha isso?
-Parece que ela mandava recados dizendo pra ele se afastar dela, senão faria ela mesma, nem que ela tivesse que matar pra conseguir isso.
-E você viu os recados?
-Não, ele jogou fora.
-E você acha o que a respeito de tudo isso?
-Não sei, minha cabeça está girando, to muito confusa, não sei o que pensar, to muito cansada, eu não preguei o olho a noite toda pra nada, isso só fica mais confuso a cada minuto.
-Vai pra casa descansar.
-Acho meio difícil.
-Por quê?
-Minha cabeça está a mil, to cansada, mas não consigo relaxar.
Quando chegamos à casa da minha madrinha:
-Entra ai. Vamos subir lá pro meu quarto. - Chamei.
-Sua madrinha não está?
-Não, ela está trabalhando.
-O que você está achando de tudo isso?
-Parece que eu to num filme... De terror.
-Que exagero! No máximo policial. Você vai na escola amanhã? - Ela tentou descontrair.
-Vou, amanhã tem prova, que alias eu não estudei nada.
-Nem me fala, eu também não. - Ela disse se sentando na cama - Vem cá, tenta descansar um pouco, deita aqui no meu colo.
Atendendo ao pedido dela, deitei no colo dela. Ela começou a fazer carinho na minha cabeça.
-Tenta dormir, você está precisando.
Ela me fez carinho, estava tão bom, tão reconfortante e não demorou muito para eu dormir.
Quando foi no outro dia, acordei com o despertador e percebi que já era de manhã:
-Nossa, peguei no sono. - Exclamei vendo a hora.
Desci as escadas, minha madrinha já estava na cozinha.
-Bom dia, madrinha.
-Olá, achei que não fosse acordar pra ir à escola.
-Bem que eu queria, mas hoje tem prova.
-Estudou?
-Pra ser sincera não, eu tive que resolver uns problemas.
-Que tipo de problemas?
-Nada não, deixa pra lá.
-Aquela que é a Fernanda?
-Que?
-A menina que saiu do seu quarto ontem, ela que é a Fernanda?
-Não ela é a Leandra, ela é só minha amiga.
-Saindo do seu quarto àquela hora da noite?
-Ela foi embora que horas?
-Você não sabe? - Perguntou, desconfiada.
-Não, eu peguei no sono.
-Sei, e vocês são só amigas? - Perguntou debochando.
-É. Eu tava cansada, ai eu peguei no sono conversando com ela. Mas que horas ela saiu?
-Umas nove e meia.
-Hum... Bom, madrinha eu vou indo, senão eu vou me atrasar.
-Vai lá. Boa aula.
-Obrigada. Tchau.
Quando cheguei na escola, fui falar com a Leandra:
-Oi Lê, foi mal por ontem.
-Relaxa, você tava cansada. Descansou?
-Aham, to bem mais relaxada. Também com aquele cafuné...
-É, minhas mãos são mágicas.
-É eu já tenho certa intimidade com elas.
Ela deu risada.
Nesse momento eu vi a Fernanda e comecei a observá-la.
-Está olhando pra onde Rê?
Se virando pra tentar descobrir pra onde eu estava olhando.
-Ah já sei, está olhando a Fernanda.
-Me erra.
-Gente, eu vou dar uma festa só pra convidados.
-É gente é só pra mauricinhos e patricinhas, qualquer um que tenha alguma coisa útil na cabeça está terminantemente proibido de ir. - Eu zombei.
-Nossa não dá pra ser mais criativa? - Ela disse de mau humor
-Não, você não é uma boa fonte de inspiração. - Retruquei.
-Não foi o que pareceu naquela noite. - Disse, me provocando.
-Acorda, eu tava bêbada. - Tentei disfarçar.
-Engraçado, você não tinha gosto de uma gota de álcool, na verdade tinha gosto de Coca-Cola. - Disse fazendo cara de pensativa.
-Nossa, que memória! Você deve ter gostado mesmo pra lembrar de tantos detalhes...
-Não, porque ao contrario do que você pensa, eu não sou tão burra assim.
-É verdade, por isso você gostou do que aconteceu entre a gente.
-Na verdade, eu já tive melhores.
-Ah é?
-Anham, muito melhores.
-Olha, o jeito que você gritava aquela noite não foi o que pareceu. Só não vou te imitar porque o horário não permite.
-Mas quem foi que deu em cima?
-Fui eu. Porque eu percebi que você tava morrendo de vontade de ficar comigo, então eu resolvi fazer uma boa ação, pelo que você demonstrou, foi uma ótima ação.
-Pena que você só seja boa na cama, mas no resto é uma idiota.
-Fazer o que nem tudo é perfeito.
Ela se aproximou de mim, e disse:
-Por que você age feito idiota sempre?
-Já disse pra você não abrir a boca pra falar alguma coisa de mim. Você não sabe nada da minha vida pra falar alguma coisa.
-Olha gente a orfãzinha está estressadinha!!
Fiquei furiosa, me seguei pra não avançar nela.
-Olha aqui paty idiota, você pensa um trilhão de vezes antes de se referir a mim desse jeito. Você quer falar de família? Vamos falar de família: Eu sou órfã sim, perdi minha mãe quando eu não tinha nem sete anos, infelizmente. Agora, você cala essa boca pra falar disso porque você não sabe como é crescer sem uma mãe, você não sabe como é conviver com um pai alcoólatra, você não sabe como é viver sem saber o que aconteceu na sua família, você não sabe o que é ser eu, você não sabe de nada, então cala a sua boca antes de pensar em falar alguma coisa da minha vida particular. Por que, pra você, tudo sempre esteve ao alcance das suas mãos, você pensava já estava tudo lá, você teve a sorte de crescer com sua família junta unida, sempre que você chorava tinha alguém pra ver o que aconteceu, sempre que eu chorava meu pai me mandava calar a boca porque tava atrapalhando programa de TV, quando você se machucava, tinha alguém pra cuidar de você, sempre que eu me machucava, tinha que aguentar a dor calada, pois se eu falasse um “A” ia ser chamada de fraca. Sempre que você ia mal na escola seus pais sentavam e conversavam com você, sempre que eu ia mal na escola eu levava um coro do meu pai, que só se preocupava se ia ter bebida quando ele chegasse em casa. Ou seja, você sempre teve uma vida ótima, então cala essa sua boca antes de falar de mim, porque isso não é nem um terço do que minha vida foi nesses onze anos que minha mãe não esteve comigo. Alias você quer falar mal da minha vida? Agora você já sabe o suficiente pra falar mal de mim um bom tempo. Satisfeita? Agora por favor, você pode me deixar em paz?
Eu disse isso e me virei, e fui pra sala, estava muito nervosa, não queria ficar mais naquele lugar, minha vontade foi de sumir, esquecer de tudo, apagar todos os problemas, mas isso não era possível. Entrei na sala e me sentei, logo em seguida veio a Lê ver como eu estava.
-Como foi lá dentro?
-Ele falou que acha que foi a Fabiana que matou minha mãe.
-Porque ele acha isso?
-Parece que ela mandava recados dizendo pra ele se afastar dela, senão faria ela mesma, nem que ela tivesse que matar pra conseguir isso.
-E você viu os recados?
-Não, ele jogou fora.
-E você acha o que a respeito de tudo isso?
-Não sei, minha cabeça está girando, to muito confusa, não sei o que pensar, to muito cansada, eu não preguei o olho a noite toda pra nada, isso só fica mais confuso a cada minuto.
-Vai pra casa descansar.
-Acho meio difícil.
-Por quê?
-Minha cabeça está a mil, to cansada, mas não consigo relaxar.
Quando chegamos à casa da minha madrinha:
-Entra ai. Vamos subir lá pro meu quarto. - Chamei.
-Sua madrinha não está?
-Não, ela está trabalhando.
-O que você está achando de tudo isso?
-Parece que eu to num filme... De terror.
-Que exagero! No máximo policial. Você vai na escola amanhã? - Ela tentou descontrair.
-Vou, amanhã tem prova, que alias eu não estudei nada.
-Nem me fala, eu também não. - Ela disse se sentando na cama - Vem cá, tenta descansar um pouco, deita aqui no meu colo.
Atendendo ao pedido dela, deitei no colo dela. Ela começou a fazer carinho na minha cabeça.
-Tenta dormir, você está precisando.
Ela me fez carinho, estava tão bom, tão reconfortante e não demorou muito para eu dormir.
Quando foi no outro dia, acordei com o despertador e percebi que já era de manhã:
-Nossa, peguei no sono. - Exclamei vendo a hora.
Desci as escadas, minha madrinha já estava na cozinha.
-Bom dia, madrinha.
-Olá, achei que não fosse acordar pra ir à escola.
-Bem que eu queria, mas hoje tem prova.
-Estudou?
-Pra ser sincera não, eu tive que resolver uns problemas.
-Que tipo de problemas?
-Nada não, deixa pra lá.
-Aquela que é a Fernanda?
-Que?
-A menina que saiu do seu quarto ontem, ela que é a Fernanda?
-Não ela é a Leandra, ela é só minha amiga.
-Saindo do seu quarto àquela hora da noite?
-Ela foi embora que horas?
-Você não sabe? - Perguntou, desconfiada.
-Não, eu peguei no sono.
-Sei, e vocês são só amigas? - Perguntou debochando.
-É. Eu tava cansada, ai eu peguei no sono conversando com ela. Mas que horas ela saiu?
-Umas nove e meia.
-Hum... Bom, madrinha eu vou indo, senão eu vou me atrasar.
-Vai lá. Boa aula.
-Obrigada. Tchau.
Quando cheguei na escola, fui falar com a Leandra:
-Oi Lê, foi mal por ontem.
-Relaxa, você tava cansada. Descansou?
-Aham, to bem mais relaxada. Também com aquele cafuné...
-É, minhas mãos são mágicas.
-É eu já tenho certa intimidade com elas.
Ela deu risada.
Nesse momento eu vi a Fernanda e comecei a observá-la.
-Está olhando pra onde Rê?
Se virando pra tentar descobrir pra onde eu estava olhando.
-Ah já sei, está olhando a Fernanda.
-Me erra.
-Gente, eu vou dar uma festa só pra convidados.
-É gente é só pra mauricinhos e patricinhas, qualquer um que tenha alguma coisa útil na cabeça está terminantemente proibido de ir. - Eu zombei.
-Nossa não dá pra ser mais criativa? - Ela disse de mau humor
-Não, você não é uma boa fonte de inspiração. - Retruquei.
-Não foi o que pareceu naquela noite. - Disse, me provocando.
-Acorda, eu tava bêbada. - Tentei disfarçar.
-Engraçado, você não tinha gosto de uma gota de álcool, na verdade tinha gosto de Coca-Cola. - Disse fazendo cara de pensativa.
-Nossa, que memória! Você deve ter gostado mesmo pra lembrar de tantos detalhes...
-Não, porque ao contrario do que você pensa, eu não sou tão burra assim.
-É verdade, por isso você gostou do que aconteceu entre a gente.
-Na verdade, eu já tive melhores.
-Ah é?
-Anham, muito melhores.
-Olha, o jeito que você gritava aquela noite não foi o que pareceu. Só não vou te imitar porque o horário não permite.
-Mas quem foi que deu em cima?
-Fui eu. Porque eu percebi que você tava morrendo de vontade de ficar comigo, então eu resolvi fazer uma boa ação, pelo que você demonstrou, foi uma ótima ação.
-Pena que você só seja boa na cama, mas no resto é uma idiota.
-Fazer o que nem tudo é perfeito.
Ela se aproximou de mim, e disse:
-Por que você age feito idiota sempre?
-Já disse pra você não abrir a boca pra falar alguma coisa de mim. Você não sabe nada da minha vida pra falar alguma coisa.
-Olha gente a orfãzinha está estressadinha!!
Fiquei furiosa, me seguei pra não avançar nela.
-Olha aqui paty idiota, você pensa um trilhão de vezes antes de se referir a mim desse jeito. Você quer falar de família? Vamos falar de família: Eu sou órfã sim, perdi minha mãe quando eu não tinha nem sete anos, infelizmente. Agora, você cala essa boca pra falar disso porque você não sabe como é crescer sem uma mãe, você não sabe como é conviver com um pai alcoólatra, você não sabe como é viver sem saber o que aconteceu na sua família, você não sabe o que é ser eu, você não sabe de nada, então cala a sua boca antes de pensar em falar alguma coisa da minha vida particular. Por que, pra você, tudo sempre esteve ao alcance das suas mãos, você pensava já estava tudo lá, você teve a sorte de crescer com sua família junta unida, sempre que você chorava tinha alguém pra ver o que aconteceu, sempre que eu chorava meu pai me mandava calar a boca porque tava atrapalhando programa de TV, quando você se machucava, tinha alguém pra cuidar de você, sempre que eu me machucava, tinha que aguentar a dor calada, pois se eu falasse um “A” ia ser chamada de fraca. Sempre que você ia mal na escola seus pais sentavam e conversavam com você, sempre que eu ia mal na escola eu levava um coro do meu pai, que só se preocupava se ia ter bebida quando ele chegasse em casa. Ou seja, você sempre teve uma vida ótima, então cala essa sua boca antes de falar de mim, porque isso não é nem um terço do que minha vida foi nesses onze anos que minha mãe não esteve comigo. Alias você quer falar mal da minha vida? Agora você já sabe o suficiente pra falar mal de mim um bom tempo. Satisfeita? Agora por favor, você pode me deixar em paz?
Eu disse isso e me virei, e fui pra sala, estava muito nervosa, não queria ficar mais naquele lugar, minha vontade foi de sumir, esquecer de tudo, apagar todos os problemas, mas isso não era possível. Entrei na sala e me sentei, logo em seguida veio a Lê ver como eu estava.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
CAPITULO 9
-Quem gostaria?
-Ela não me conhece, eu sou filha de uma amiga dela, meu nome é Renata.
-Tá, só um minuto, que eu vou chamar ela.
Quando a menina se virou para chamar a Fabiana, eu abri um imenso sorriso.
Uma mulher alta, olhos e cabelos castanhos, muito bonita pra idade que ela devia ter, saiu à porta, quando me viu hesitou um pouco.
-Oi, você quer falar comigo? - Perguntou, insegura.
-Fabiana? - Meu coração na boca.
-Isso. Mas quem é você? - Perguntou hesitante.
-Meu nome é Renata, filha da Márcia, essa é minha amiga, Leandra. Eu posso falar com você?
-Renata? Entra. Você... Você está muito parecida com a sua mãe, nossa. Mas porque você veio até mim? Como me achou? - Ela perguntou sem saber muito bem o que estava acontecendo, ou sem acreditar muito.
-Eu estava lendo o diário da minha mãe, e... E ela falava muito de você.
Ela olhou para a tal menina que abriu a porta e disse:
-Filha, deixa a gente conversar em particular?
-Tá bom, vou estar no meu quarto, qualquer coisa me chama. - Se virou e subiu a escada, desaparecendo de vista.
-Então, em que eu posso te ajudar?
-Como eu disse, ontem encontrei o diário da minha mãe, e fiquei sabendo que você e minha mãe se... Se gostavam, isso é verdade?
-Aqui em casa ninguém sabe disso. - Ela disse olhando pra escada para ver ser a filha não estava escutando.
-Então é verdade?
-É, mas sua mãe era casada, então ela decidiu se separar do seu pai pra ficar comigo.
-E o que aconteceu?
-Sua mãe um dia me chamou e disse que ia se separar pra ficar comigo, já estava tudo combinado, ela ia se separar ia pegar você e vir morar comigo. Mas antes que isso acontecesse, mataram ela.
-Mas ficou concluído que ela cometeu suicídio, não é?
-É, mas isso nunca me convenceu.
-Então você acha que alguém a matou?
-Acho não, tenho certeza. Ela amava demais a vida, amava demais você, para fazer uma coisa dessas.
-Você que conviveu com ela, ela falava se alguém a ameaçava?
-Quando você descobriu que sua mãe era homossexual?
-Ontem, meu pai me expulsou de casa por eu ser homossexual e quando eu fui pegar minhas coisas, eu achei o diário dela e li, ai hoje eu vim aqui.
-Então quer dizer que seu pai te expulsou?
-Pode-se dizer que sim. Você acha que foi meu pai a matou?
-Pra ser sincera eu acredito que sim, ela me falou várias vezes que o Edgard a ameaçava. Mas eu não posso acusá-lo, a única coisa que eu tenho certeza é que ela não se matou.
-Mas no diário ela dizia que ele a amava muito.
-Ela também me dizia isso. Mas eu fiquei tão abalada com a morte dela, que nem sei quem foi o assassino dela.
-Aquela moça é sua filha?
-É, depois de um ano, mais ou menos, eu conheci o pai da Isa, ela nasceu, mas na verdade, nunca esqueci a sua mãe. Depois dela, não consegui me apaixonar por mais ninguém. Nunca me recuperei da sua perda, nos primeiros anos eu tive até que fazer terapia.
-Pelo que eu li, vocês eram muito... Apaixonadas. – Era estranho dizer isso.
-Eu nunca gostei de ninguém além de sua mãe, ela era única.
-Você era amante da minha mãe?
-Não, ela disse que queria se separar do seu pai primeiro pra não ter peso na consciência, e estava certa, e eu estava disposta a esperá-la.
-Eu preciso da sua ajuda.
-Pra que?
-Eu quero descobrir o assassino da minha mãe, mas eu não sei nada dela.
-Se é pra encontrar o assassino dela eu ajudo, mas como você pretende fazer isso?
-Obrigada. Não sei, to pensando ainda. Mas então você acha mesmo que foi o meu pai que a matou?
-Como eu disse, sim. Ele até onde eu sei era o único que se opunha ao nosso relacionamento.
-Eu vou falar com ele.
-Rê, você está louca? - A Leandra falou, pela primeira vez, desde que chegamos.
-Lê, você tem uma idéia melhor? É o único jeito de saber mais alguma coisa.
-Eu vou com você.
-Lê, é melhor eu ir sozinha.
-Ela está certa, é melhor ela ir sozinha mesmo, ela é filha, vai ser mais fácil dele falar alguma coisa. - A Fabiana me apoiou.
-Tá, eu não vou entrar, mas vou ficar do lado de fora, te esperando.
-Tá, mas eu vou entrar sozinha. Então é melhor a gente ir andando. Obrigada por ter recebido a gente.
-Não tem nada, sempre que precisar agora você sabe onde me achar. Anota meu telefone, fica mais fácil da gente se falar.
-Tá me passa.
-Então, qualquer coisa me procura.
-Tchau, obrigada por tudo, qualquer novidade eu te aviso.
Enquanto estávamos indo em direção à casa do meu pai, fomos conversando.
-Rê, o que você achou dela? – Ela me perguntou
-Eu acho que a gente pode confiar nela, se minha mãe confiava, ela deve ser de confiança. – Respondi
-Espero que você esteja certa.
-Por quê? Você não achou ela de confiança? – Perguntei
-Não é isso, é que é um assunto muito delicado, e quero muito que você descubra o que aconteceu com sua mãe, espero que ela possa ajudar.
-Obrigada pela sua amizade, está sendo muito importante. Tão pouco tempo e você já ta me ajudando tanto, nem sei como agradecer.
-Está sendo muito mais pra mim.
-Por quê?
-Por que é muito bom poder ajudar uma amiga. – Disse sorrindo.
Quando estávamos em frente à casa do meu pai, eu falei para a Leandra:
-Bom, agora eu vou lá. Espero que consiga alguma coisa.
-Qualquer coisa eu vou estar aqui fora, me chama que eu vou ver o que está acontecendo.
-Pode deixar. Obrigada
Eu toquei a campainha, meu pai abriu a porta, surpreso em me ver.
-O que você faz aqui? Veio pedir abrigo? - Debochou.
-Preciso falar com você, sobre minha mãe. - Avisei.
-Entra. - Disse, surpreso. - O que você quer saber?
-Sobre a morte dela.
-E porque se interessou por isso agora?
-Porque, eu descobri que quando ela morreu, estava pra se separar de você.
-Você já sabe tudo pelo visto.
-Sei que foi dito que foi suicídio, mas eu não acredito que foi isso o que aconteceu.
-Você acha o que?
-Que ela foi assassinada.
-E você acha que foi eu?
-Ela ia te trocar por uma mulher, e você não podia aceitar isso.
-Você não sabe o que está falando.
-Então porque você pediu pra minha madrinha me levar pra sair? Porque estava planejando alguma coisa.
-É, eu tava sim. Eu e sua mãe estávamos passando por problemas, então eu resolvi ter uma conversa com ela, pra tentar fazê-la mudar de idéia, mas quando eu cheguei a vi morta no quarto, com sangue na mão e uma faca na cabeça. Eu também não acredito que tenha sido suicídio, mas foi o que a policia disse.
-E porque você não foi atrás pra saber o que realmente aconteceu?
-Ir atrás do que? Eu não tinha nenhuma prova, não tinha nada, só você, que eu precisava criar.
-Você conhecia a mulher pela qual minha mãe ia te deixar?
-Conheço, ela e sua mãe faziam academia juntas, e ela sempre vinha aqui visitar sua mãe, até que ela levou sua mãe pra esse caminho.
-E porque quando você descobriu que eu sou homossexual disse que minha mãe ia ter vergonha de mim, etc.?
-Porque eu não acredito que ela ia me deixar pra ficar com a Fabiana, e pra mim é muito humilhante saber que ia ser trocado por uma mulher. A única coisa que eu posso dizer é que não matei sua mãe, não faria isso com a mulher mais importante da minha vida.
-Então quem pode ter feito isso com ela?
-Pra mim foi essa amante da sua mãe.
-Por quê?
-Porque ela ficava insistindo, ficava em cima, ela chegou a me mandar recados pra me afastar da Márcia, mas eu não dava ouvidos.
-Recados? Que tipo de recados?
-Dizia que era pra eu me afastar, senão ela ia ela mesma separar a gente, nem que para isso ela precisasse matar.
-E onde estão esses bilhetes?
-Eu joguei fora, não dava ouvidos a ela.
-E porque não guardou para mostrar pra mostra a policia?
-Porque eu não podia imaginar que fosse acontecer aquilo à sua mãe. Aonde você vai? - Perguntou, quando me viu sair andando.
-Já ouvi o suficiente, vou embora.
-Onde você está morando?
-Isso não é mais da sua conta.
-Mas você é minha filha.
-Mas você não é mais meu pai.
Eu disse isso indo em direção à porta, e sai.
-Ela não me conhece, eu sou filha de uma amiga dela, meu nome é Renata.
-Tá, só um minuto, que eu vou chamar ela.
Quando a menina se virou para chamar a Fabiana, eu abri um imenso sorriso.
Uma mulher alta, olhos e cabelos castanhos, muito bonita pra idade que ela devia ter, saiu à porta, quando me viu hesitou um pouco.
-Oi, você quer falar comigo? - Perguntou, insegura.
-Fabiana? - Meu coração na boca.
-Isso. Mas quem é você? - Perguntou hesitante.
-Meu nome é Renata, filha da Márcia, essa é minha amiga, Leandra. Eu posso falar com você?
-Renata? Entra. Você... Você está muito parecida com a sua mãe, nossa. Mas porque você veio até mim? Como me achou? - Ela perguntou sem saber muito bem o que estava acontecendo, ou sem acreditar muito.
-Eu estava lendo o diário da minha mãe, e... E ela falava muito de você.
Ela olhou para a tal menina que abriu a porta e disse:
-Filha, deixa a gente conversar em particular?
-Tá bom, vou estar no meu quarto, qualquer coisa me chama. - Se virou e subiu a escada, desaparecendo de vista.
-Então, em que eu posso te ajudar?
-Como eu disse, ontem encontrei o diário da minha mãe, e fiquei sabendo que você e minha mãe se... Se gostavam, isso é verdade?
-Aqui em casa ninguém sabe disso. - Ela disse olhando pra escada para ver ser a filha não estava escutando.
-Então é verdade?
-É, mas sua mãe era casada, então ela decidiu se separar do seu pai pra ficar comigo.
-E o que aconteceu?
-Sua mãe um dia me chamou e disse que ia se separar pra ficar comigo, já estava tudo combinado, ela ia se separar ia pegar você e vir morar comigo. Mas antes que isso acontecesse, mataram ela.
-Mas ficou concluído que ela cometeu suicídio, não é?
-É, mas isso nunca me convenceu.
-Então você acha que alguém a matou?
-Acho não, tenho certeza. Ela amava demais a vida, amava demais você, para fazer uma coisa dessas.
-Você que conviveu com ela, ela falava se alguém a ameaçava?
-Quando você descobriu que sua mãe era homossexual?
-Ontem, meu pai me expulsou de casa por eu ser homossexual e quando eu fui pegar minhas coisas, eu achei o diário dela e li, ai hoje eu vim aqui.
-Então quer dizer que seu pai te expulsou?
-Pode-se dizer que sim. Você acha que foi meu pai a matou?
-Pra ser sincera eu acredito que sim, ela me falou várias vezes que o Edgard a ameaçava. Mas eu não posso acusá-lo, a única coisa que eu tenho certeza é que ela não se matou.
-Mas no diário ela dizia que ele a amava muito.
-Ela também me dizia isso. Mas eu fiquei tão abalada com a morte dela, que nem sei quem foi o assassino dela.
-Aquela moça é sua filha?
-É, depois de um ano, mais ou menos, eu conheci o pai da Isa, ela nasceu, mas na verdade, nunca esqueci a sua mãe. Depois dela, não consegui me apaixonar por mais ninguém. Nunca me recuperei da sua perda, nos primeiros anos eu tive até que fazer terapia.
-Pelo que eu li, vocês eram muito... Apaixonadas. – Era estranho dizer isso.
-Eu nunca gostei de ninguém além de sua mãe, ela era única.
-Você era amante da minha mãe?
-Não, ela disse que queria se separar do seu pai primeiro pra não ter peso na consciência, e estava certa, e eu estava disposta a esperá-la.
-Eu preciso da sua ajuda.
-Pra que?
-Eu quero descobrir o assassino da minha mãe, mas eu não sei nada dela.
-Se é pra encontrar o assassino dela eu ajudo, mas como você pretende fazer isso?
-Obrigada. Não sei, to pensando ainda. Mas então você acha mesmo que foi o meu pai que a matou?
-Como eu disse, sim. Ele até onde eu sei era o único que se opunha ao nosso relacionamento.
-Eu vou falar com ele.
-Rê, você está louca? - A Leandra falou, pela primeira vez, desde que chegamos.
-Lê, você tem uma idéia melhor? É o único jeito de saber mais alguma coisa.
-Eu vou com você.
-Lê, é melhor eu ir sozinha.
-Ela está certa, é melhor ela ir sozinha mesmo, ela é filha, vai ser mais fácil dele falar alguma coisa. - A Fabiana me apoiou.
-Tá, eu não vou entrar, mas vou ficar do lado de fora, te esperando.
-Tá, mas eu vou entrar sozinha. Então é melhor a gente ir andando. Obrigada por ter recebido a gente.
-Não tem nada, sempre que precisar agora você sabe onde me achar. Anota meu telefone, fica mais fácil da gente se falar.
-Tá me passa.
-Então, qualquer coisa me procura.
-Tchau, obrigada por tudo, qualquer novidade eu te aviso.
Enquanto estávamos indo em direção à casa do meu pai, fomos conversando.
-Rê, o que você achou dela? – Ela me perguntou
-Eu acho que a gente pode confiar nela, se minha mãe confiava, ela deve ser de confiança. – Respondi
-Espero que você esteja certa.
-Por quê? Você não achou ela de confiança? – Perguntei
-Não é isso, é que é um assunto muito delicado, e quero muito que você descubra o que aconteceu com sua mãe, espero que ela possa ajudar.
-Obrigada pela sua amizade, está sendo muito importante. Tão pouco tempo e você já ta me ajudando tanto, nem sei como agradecer.
-Está sendo muito mais pra mim.
-Por quê?
-Por que é muito bom poder ajudar uma amiga. – Disse sorrindo.
Quando estávamos em frente à casa do meu pai, eu falei para a Leandra:
-Bom, agora eu vou lá. Espero que consiga alguma coisa.
-Qualquer coisa eu vou estar aqui fora, me chama que eu vou ver o que está acontecendo.
-Pode deixar. Obrigada
Eu toquei a campainha, meu pai abriu a porta, surpreso em me ver.
-O que você faz aqui? Veio pedir abrigo? - Debochou.
-Preciso falar com você, sobre minha mãe. - Avisei.
-Entra. - Disse, surpreso. - O que você quer saber?
-Sobre a morte dela.
-E porque se interessou por isso agora?
-Porque, eu descobri que quando ela morreu, estava pra se separar de você.
-Você já sabe tudo pelo visto.
-Sei que foi dito que foi suicídio, mas eu não acredito que foi isso o que aconteceu.
-Você acha o que?
-Que ela foi assassinada.
-E você acha que foi eu?
-Ela ia te trocar por uma mulher, e você não podia aceitar isso.
-Você não sabe o que está falando.
-Então porque você pediu pra minha madrinha me levar pra sair? Porque estava planejando alguma coisa.
-É, eu tava sim. Eu e sua mãe estávamos passando por problemas, então eu resolvi ter uma conversa com ela, pra tentar fazê-la mudar de idéia, mas quando eu cheguei a vi morta no quarto, com sangue na mão e uma faca na cabeça. Eu também não acredito que tenha sido suicídio, mas foi o que a policia disse.
-E porque você não foi atrás pra saber o que realmente aconteceu?
-Ir atrás do que? Eu não tinha nenhuma prova, não tinha nada, só você, que eu precisava criar.
-Você conhecia a mulher pela qual minha mãe ia te deixar?
-Conheço, ela e sua mãe faziam academia juntas, e ela sempre vinha aqui visitar sua mãe, até que ela levou sua mãe pra esse caminho.
-E porque quando você descobriu que eu sou homossexual disse que minha mãe ia ter vergonha de mim, etc.?
-Porque eu não acredito que ela ia me deixar pra ficar com a Fabiana, e pra mim é muito humilhante saber que ia ser trocado por uma mulher. A única coisa que eu posso dizer é que não matei sua mãe, não faria isso com a mulher mais importante da minha vida.
-Então quem pode ter feito isso com ela?
-Pra mim foi essa amante da sua mãe.
-Por quê?
-Porque ela ficava insistindo, ficava em cima, ela chegou a me mandar recados pra me afastar da Márcia, mas eu não dava ouvidos.
-Recados? Que tipo de recados?
-Dizia que era pra eu me afastar, senão ela ia ela mesma separar a gente, nem que para isso ela precisasse matar.
-E onde estão esses bilhetes?
-Eu joguei fora, não dava ouvidos a ela.
-E porque não guardou para mostrar pra mostra a policia?
-Porque eu não podia imaginar que fosse acontecer aquilo à sua mãe. Aonde você vai? - Perguntou, quando me viu sair andando.
-Já ouvi o suficiente, vou embora.
-Onde você está morando?
-Isso não é mais da sua conta.
-Mas você é minha filha.
-Mas você não é mais meu pai.
Eu disse isso indo em direção à porta, e sai.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
CAPITULO 8
Estava em casa e não tinha nada para fazer, resolvi ler o diário da minha mãe. Comecei pelo diário do ano que ela morreu.
“(Três de fevereiro, 1997) Hoje, eu encontrei aquela pessoa, não sei o que fazer, estou cada dia mais confusa”.
Pessoa? Que pessoa?
“(Quatro de fevereiro, 1997) Hoje, ela veio aqui quando o Edgard estava no serviço e a Renata na escola, conversamos e ela finalmente se declarou pra mim, disse que está gostando de mim, e que sabe que eu também gosto dela, disse que se eu a quiser assume a mim e a minha filha. Ela tinha um olhar tão doce quando falava comigo, deu vontade de jogar tudo para o alto e ficar com ela... Mas eu não posso pensar só em mim, eu tenho uma filha que eu tenho que pensar o que é melhor pra ela, eu tenho que pensar no que isso pode afetar a vida da minha princesa, e tem o Edgard também. Porque tudo tem que ser tão complicado?”.
Não estava entendendo mais nada, minha mãe gostava de garotas? Será que eu entendi errado?
“(Quinze de fevereiro, 1997) A Fabiana veio falar comigo de novo, eu gosto tanto dela, e sei que ela também gosta de mim, mas eu tenho medo do que possa acontecer com a minha filha, tenho medo que ela não entenda e se vire contra mim, mas o que eu sinto pela Fabi é tão forte.”
“(Vinte e sete de fevereiro, 1997) O Edgard está muito agressivo, a bebida está acabando com ele, o que está me dando mais vontade de ficar de vez com a Fabi. Pronto, já decidi eu vou ficar com a Fabi, vou pegar minha filha e ficar com ela. Quanto à minha filha eu vou explicando quando estiver crescendo, espero que eu esteja fazendo a coisa certa! Agora é tomar coragem e falar com o Edgard.”
“(Vinte e oito de fevereiro, 1997) Hoje quando a Renata estava na escola, chamei a Fabi aqui em casa, e falei que estava disposta a ficar com ela, desde que aceitasse que minha filha viesse comigo, ela disse que tudo bem, que o que importa é estar comigo, eu disse que só precisava de um tempo para poder falar com o Edgard, ela falou que me esperaria. A cada dia que passa gosto mais dela, é tão compreensiva, dava para ver o amor dela nos olhos enquanto falava.”
“(Três de março, 1997) Peguei o Edgard lendo o meu diário, ele está calado, mal fala comigo, sei que está magoado, amanhã eu vou falar com ele, acho que chegou a hora da verdade. Do jeito que está não dá pra continuar”.
“(Quatro de março, 1997) Hoje eu falei com o Edgard, ele disse que não vai deixar me separar dele por causa de outra mulher, tenho que dar um jeito de me separar, mas estou com medo, ele está muito estranho nunca o vi desse jeito, estou assustada, temo que ele faça alguma besteira”.
“(Cinco de março, 1997) Hoje fui falar com o Edgard, ele disse que não permitirá que eu saia de casa para ficar com outra mulher, ele disse que é capaz de fazer qualquer coisa para que isso não aconteça.”
“(Oito de março, 1997) Esse fim de semana peguei a Renata, e vim para a casa dos meus pais, vou passar o fim de semana aqui, estou com medo que ele faça alguma besteira, ele me disse que seria capaz de matar para que eu não vá morar com outra com mulher.”
“(Dez de março, 1997) Hoje cedo eu vim para casa com a Renata, mais uma vez ele falou em morte, estou ficando realmente assustada, não sei mais quem é o homem que mora aqui em casa”.
Ela morreu no dia onze de março. Não! Ele não podia ter feito isso. Ele não podia ter sido capaz de fazer isso, ele ser preconceituoso é uma coisa, mas daí ele ser um assassino? Não, isso é impossível.
Fui falar com minha madrinha, ver o que ela sabe sobre a morte da minha mãe.
-Madrinha, cadê você? - Chamei.
-Tô aqui no quarto, vem cá. - Ouvi.
-Madrinha, posso perguntar uma coisa? - Disse entrando no quarto e sentando na beira da cama dela.
-Pode, o que? - Disse, curiosa.
-Minha mãe, você sabe como ela morreu? - Perguntei de uma vez.
Ela hesitou, por um momento eu fiquei com medo da resposta, medo de que minha suspeita estivesse certa.
-Rê, sua mãe foi encontrada morta, ela... Ela se suicidou.
-Que? - Fiquei em choque.
-É, quando seu pai chegou em casa, ele entrou no quarto e a encontrou morta.
-E eu? Onde eu estava?
-Eu tinha te pego, íamos ao cinema, e quando eu soube o que aconteceu, decidi que você passaria a noite aqui.
-Mas porque bem naquele dia a gente foi no cinema?
-Sua mãe estava querendo se separar do seu pai, então ele, que não queria se separar, pediu para eu sair com você porque queria conversar com sua mãe para tentar fazer as pazes com ela, então seu pai me pediu para sair com você. Ai, depois eu liguei para sua mãe e seu pai atendeu e me disse o que aconteceu, ai eu achei melhor que você dormisse aqui.
-Então quer dizer que meu pai pediu para você sair comigo?
-Aham, por quê?
-Por nada. - Disfarcei.
-Mas porque essa curiosidade agora? - Perguntou sem entender.
-Nada, é que eu cresci sem saber direito o que tinha acontecido, então eu fiquei curiosa, só isso.
-Ah, então o que aconteceu foi isso.
-Obrigada madrinha.
-Se tiver mais alguma duvida é só perguntar.
-Tá bem. Bom, agora eu vou dormir porque amanhã eu acordo cedo. Boa noite.
-Boa noite, até amanhã.
No dia seguinte, na escola, fui falar com a Leandra, ver o que ela achava sobre aquilo que eu tinha descoberto.
-Leandra vem cá, eu preciso falar com você, urgente!
-Que foi? O que aconteceu? - Ela disse preocupada.
-Vamos pra sala.
-Nossa, o que aconteceu?
Quando chegamos à sala, a Leandra perguntou novamente.
- Me fala o que aconteceu, você ta me assustando.
-Assustada estou eu. - Confessei
-Por quê?
-Eu acho que meu pai matou minha mãe. - Falei pra ela o que tava na minha cabeça a noite toda.
-Do que você está falando? Da onde você tirou isso?
-Minha mãe ia se separar do meu pai pra ficar com uma mulher, mas ele não queria e até ameaçou ela de morte e...
-Calma, respira. Agora me fala: aonde você viu isso? Quem te falou isso? - Ela me interrompeu.
-Eu li no diário.
-Então você está dizendo que sua mãe gostava de outra mulher?
-Isso.
-Como mulher? - Perguntou, achando que tinha entendido errado.
-É.
-Como você gosta? - Confirmando
-É. Minha mãe era lésbica ou bi, sei lá, o que importa é que eu acho que meu pai a matou.
-Você não está se precipitando?
-O que eu li, ficou muito claro. Assim eu não to afirmando que foi ele, mas acho que foi. Mas não tenho certeza, não dormi, isso ficou na minha cabeça a noite toda.
-E o que você pretende fazer?
-Não sei, tava pensando em ir falar com a tal Fabiana.
-Quem é essa? É a mulher que tua mãe gostava?
-É.
-Mas o que te disseram sobre a morte da sua mãe?
-Até ontem, não tinham me falado nada, só que minha mãe tinha morrido. Aí depois que li o diário da minha mãe, fui falar com minha madrinha, ela disse que foi suicídio, mas eu tenho minhas duvidas, porque meu pai pediria pra minha madrinha sair comigo bem naquele dia?
-Você vai falar com ela mesmo? É certeza?
-É.
-Mas como você vai achar ela?
-No diário tinha o endereço dela, eu vou ver se ela ainda mora lá. - Disse, esperançosa.
-Quer que eu vá junto?
-Se você puder ir, vai ser ótimo. Mas se não puder eu vou entender, você não tem obrigação de ir.
-Não, claro que eu vou. Eu sou sua amiga, to aqui pra te ajudar. Você vai lá quando?
-Valeu. Quero ir lá hoje, assim que sair daqui.
-Beleza eu ligo pra minha mãe e aviso que vou chegar mais tarde.
-Obrigada.
Quando estava na hora da saída, fui falar com a Leandra:
-E ai, vamos lá?
-Vamos, está com o endereço ai?
-Estou.
Quando chegamos à casa da Fabiana, a Leandra perguntou:
-Será que ela ainda mora ai?
-Assim espero, ela é minha esperança, por que sei que minha mãe não se matou, ela era tão alegre, tão sorridente, não é possível ela ter se matado.
-E você prefere acreditar que seu pai a matou?
-Na verdade não, ele pode ser preconceituoso, mas não assassino, não! Pelo que minha mãe dizia no diário ele gostava demais dela, não acredito que tenha matado ela.
-Então quem você acha que matou ela?
-Sei lá, minha cabeça ta muito confusa. Essa é a casa. - Apontei pra uma casa pequena, com um portão branco, mas já desgastado pelo tempo, uma casa que apesar de pequena, aparentava ter sido bonita.
-Deixa que eu toco a campainha. - Ela se ofereceu.
Leandra tocou a campainha e quem atendeu foi uma menina de mais ou menos uns nove anos.
-Pois não? - Ela me atendeu.
-Por favor, aqui mora a Fabiana Andrade? - Perguntei, ansiosa.
“(Três de fevereiro, 1997) Hoje, eu encontrei aquela pessoa, não sei o que fazer, estou cada dia mais confusa”.
Pessoa? Que pessoa?
“(Quatro de fevereiro, 1997) Hoje, ela veio aqui quando o Edgard estava no serviço e a Renata na escola, conversamos e ela finalmente se declarou pra mim, disse que está gostando de mim, e que sabe que eu também gosto dela, disse que se eu a quiser assume a mim e a minha filha. Ela tinha um olhar tão doce quando falava comigo, deu vontade de jogar tudo para o alto e ficar com ela... Mas eu não posso pensar só em mim, eu tenho uma filha que eu tenho que pensar o que é melhor pra ela, eu tenho que pensar no que isso pode afetar a vida da minha princesa, e tem o Edgard também. Porque tudo tem que ser tão complicado?”.
Não estava entendendo mais nada, minha mãe gostava de garotas? Será que eu entendi errado?
“(Quinze de fevereiro, 1997) A Fabiana veio falar comigo de novo, eu gosto tanto dela, e sei que ela também gosta de mim, mas eu tenho medo do que possa acontecer com a minha filha, tenho medo que ela não entenda e se vire contra mim, mas o que eu sinto pela Fabi é tão forte.”
“(Vinte e sete de fevereiro, 1997) O Edgard está muito agressivo, a bebida está acabando com ele, o que está me dando mais vontade de ficar de vez com a Fabi. Pronto, já decidi eu vou ficar com a Fabi, vou pegar minha filha e ficar com ela. Quanto à minha filha eu vou explicando quando estiver crescendo, espero que eu esteja fazendo a coisa certa! Agora é tomar coragem e falar com o Edgard.”
“(Vinte e oito de fevereiro, 1997) Hoje quando a Renata estava na escola, chamei a Fabi aqui em casa, e falei que estava disposta a ficar com ela, desde que aceitasse que minha filha viesse comigo, ela disse que tudo bem, que o que importa é estar comigo, eu disse que só precisava de um tempo para poder falar com o Edgard, ela falou que me esperaria. A cada dia que passa gosto mais dela, é tão compreensiva, dava para ver o amor dela nos olhos enquanto falava.”
“(Três de março, 1997) Peguei o Edgard lendo o meu diário, ele está calado, mal fala comigo, sei que está magoado, amanhã eu vou falar com ele, acho que chegou a hora da verdade. Do jeito que está não dá pra continuar”.
“(Quatro de março, 1997) Hoje eu falei com o Edgard, ele disse que não vai deixar me separar dele por causa de outra mulher, tenho que dar um jeito de me separar, mas estou com medo, ele está muito estranho nunca o vi desse jeito, estou assustada, temo que ele faça alguma besteira”.
“(Cinco de março, 1997) Hoje fui falar com o Edgard, ele disse que não permitirá que eu saia de casa para ficar com outra mulher, ele disse que é capaz de fazer qualquer coisa para que isso não aconteça.”
“(Oito de março, 1997) Esse fim de semana peguei a Renata, e vim para a casa dos meus pais, vou passar o fim de semana aqui, estou com medo que ele faça alguma besteira, ele me disse que seria capaz de matar para que eu não vá morar com outra com mulher.”
“(Dez de março, 1997) Hoje cedo eu vim para casa com a Renata, mais uma vez ele falou em morte, estou ficando realmente assustada, não sei mais quem é o homem que mora aqui em casa”.
Ela morreu no dia onze de março. Não! Ele não podia ter feito isso. Ele não podia ter sido capaz de fazer isso, ele ser preconceituoso é uma coisa, mas daí ele ser um assassino? Não, isso é impossível.
Fui falar com minha madrinha, ver o que ela sabe sobre a morte da minha mãe.
-Madrinha, cadê você? - Chamei.
-Tô aqui no quarto, vem cá. - Ouvi.
-Madrinha, posso perguntar uma coisa? - Disse entrando no quarto e sentando na beira da cama dela.
-Pode, o que? - Disse, curiosa.
-Minha mãe, você sabe como ela morreu? - Perguntei de uma vez.
Ela hesitou, por um momento eu fiquei com medo da resposta, medo de que minha suspeita estivesse certa.
-Rê, sua mãe foi encontrada morta, ela... Ela se suicidou.
-Que? - Fiquei em choque.
-É, quando seu pai chegou em casa, ele entrou no quarto e a encontrou morta.
-E eu? Onde eu estava?
-Eu tinha te pego, íamos ao cinema, e quando eu soube o que aconteceu, decidi que você passaria a noite aqui.
-Mas porque bem naquele dia a gente foi no cinema?
-Sua mãe estava querendo se separar do seu pai, então ele, que não queria se separar, pediu para eu sair com você porque queria conversar com sua mãe para tentar fazer as pazes com ela, então seu pai me pediu para sair com você. Ai, depois eu liguei para sua mãe e seu pai atendeu e me disse o que aconteceu, ai eu achei melhor que você dormisse aqui.
-Então quer dizer que meu pai pediu para você sair comigo?
-Aham, por quê?
-Por nada. - Disfarcei.
-Mas porque essa curiosidade agora? - Perguntou sem entender.
-Nada, é que eu cresci sem saber direito o que tinha acontecido, então eu fiquei curiosa, só isso.
-Ah, então o que aconteceu foi isso.
-Obrigada madrinha.
-Se tiver mais alguma duvida é só perguntar.
-Tá bem. Bom, agora eu vou dormir porque amanhã eu acordo cedo. Boa noite.
-Boa noite, até amanhã.
No dia seguinte, na escola, fui falar com a Leandra, ver o que ela achava sobre aquilo que eu tinha descoberto.
-Leandra vem cá, eu preciso falar com você, urgente!
-Que foi? O que aconteceu? - Ela disse preocupada.
-Vamos pra sala.
-Nossa, o que aconteceu?
Quando chegamos à sala, a Leandra perguntou novamente.
- Me fala o que aconteceu, você ta me assustando.
-Assustada estou eu. - Confessei
-Por quê?
-Eu acho que meu pai matou minha mãe. - Falei pra ela o que tava na minha cabeça a noite toda.
-Do que você está falando? Da onde você tirou isso?
-Minha mãe ia se separar do meu pai pra ficar com uma mulher, mas ele não queria e até ameaçou ela de morte e...
-Calma, respira. Agora me fala: aonde você viu isso? Quem te falou isso? - Ela me interrompeu.
-Eu li no diário.
-Então você está dizendo que sua mãe gostava de outra mulher?
-Isso.
-Como mulher? - Perguntou, achando que tinha entendido errado.
-É.
-Como você gosta? - Confirmando
-É. Minha mãe era lésbica ou bi, sei lá, o que importa é que eu acho que meu pai a matou.
-Você não está se precipitando?
-O que eu li, ficou muito claro. Assim eu não to afirmando que foi ele, mas acho que foi. Mas não tenho certeza, não dormi, isso ficou na minha cabeça a noite toda.
-E o que você pretende fazer?
-Não sei, tava pensando em ir falar com a tal Fabiana.
-Quem é essa? É a mulher que tua mãe gostava?
-É.
-Mas o que te disseram sobre a morte da sua mãe?
-Até ontem, não tinham me falado nada, só que minha mãe tinha morrido. Aí depois que li o diário da minha mãe, fui falar com minha madrinha, ela disse que foi suicídio, mas eu tenho minhas duvidas, porque meu pai pediria pra minha madrinha sair comigo bem naquele dia?
-Você vai falar com ela mesmo? É certeza?
-É.
-Mas como você vai achar ela?
-No diário tinha o endereço dela, eu vou ver se ela ainda mora lá. - Disse, esperançosa.
-Quer que eu vá junto?
-Se você puder ir, vai ser ótimo. Mas se não puder eu vou entender, você não tem obrigação de ir.
-Não, claro que eu vou. Eu sou sua amiga, to aqui pra te ajudar. Você vai lá quando?
-Valeu. Quero ir lá hoje, assim que sair daqui.
-Beleza eu ligo pra minha mãe e aviso que vou chegar mais tarde.
-Obrigada.
Quando estava na hora da saída, fui falar com a Leandra:
-E ai, vamos lá?
-Vamos, está com o endereço ai?
-Estou.
Quando chegamos à casa da Fabiana, a Leandra perguntou:
-Será que ela ainda mora ai?
-Assim espero, ela é minha esperança, por que sei que minha mãe não se matou, ela era tão alegre, tão sorridente, não é possível ela ter se matado.
-E você prefere acreditar que seu pai a matou?
-Na verdade não, ele pode ser preconceituoso, mas não assassino, não! Pelo que minha mãe dizia no diário ele gostava demais dela, não acredito que tenha matado ela.
-Então quem você acha que matou ela?
-Sei lá, minha cabeça ta muito confusa. Essa é a casa. - Apontei pra uma casa pequena, com um portão branco, mas já desgastado pelo tempo, uma casa que apesar de pequena, aparentava ter sido bonita.
-Deixa que eu toco a campainha. - Ela se ofereceu.
Leandra tocou a campainha e quem atendeu foi uma menina de mais ou menos uns nove anos.
-Pois não? - Ela me atendeu.
-Por favor, aqui mora a Fabiana Andrade? - Perguntei, ansiosa.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
CAPITULO 7
À tarde eu me encontrei com a Leandra, para ir comigo até a casa do meu pai.
-E ai Leandra, beleza?
-De boa, vamos lá?
-Bora, vem cá, você ta mais calminha? – Provoquei
-Já disse, pra esquecer essa história. – Respondeu com raiva.
-Tá bom.
-Mas e ai? Seu pai vai estar lá?
-Só se eu tiver muito azar, essa hora ele deve estar no trabalho, por isso eu to indo lá agora.
-Hum, tem muita coisa lá?
-Um pouco, é que eu quero pegar umas coisas da minha mãe, além das minhas coisas, mas dá pra gente pegar de boa.
-Beleza. Olha quem ta vindo ai.
-Ô azar.
A Fernanda passou por nós sem sequer olhar para nossa cara, estava claro que estava magoada, e com razão.
-Educação mandou lembranças. - Falei tentando descontrair.
-Você sabe por que ela está assim!!! - A Leandra me intimou.
-Sei e não to a fim de lembrar. - Finalizei.
-Ok.
Quando chegamos na casa do meu pai entramos.
-Entra ai. Meu quarto é lá em cima. - Informei.
-Ah, então é aqui que fazia as suas safadezas com as garotas, né? - Brincou.
-Eu? Imagina, eu sou tão pura!! - Ironizei.
-Anham, eu conheço muito bem a sua pureza, não só a pureza por sinal.
-E bem que você gostou, ou você acha que eu não me lembro do seu recadinho? - Debochei.
-Você me perverteu, eu era uma moça pura, que nunca tinha feito nada daquilo, ai você me levou pro mau caminho. - Disse, rindo.
-Não fala muito não, porque se o sinal não tivesse batido você não ia parar, não. - Lembrei ela.
-E você está se achando, né?
Ela começou a fazer cócegas em mim.
-Não, cócegas é golpe baixo. Pára, pára filha da mãe, pára...
Ela estava fazendo cócegas em mim, nossos rostos se aproximaram, até que nossas bocas ficaram próximas, senti vontade de beijá-la, mas quando eu fui ela se afastou ficando sem graça e disse:
-Olha, de boa, não vamos mais confundir a amizade, é melhor deixar a amizade como amizade, e só, deixar o que aconteceu no passado, é melhor.
-Tá bom, se você prefere assim. Mas antes você não se importava. - Disse sem entender muito o que tava acontecendo.
-Mas agora é diferente. - Ela disse sem tirar minha dúvida.
-Por quê? - Perguntei.
-Se eu disser você vai ficar nervosinha. - Ela Afirmou.
-Você ia fala da Fernanda, né?
-Anham. - Consentiu.
-Cara, quantas vezes eu vou ter que repetir que eu não gosto dela?
-Quantas você quiser, eu não vou acreditar mesmo.
-Ô meu ovo. - Exclamei.
-Isso aqui vai? - Perguntou, apontando uma caixa no canto.
-Deixa eu ver, nossa diários, não sabia que minha mãe escrevia em diário, e esse é do ano que ela morreu. - Fiquei surpresa.
-Você nunca mexeu nisso aqui?
-Não, só guardava, pra ter alguma coisa dela perto de mim, mas nunca mexi, sempre me esquecia, também isso ta ai desde que eu era criança. - Expliquei.
-Vai?
-Claro, depois eu vou ler. - Afirmei.
-E ai Leandra, beleza?
-De boa, vamos lá?
-Bora, vem cá, você ta mais calminha? – Provoquei
-Já disse, pra esquecer essa história. – Respondeu com raiva.
-Tá bom.
-Mas e ai? Seu pai vai estar lá?
-Só se eu tiver muito azar, essa hora ele deve estar no trabalho, por isso eu to indo lá agora.
-Hum, tem muita coisa lá?
-Um pouco, é que eu quero pegar umas coisas da minha mãe, além das minhas coisas, mas dá pra gente pegar de boa.
-Beleza. Olha quem ta vindo ai.
-Ô azar.
A Fernanda passou por nós sem sequer olhar para nossa cara, estava claro que estava magoada, e com razão.
-Educação mandou lembranças. - Falei tentando descontrair.
-Você sabe por que ela está assim!!! - A Leandra me intimou.
-Sei e não to a fim de lembrar. - Finalizei.
-Ok.
Quando chegamos na casa do meu pai entramos.
-Entra ai. Meu quarto é lá em cima. - Informei.
-Ah, então é aqui que fazia as suas safadezas com as garotas, né? - Brincou.
-Eu? Imagina, eu sou tão pura!! - Ironizei.
-Anham, eu conheço muito bem a sua pureza, não só a pureza por sinal.
-E bem que você gostou, ou você acha que eu não me lembro do seu recadinho? - Debochei.
-Você me perverteu, eu era uma moça pura, que nunca tinha feito nada daquilo, ai você me levou pro mau caminho. - Disse, rindo.
-Não fala muito não, porque se o sinal não tivesse batido você não ia parar, não. - Lembrei ela.
-E você está se achando, né?
Ela começou a fazer cócegas em mim.
-Não, cócegas é golpe baixo. Pára, pára filha da mãe, pára...
Ela estava fazendo cócegas em mim, nossos rostos se aproximaram, até que nossas bocas ficaram próximas, senti vontade de beijá-la, mas quando eu fui ela se afastou ficando sem graça e disse:
-Olha, de boa, não vamos mais confundir a amizade, é melhor deixar a amizade como amizade, e só, deixar o que aconteceu no passado, é melhor.
-Tá bom, se você prefere assim. Mas antes você não se importava. - Disse sem entender muito o que tava acontecendo.
-Mas agora é diferente. - Ela disse sem tirar minha dúvida.
-Por quê? - Perguntei.
-Se eu disser você vai ficar nervosinha. - Ela Afirmou.
-Você ia fala da Fernanda, né?
-Anham. - Consentiu.
-Cara, quantas vezes eu vou ter que repetir que eu não gosto dela?
-Quantas você quiser, eu não vou acreditar mesmo.
-Ô meu ovo. - Exclamei.
-Isso aqui vai? - Perguntou, apontando uma caixa no canto.
-Deixa eu ver, nossa diários, não sabia que minha mãe escrevia em diário, e esse é do ano que ela morreu. - Fiquei surpresa.
-Você nunca mexeu nisso aqui?
-Não, só guardava, pra ter alguma coisa dela perto de mim, mas nunca mexi, sempre me esquecia, também isso ta ai desde que eu era criança. - Expliquei.
-Vai?
-Claro, depois eu vou ler. - Afirmei.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
CAPITULO 6
No dia seguinte, não sabia o que ia acontecer.
-Oi Lê, beleza? - Cumprimentei.
-Beleza, vem cá e me conta tudo o que aconteceu. - Pediu.
-O que aconteceu é que eu fui ao outro banheiro porque o do salão estava cheio e eu apertada, e ela teve a mesma idéia, só que a porta emperrou, e a gente não conseguiu sair, e acabou que a gente transou, e foi isso.
-Ah simples assim? - Ironizou.
-É.
-Nossa você fala como se fosse uma coisa comum.
-Eu preciso te lembrar do que aconteceu no meu primeiro dia na escola? - Perguntei intimidando
-Não, mas é diferente.
-Por quê? - Não via muita coisa diferente.
-Porque a gente não ficava implicando uma com a outra, como você e a Fernanda, só por isso. Falando nela, está vindo pra cá. - Me avisou.
Quando eu me virei eu a vi.
-Oi Rê, tudo bem? - Me cumprimentou.
-De boa, e você? - Respondi seca.
-Tô bem. Você saiu de casa mesmo? - Perguntou, preocupada.
-Anham. Tipo agora dá licença eu tenho umas coisas pra conversar com ela, tá? Tchau. - Impedi a conversa de continuar.
-Tchau. - Ela respondeu sem graça.
-Vamos, Lê? Ou você fez a lição de matemática? Com essa confusão toda eu não fiz. - Mudei de assunto.
-Fiz, vamos pra sala que eu te empresto. - A Leandra entendeu que eu queria ficar longe da Fernanda.
Fomos pra sala de aula falando da lição. Mas quando chegamos lá ela me falou o que estava segurando, e o que eu sabia que ela ia comentar.
-Nossa, que gelo que você deu na Fernanda! - Comentou.
-Você queria que eu a agarrasse do pátio? - Perguntei, irônica.
-Meu, você transou com a garota, e depois dá esse gelo nela? Você podia ter sido mais simpática, pelo menos. - Ela intercedeu.
-Ta defendendo ela agora? - Estranhei.
-Não, eu só acho que você foi muito fria. Eu não gosto dela, mas...
-Mas o que? Mas que é por minha causa que eu e ela viramos o assunto da escola? É, eu sei não precisa me dizer, por isso que eu me afastei de uma vez. Agora, dá pra mudar de assunto? Já basta minha madrinha me enchendo com isso, você também? - Bronqueei.
-Tá, não falo mais nada. Mas a escola toda vai falar, aliás, já está falando.
-Danem-se eles. - Rosnei.
-Licença? - Chamaram da porta.
-Fernanda? - Estranhei.
-Renata, a gente pode conversar? - Ela pediu.
-Eu to saindo, depois a gente se fala Rê. - Saiu à Francesa.
-Beleza. - Concordei.
-Tchauzinho. Juízo vocês duas. - Debochou.
-HAHAHA, muito engraçado. Que foi? Aconteceu alguma coisa? - Perguntei, preocupada.
-Porque você me tratou daquele jeito lá embaixo? - Perguntou ela, ofendida.
-Que jeito? Te tratei como sempre, até melhor. - Desfiz da mágoa dela.
-Mas depois do que aconteceu eu achei que a gente fosse parar com essa implicância ridícula. - Confessou.
-Olha o que aconteceu, já foi, passado. Ou você queria que eu me atirasse aos seus pés jurando amor eterno? - Ironizei.
-Não, Renata. Eu esperava um pouco de bom senso. Mas que idéia você não sabe nem o que isso significa. E eu achando que você fosse crescer um pouco, me enganei. O que é uma pena. - Ela disse magoada.
-Pois é, algumas coisas não mudam. - Retruquei.
-Não sei nem porque eu to perdendo meu tempo aqui com você.
-Eu também não sei. – Ela saiu.
Fiquei pensando na Fernanda, me sentindo uma filha da puta por ter tratado ela daquele jeito. Mas tempo, menos tempo ela ia perceber que o que eu fiz foi pra ajudar ela. Mas porque eu estava preocupada com ela.
Depois a Leandra chegou.
- E ai? Como foi a conversa?
-Ãhn? - Não tinha prestado atenção nela.
-A conversa, como foi?
-Foi normal, tudo voltou a ser como antes. - Esclareci.
-Você fez que besteira agora? - Me questionou.
-Meu eu não te entendo! Você odeia a menina e agora você está defendendo ela? - Perguntei.
-Olha, eu odeio ter que admitir isso, mas é óbvio que você ta afim dela e ela de você. - Admitiu.
-Puta merda, até você? - Rosnei.
-Até eu o que? - Perguntou sem entender.
-Inventando que eu gosto dela.
-Por quê? Quem mais falou isso? - Quis saber.
-Minha madrinha, ela ta me atazanando isso. - Contei.
-Viu? Nem sou só eu que to falando isso. Pára de se fazer de impenetrável.
-Meu se você continuar insistindo você vai arranjar uma briga comigo. - Ameacei.
-Beleza eu paro, mas isso não significa que você esteja certa.
-BLÁBLÁBLÁ.
Estava decidida a mostrar para Leandra que não estava apaixonada por Fernanda. Ia dar mais uma dose do mesmo que dei a ela no primeiro dia de aula.
Quando chegou na hora do intervalo fui falar com a Leandra.
-Lê, vamos hoje lá na casa do meu pai, que eu tenho que pegar minhas coisas que ficaram lá! - Pedi.
-Vamos sim. Que horas?
-Sei lá, umas duas, pode ser?
-Pode.
Na hora da Educação Física, chamei a Leandra pra tentar provar pra ela que não estava gostando da Fernanda. Nós estávamos perto do banheiro, e no corredor estava passando algumas pessoas, chamei ela pra dentro.
-Lê, Chega ai. - Chamei.
-Que foi? - Quis saber
-Vem cá.
-Que foi?
Nessa hora apontei para a cabine.
-Entra aqui. - Pedi.
-O que você está pretendendo? - Perguntou, desconfiada.
-Entra.
Ela entrou na cabine eu entrei logo em seguida, sem hesitar eu joguei ela contra a parede e comecei a beijá-la, ela correspondeu ao meu beijo, sem pensar duas vezes tirei sua blusa, mas quando menos esperava ela me afastou sem dizer nada e começou a se vestir.
-Que foi? Não gostou? - Perguntei sem entender.
-Isso não está certo. - Ela me censurou.
-Por quê?
-Isso não devia ter acontecido.
-Espera ai, vem cá. O que aconteceu? Me explica, eu to sem entender nada.
Ela terminou de se vestir e saiu sem dizer mais nada. Logo em seguida eu me arrumei e sai para saber o que houve.
-Leandra? Espera, vamos conversar. - Pedi.
-Cara, aquilo foi um erro, não devia ter acontecido. - Disse, arrependida.
-Mas por quê? Você queria, eu queria, o que tem de errado?
-Não, você não queria, você queria provar que eu estava errada.
-Isso não é verdade. - Menti.
-Lógico que é, e eu não vou permitir isso. Até por que... - Mas ela não terminou de me dizer o motivo.
-Até por que o que? – Insisti para ela me dizer o que estava acontecendo.
-Nada.
-Fala. Até porque o que? - Insisti.
-O que importa é que você gosta da Fernanda, e ela gosta de você. Agora, pára de besteira e vai atrás dela. - Me intimou.
-Não era isso o que você ia falar. - Afirmei.
-Mas é isso que importa.
-Que isso? Deu pra esconder coisa de mim agora? - Estranhei.
-Você só não vê porque não quer. Agora vai atrás da Fernanda e se declara de uma vez.- Disse isso deixando claro que o assunto ta acabado.
-Você está muito estranha.
-Você pode falar o que quiser, mas você gosta dela. Pára de ser hipócrita.
-Aff, você está muito estranha mesmo, você nunca falou assim comigo.
-Olha deixa esse assunto pra lá, é melhor.
-Meu se você está com algum problema comigo, me fala. Senão eu não posso te ajudar.
-Olha, eu já falei, deixa isso pra lá, esquece que a gente teve essa conversa, melhor esquece tudo que aconteceu até agora.
-Você tem certeza?
-Tenho.
-Bom você que sabe, se você quiser conversar eu to aqui, eu sou tua amiga, pode vir falar comigo o que for.
-Valeu, mas eu to bem, é só que tudo o que aconteceu foi um erro, não devia ter acontecido, porque você pode negar, mas você gosta dela e não é transando comigo que vai mudar o que eu penso.
-Pois o que você pensa está errado, então deixa isso lá.
-Tá bom, agora vamos que o sinal já está pra tocar.
-Beleza.
Não sabia o que tava acontecendo com a Leandra, ela tava estranha comigo e eu nem sabia o porquê.
-Oi Lê, beleza? - Cumprimentei.
-Beleza, vem cá e me conta tudo o que aconteceu. - Pediu.
-O que aconteceu é que eu fui ao outro banheiro porque o do salão estava cheio e eu apertada, e ela teve a mesma idéia, só que a porta emperrou, e a gente não conseguiu sair, e acabou que a gente transou, e foi isso.
-Ah simples assim? - Ironizou.
-É.
-Nossa você fala como se fosse uma coisa comum.
-Eu preciso te lembrar do que aconteceu no meu primeiro dia na escola? - Perguntei intimidando
-Não, mas é diferente.
-Por quê? - Não via muita coisa diferente.
-Porque a gente não ficava implicando uma com a outra, como você e a Fernanda, só por isso. Falando nela, está vindo pra cá. - Me avisou.
Quando eu me virei eu a vi.
-Oi Rê, tudo bem? - Me cumprimentou.
-De boa, e você? - Respondi seca.
-Tô bem. Você saiu de casa mesmo? - Perguntou, preocupada.
-Anham. Tipo agora dá licença eu tenho umas coisas pra conversar com ela, tá? Tchau. - Impedi a conversa de continuar.
-Tchau. - Ela respondeu sem graça.
-Vamos, Lê? Ou você fez a lição de matemática? Com essa confusão toda eu não fiz. - Mudei de assunto.
-Fiz, vamos pra sala que eu te empresto. - A Leandra entendeu que eu queria ficar longe da Fernanda.
Fomos pra sala de aula falando da lição. Mas quando chegamos lá ela me falou o que estava segurando, e o que eu sabia que ela ia comentar.
-Nossa, que gelo que você deu na Fernanda! - Comentou.
-Você queria que eu a agarrasse do pátio? - Perguntei, irônica.
-Meu, você transou com a garota, e depois dá esse gelo nela? Você podia ter sido mais simpática, pelo menos. - Ela intercedeu.
-Ta defendendo ela agora? - Estranhei.
-Não, eu só acho que você foi muito fria. Eu não gosto dela, mas...
-Mas o que? Mas que é por minha causa que eu e ela viramos o assunto da escola? É, eu sei não precisa me dizer, por isso que eu me afastei de uma vez. Agora, dá pra mudar de assunto? Já basta minha madrinha me enchendo com isso, você também? - Bronqueei.
-Tá, não falo mais nada. Mas a escola toda vai falar, aliás, já está falando.
-Danem-se eles. - Rosnei.
-Licença? - Chamaram da porta.
-Fernanda? - Estranhei.
-Renata, a gente pode conversar? - Ela pediu.
-Eu to saindo, depois a gente se fala Rê. - Saiu à Francesa.
-Beleza. - Concordei.
-Tchauzinho. Juízo vocês duas. - Debochou.
-HAHAHA, muito engraçado. Que foi? Aconteceu alguma coisa? - Perguntei, preocupada.
-Porque você me tratou daquele jeito lá embaixo? - Perguntou ela, ofendida.
-Que jeito? Te tratei como sempre, até melhor. - Desfiz da mágoa dela.
-Mas depois do que aconteceu eu achei que a gente fosse parar com essa implicância ridícula. - Confessou.
-Olha o que aconteceu, já foi, passado. Ou você queria que eu me atirasse aos seus pés jurando amor eterno? - Ironizei.
-Não, Renata. Eu esperava um pouco de bom senso. Mas que idéia você não sabe nem o que isso significa. E eu achando que você fosse crescer um pouco, me enganei. O que é uma pena. - Ela disse magoada.
-Pois é, algumas coisas não mudam. - Retruquei.
-Não sei nem porque eu to perdendo meu tempo aqui com você.
-Eu também não sei. – Ela saiu.
Fiquei pensando na Fernanda, me sentindo uma filha da puta por ter tratado ela daquele jeito. Mas tempo, menos tempo ela ia perceber que o que eu fiz foi pra ajudar ela. Mas porque eu estava preocupada com ela.
Depois a Leandra chegou.
- E ai? Como foi a conversa?
-Ãhn? - Não tinha prestado atenção nela.
-A conversa, como foi?
-Foi normal, tudo voltou a ser como antes. - Esclareci.
-Você fez que besteira agora? - Me questionou.
-Meu eu não te entendo! Você odeia a menina e agora você está defendendo ela? - Perguntei.
-Olha, eu odeio ter que admitir isso, mas é óbvio que você ta afim dela e ela de você. - Admitiu.
-Puta merda, até você? - Rosnei.
-Até eu o que? - Perguntou sem entender.
-Inventando que eu gosto dela.
-Por quê? Quem mais falou isso? - Quis saber.
-Minha madrinha, ela ta me atazanando isso. - Contei.
-Viu? Nem sou só eu que to falando isso. Pára de se fazer de impenetrável.
-Meu se você continuar insistindo você vai arranjar uma briga comigo. - Ameacei.
-Beleza eu paro, mas isso não significa que você esteja certa.
-BLÁBLÁBLÁ.
Estava decidida a mostrar para Leandra que não estava apaixonada por Fernanda. Ia dar mais uma dose do mesmo que dei a ela no primeiro dia de aula.
Quando chegou na hora do intervalo fui falar com a Leandra.
-Lê, vamos hoje lá na casa do meu pai, que eu tenho que pegar minhas coisas que ficaram lá! - Pedi.
-Vamos sim. Que horas?
-Sei lá, umas duas, pode ser?
-Pode.
Na hora da Educação Física, chamei a Leandra pra tentar provar pra ela que não estava gostando da Fernanda. Nós estávamos perto do banheiro, e no corredor estava passando algumas pessoas, chamei ela pra dentro.
-Lê, Chega ai. - Chamei.
-Que foi? - Quis saber
-Vem cá.
-Que foi?
Nessa hora apontei para a cabine.
-Entra aqui. - Pedi.
-O que você está pretendendo? - Perguntou, desconfiada.
-Entra.
Ela entrou na cabine eu entrei logo em seguida, sem hesitar eu joguei ela contra a parede e comecei a beijá-la, ela correspondeu ao meu beijo, sem pensar duas vezes tirei sua blusa, mas quando menos esperava ela me afastou sem dizer nada e começou a se vestir.
-Que foi? Não gostou? - Perguntei sem entender.
-Isso não está certo. - Ela me censurou.
-Por quê?
-Isso não devia ter acontecido.
-Espera ai, vem cá. O que aconteceu? Me explica, eu to sem entender nada.
Ela terminou de se vestir e saiu sem dizer mais nada. Logo em seguida eu me arrumei e sai para saber o que houve.
-Leandra? Espera, vamos conversar. - Pedi.
-Cara, aquilo foi um erro, não devia ter acontecido. - Disse, arrependida.
-Mas por quê? Você queria, eu queria, o que tem de errado?
-Não, você não queria, você queria provar que eu estava errada.
-Isso não é verdade. - Menti.
-Lógico que é, e eu não vou permitir isso. Até por que... - Mas ela não terminou de me dizer o motivo.
-Até por que o que? – Insisti para ela me dizer o que estava acontecendo.
-Nada.
-Fala. Até porque o que? - Insisti.
-O que importa é que você gosta da Fernanda, e ela gosta de você. Agora, pára de besteira e vai atrás dela. - Me intimou.
-Não era isso o que você ia falar. - Afirmei.
-Mas é isso que importa.
-Que isso? Deu pra esconder coisa de mim agora? - Estranhei.
-Você só não vê porque não quer. Agora vai atrás da Fernanda e se declara de uma vez.- Disse isso deixando claro que o assunto ta acabado.
-Você está muito estranha.
-Você pode falar o que quiser, mas você gosta dela. Pára de ser hipócrita.
-Aff, você está muito estranha mesmo, você nunca falou assim comigo.
-Olha deixa esse assunto pra lá, é melhor.
-Meu se você está com algum problema comigo, me fala. Senão eu não posso te ajudar.
-Olha, eu já falei, deixa isso pra lá, esquece que a gente teve essa conversa, melhor esquece tudo que aconteceu até agora.
-Você tem certeza?
-Tenho.
-Bom você que sabe, se você quiser conversar eu to aqui, eu sou tua amiga, pode vir falar comigo o que for.
-Valeu, mas eu to bem, é só que tudo o que aconteceu foi um erro, não devia ter acontecido, porque você pode negar, mas você gosta dela e não é transando comigo que vai mudar o que eu penso.
-Pois o que você pensa está errado, então deixa isso lá.
-Tá bom, agora vamos que o sinal já está pra tocar.
-Beleza.
Não sabia o que tava acontecendo com a Leandra, ela tava estranha comigo e eu nem sabia o porquê.
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