Fui pra casa com aquilo dando voltas na minha cabeça, será que foi minha madrinha? Não, ela que sempre me ajudou, ela não poderia ter sido capaz de matar minha mãe, sempre foi tão boa comigo.
-Fernanda? – A vi na rua da casa da minha madrinha.
-Oi Rê, tava indo te ver. Ia dar com a cara na porta né?
-É, eu tava na casa da Fabiana.
-Na casa de quem? - Ela disse me fuzilando com os olhos.
-Não precisa ficar com ciúmes. Ela é uma pessoa que está tentando me ajudar no caso da minha mãe. Só isso.
-Ah ta.
-Mas então o que te trouxe aqui hoje?
-Nada, só queria te ver mesmo.
-Que romântico.
-Boba.
-Vamos lá pra casa.
-Mas então essa garota está te ajudando como? – Ela disse com ciúmes.
-Garota? Ah a Fabiana? Ela não é mais garota, ela tem idade pra ser minha mãe, literalmente.
-Como assim?
-É que na verdade ela era meio que uma namorada da minha mãe, minha mãe ia se separar do meu pai pra ficar com a tal Fabiana.
-Me pinta que eu to bege.
-Que? – Não acreditei naquilo, era muito besta.
-Não acredito que sua mãe também era...
-Lésbica? É, também é estranho pra mim.
-Quando você descobriu isso?
-Faz pouco tempo. Mas essa história é comprida, ia precisar de um dia inteiro pra te contar.
-Nossa, não sei nem o que dizer.
-Não precisa dizer nada, essa história é confusa mesmo. Posso te pedir um favor?
-Pode o que?
-Calma ai. Madrinha? Madrinha? Um bilhete?
“Rê, sai pra encontra minha namorada, a gente vai ter uma D.R. mas não demoro, tem comida pronta na geladeira, é só esquentar. Beijos.”
-Ótimo, vem pro meu quarto.
Subimos pro meu quarto, eu fechei a porta.
-Fê, preciso de mais um favor teu.
-Que é? Que cara é essa?
-Olha, pode ser que aconteça alguma coisa comigo...
-Que coisa Renata? Não me deixa nervosa.
-Não sei que coisa, mas se acontecer qualquer coisa, se eu sumir, se você me ouvir gritando, machucada, qualquer coisa, você entendeu? Liga pra esse numero. – Dei um papel com o numero da Fabiana. – Pede pra falar com a Fabiana, e fala o que está acontecendo, seja o que for, liga pra ela e conta tudo.
-Tá, mas Renata me conta o que está acontecendo. Tô preocupada.
-Só o que posso te contar é que eu acho que to perto de descobrir quem matou minha mãe, e se eu tiver certa, posso entrar pelo cano, se é que você me entende.
-Já que é assim, sai dessa Renata, não brinca com sua vida, por favor, por mim.
-Não posso mais sair, já é tarde, agora eu tenho que ir até o fim.
-E isso é tudo que eu posso fazer?
-Você pode torcer pra eu estar errada, ai você não vai ter que se preocupar.
-Só isso?
-Só.
-Renata? – Era a voz da minha madrinha. Tinha chegado a hora de saber o que aconteceu com a gente aquele dia.
-Fica quieta, não faz barulho. – Disse num sussurro pra Fernanda. – Tô aqui madrinha! - Disse, saindo do quarto e fechando a porta.
-Ah, tem alguém em casa?
-Não, por quê?
-Achei que tinha ouvido sua voz, quando cheguei aqui.
-Ah é que eu tava no telefone. – Mostrei o celular.
-Ah ta?
-Mas e então como foi a D.R.?
-Pra variar foi um saco. Ah você deve saber como é D.R.
-Se sei, nunca gostei, é a pior parte do namoro.
-Sem dúvida.
-Mas mudando de assunto: Madrinha, eu estava tentando lembrar do filme que a gente assistiu naquele dia que... A você sabe... Mas, então, eu não lembrei, você lembra?
-Ah o nome eu não lembro, sei que era um de uns cachorrinhos que você estava louca pra assistir. Mas porque você quer saber disso agora?
-Não é só que eu não tava me lembrando.
Filme de cachorrinhos? Aquele filme?
Eu tava sentada com minha madrinha e mais uma mulher do meu lado, parecia ser antes do filme. A gente se levantou pra ir comprar pipoca, mas minha madrinha ta se afastando.
-Rê, a Madrinha vai ir ali rapidinho, compra um presente pra uma amiga, jajá a madrinha vai lá na sala, ta?
-Não madrinha, não quero ficar longe de você.
-É rapidinho, princesa. Vai assistir o filme com a Priscila, daqui a pouco a madrinha vai lá, ta?
-Bem rapidão, né?
-Super rápido, você nem vai perceber que eu sai quando eu voltar. Mas vai lá assistir o filme, você não quer perder né? E se você perder quem vai me contar depois o começo? Por que a Priscila não sabe conta direito a historia do filme. – Ela deu risada, eu sorri também.
-Tá, vamos Tia Prí, é verdade que você não sabe conta historia de filme? E tão fácil! – Eu disse entrando na sala do cinema.
Minha cabeça tava rodando. Não, aquilo não podia estar acontecendo.
-Foi você! – Eu acusei.
-Eu o que?
-Que matou minha mãe. Foi você! E você se passou por minha amiga esses anos todos... Como eu fui tão burra.
-Quem te contou isso? A idiota da Fabiana?
-Porque? Porque fez isso com minha mãe? O que ela te fez?
-Eu amava sua mãe, mas ela era casada, e quando eu ia contar do que eu sentia, a maldita da Fabiana tomou a frente, e tomou sua mãe de mim. Não podia perder sua mãe pro seu pai, nem pra songa monga da Fabiana, eu tinha que fazer alguma coisa pra separar sua mãe deles. – Ela disse com calma, como se fosse normal o que ela estava dizendo.
-E por isso você matou minha mãe? E agora você vai me matar também? É isso? – Gritei, revoltada. A mulher que eu sempre confiei é uma assassina.
-Infelizmente Renata, você não me deixa alternativa, vai ter outro suicídio na família, que coisa né? A filha não conseguiu suportar o suicídio de sua querida mãezinha, e resolveu se juntar a ela. História perfeita olha: A adolescente rebelde descobre que sua mãe se suicidou, e ela fica atormentada com essa história, um dia ela acha a arma que sua madrinha escondia na gaveta da sala, – Ela disse abrindo uma gaveta da estante da sala e tirando uma ama. – e se mata quando a madrinha não está por perto pra impedi-la. Olha que isso vai acabar entrando pra história, “A tragédia familiar”, manchete no jornal e tudo, não é que você vai acaba ficando famosa, Renata?
-Mas vai fazer barulho, e eles vão saber que você já estava em casa.
-Da pra ver que você não entende nada de armas. Esta aqui tem silenciador, ninguém vai ouvir nada. Não precisa se preocupar com sua querida madrinha!
-Você é louca!
-Pode até ser, mas quem vai suspeitar da madrinha, que vai tá chorando pela morte da afilhada querida? – Apontou a arma pra mim.
-Isso não vai ficar assim, você ainda vai pagar por tudo.
-Olha, eu duvido muito disso. Mas vamos parar de papo, isso já está se alongando demais.
Mirou a arma na minha cabeça, estava sem reação. Quando ela apertou o gatilho, vi a Fernanda pulando na minha frente, e indo pra trás com o impacto da bala. Tentei segura-lá pra não bater a cabeça em nada. Não conseguia ver nada, deitei a Fernanda no chão e fui pra cima da minha madrinha, ela tentou atirar em mim, mas agora eu já tinha reação, por sorte a bala não me pegou. Consegui chegar perto dela, e a gente começou uma espécie de duelo, estava consciente que ela estava armada e que a qualquer momento eu poderia morrer. Mas nada disso me amedrontava tudo que me interessava era vingar a morte da minha mãe, e acabar com ela por ela ter atirado na Fernanda. Eu não podia a deixar escapar sem eu tentar lutar pelo menos.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Gente, que babadoooooo
ResponderExcluirShokadaaaaaaaa O.o
ResponderExcluircomo vc disse... me pinta que eu to bege
kkkkkkkkkk
bjoo
Meldels =O
ResponderExcluir