Mais tarde, a Lê foi em casa pra gente ir no cinema.
-Oi Lê, entra ai. Tô quase pronta.
-É imaginei que isso fosse acontecer.
-O que você quis dizer com isso? - Perguntei fingindo intimidar ela.
-Eu? Nada! Quem disse alguma coisa? - Ela brincou.
-Não, mas é rapidinho, só falta pega minha bolsa, e já estou pronta.
-Milagre. Hoje chove! - Disse, caçoando.
-Boba, vamos?
-Aham, daqui a pouco a gente ganha carteirinha do cinema.
-Ia ser bom, íamos ganhar desconto.
-Ia ser uma economia boa.
A gente deu risada.
Mais tarde, depois que a gente saiu do cinema, estávamos andando na rua, de repente a Flávia aparece do nada na minha frente.
-Que isso? Resolveu me seguir agora?
Ela olhou feio para a Leandra, e disse:
-Olha se você acha que me fazendo sentir ciúmes vai me fazer desistir de você, precisa rever suas estratégias. Eu não vou desistir de você! Sei que estou dentro do seu coração, nós duas sabemos disso. Pode aparecer quantas garotas forem, você no final vai voltar pra mim, porque você é minha e eu sou sua. E nada – Ela olhou de novo pra Leandra e continuou – e nem ninguém vai separar a gente.
Fiquei surpresa com essas palavras, mas disfarcei.
-Já acabou com o melodrama? - Perguntei.
A Leandra riu.
-Já sim, e nós duas sabemos que foi mais que um “melodrama”. - É, eu sabia mesmo, ou eu achava que sabia.
-Flávia, me deixa em paz, segue sua vida porque estou seguindo a minha e se você colaborasse ia ser uma ajuda e tanto.
-Eu já vou, mas só por hoje, logo você vai ter noticias minhas, e eu ainda vou te ter de novo. - E saiu andando.
-Gente, mas a ruiva tá apaixonada mesmo! - A Leandra zombou.
-Pois que fique, por mim dane-se. Como diz a musica: “Passado é passado, eu quero é paz!”.
-Mas cá entre nós, bonita ela é.
-Pode pegar não me importo aquela ali não quero ver nem incrustada de diamante.
-1º)Você viu como ela me olhou? Se olhar matasse, eu tava esquartejada aqui na rua; 2º)O que ela fez pra você ficar tão magoada com ela?
-Olha não to a fim de falar dela. Esquece essa garota!
-Ok, já esqueci!
No outro dia, na escola, encontrei Fernanda assim que cheguei, e fui falar com ela.
-Oi moça, tudo bem? - Cumprimentei.
-Olá, nossa hoje entrou para a historia.
-Por quê?
-Porque é a primeira vez que a gente se cumprimenta na escola de modo decente, sem eu esta chorando ou você fazendo piadinha de mim.
-Nossa! É mesmo, não tinha reparado nisso.
-Mas então, descobriu o que está acontecendo?
-Que? Sobre o que?
-Você que disse ontem que não sabia o que estava acontecendo. - Ela me lembrou.
-Ah é mesmo. Não ainda, não. Minha cabeça tá rodando.
-Ô tadinha dessa pobre rebelde! - Zombou.
-Isso caçoa mesmo, vai rebelde não tem coração mesmo né? Que diferença faz? - Fiz drama pra brincar.
-Ai meu Deus que drama!
-Mas é serio tô confusa mesmo.
-Bom brincadeiras a parte, você sabe que pode contar comigo né?
-Sei sim. E agradeço é muito bom saber isso. E você também pode contar comigo, forever and ever! - Brinquei.
-Mas essa menina está muito metida falando em inglês! - Ela caçoou.
-É só pra quem pode, filha!
Escutei meu nome.
-Aquela ruiva ta te chamando. - Ela apontou.
Me virei e dei de cara com a Flávia.
-Você de novo? O que você quer?
-Só vim pedir pra você ir num lugar hoje à noite.
-Ah tá, você não quer mais nada, não né? Um buquê de flores, quem sabe? - Ironizei.
-Sério! Vai naquela praça que a gente costumava ficar perto da escola, às oito horas, que você vai ouvir algumas coisas.
-Não acho que não vou ouvir nada, não. Porque às oito da noite provavelmente eu vou estar na minha cama, lendo alguma coisa que valha a pena.
-Ok, o pedido tá feito, se eu fosse você eu iria. - E saiu andando.
-Nossa achei que ela fosse me bater, agora.
-É só ciúmes, é que ela... - Mas ela me cortou.
-Viu a gente ontem? É eu sei, reconheci ela, na verdade reconheci ela ontem. Só tenho uma pergunta pra te fazer.
-Qual?
-Aquele beijo... Você queria mesmo, ou foi pra fazer ciúmes nela?
-Eu queria, senão não teria te levado pra casa, e não teria acontecido tudo aquilo.
-Tá, com isso fico mais tranquila. Por favor, não me usa pra fazer ciúmes nela, tá?
-Meu, eu não te usaria, eu te beijei por que eu quis e quis muito, como você mesma pôde perceber depois, lá em casa.
-Tá bem, mas vamos mudar de assunto: já teve algum avanço na história da sua mãe.
-Não, isso tá mais empacado que burro na lama.
Ela deu risada.
-Ah, mas relaxa por que você chega lá.
-Espero. Fernanda você me ajuda numa coisa?
-Depende, se eu puder. O que?
-Hoje a noite, com essa historia da Flávia... Você me ajudaria?
-Até ajudo, mas tem uma condição.
-Aiii! Qual?
-Me conta direito essa historia de vocês.
-Mas o que você quer saber exatamente?
-Tudo.
-Nossa. Tá até conto, mas você não pode contar pra ninguém.
-Ta.
-Hoje, depois da aula, vem comigo lá pra casa, não quero que ninguém fique sabendo dessa historia.
-Tá, olha o sinal. Até mais tarde.
Depois da aula a Fernanda veio me procurar.
-Oi, então, vai falar mesmo?
-Vou, eu prometi não foi?
-É, então vamos?
-Vamos.
Quando a gente chegou em casa, deixamos as mochilas na sala e seguimos para a cozinha.
-Vem, vou preparar alguma coisa pra gente almoçar.
-Me conta, tô curiosa.
-Relaxa, vamos comer alguma coisa.
-Pára de enrolar!
-Eu não to enrolando!
-E eu não te conheço?
-Tá, - Disse conformada. - senta ai. - Disse apontando pra uma cadeira perto da mesa.
Nos sentamos, ela me olhando com uma curiosidade estampada na cara.
-Desculpa! É que eu nunca falei disso com ninguém, então fico meio sem graça.
-Não tem que se desculpar. Fala, eu estou CURIOSA!
Eu dei risada.
-Tá eu conto, foi assim: Nós estudávamos na mesma escola, e acabamos nos conhecendo através de amigos, começamos a sair, e acabei me apaixonando como nunca. Então começamos a namorar, eu estava super feliz podendo dizer que ela era “minha namorada”, sabe?!? Ela foi à única pessoa pra quem realmente me abri, confiava nela. Mas apareceu a Mônica, morria de ciúmes, porque eu sabia que a tal Mônica tinha um “tombo” pela Flávia. E ela foi se aproximando da Flávia, ficando “amiga mesmo” - Eu fiz aspas nas ultimas palavras com as mãos. - E eu sempre falei pra Flávia que essa menina não prestava, e ela me falava que era coisa da minha cabeça. E as duas foram se aproximando cada vez mais, e eu com cada vez mais ciúmes e menos paciência. Até que um dia fomos numa festa de uma amiga nossa, e a tal Mônica estava lá, durante a festa a gente se separou um pouco, porque eu fui falar com uns amigos, e ela falou que ia ver uns amigos que também estavam lá. Até ai tudo bem, mas de repente veio uma amiga minha, e me chamou, ela tava com uma cara estranha, e quando eu perguntei o que tinha acontecido, não me disse, me puxou pela mão até a porta de um quarto, quando ela abriu a porta, eu vi a Flávia deitada na cama se agarrando com a Mônica. E eu terminei com ela, lógico. E no final do ano pedi transferência me mudei pra essa escola.
-E ela tem a cara de pau de dizer que te ama, mesmo tendo sido pega traindo?
-O que ela diz é que foi armação, que doparam ela e tal. Mas eu não acredito muito nisso.
-Mas você ficou tão mal assim que teve que pedir transferência?
-Eu tava apaixonada demais, sabe aquele ditado: “Quanto maior a árvore, maior o tombo”? Então foi assim comigo, sei lá era como se só ela existisse pra mim, e ter pego ela na cama daquele jeito foi um baque horrível.
-Hum, e onde eu entro na história de hoje à noite?
-Desculpa tá te pedindo isso, mas é que eu sinto que você é a única que poderia me ajudar...
-Nossa. Que bom que você pensa em mim assim. Mas o que exatamente eu posso fazer? E pra quê?
-É que eu preciso chegar ao fundo dessa história.
-E eu entro onde mesmo?
-Você entra indo lá falar pra ela que eu não vou.
-Mas se você não vai por que eu tenho que avisar?
-Eu vou!
-Não estou entendendo.
-É pra ela pensar que eu não vou, mas eu vou estar lá, porque se ela souber que eu to lá ela vai fazer de tudo pra que a versão dela se confirme, mas se eu, supostamente, não estiver, a história vai correr livre, entendeu.
-Você só ta esquecendo um pequeno detalhe.
-Qual?
-Eu não sei que praça que vocês costumavam ficar. Vai ser estranho eu chegar lá assim, sem mais nem menos e falar que você não vai.
-Já pensei nisso, a tal praça é aquela perto da sua casa, eu lembro de ter te visto por lá, e você pode falar que estava a caminho de casa, e resolveu avisar que eu fiquei aqui em casa.
-E se ela resolver tentar tirar a prova?
-Eu deixo meu celular com minha madrinha, se ela ligar peço pra ela dizer que eu to no quarto com alguma garota, e que esqueci o celular na sala, mas que ia pedir pra eu ligar pra ela depois.
-Tá, já que eu prometi eu ajudo, mas depois você tem que me contar tudo.
-Sim, senhora!
-E eu posso fazer mais uma pergunta?
-Pode. Qual?
-Você ainda sente alguma coisa por ela?
-Olha não vou ser hipócrita, o que eu senti por ela foi forte de mais, muito mesmo, e por isso que preciso dessa confirmação. Porque querendo ou não, eu não tenho certeza se ela foi ou não dopada, entende? Se ela me traiu mesmo, eu vou dar um jeito de virar página e seguir minha vida, senão...
-Vou te ajudar sim, e que saber? To torcendo pra ela não ter te traído.
-Que?!?!
-É, você ainda gosta dela, e como eu gosto de você eu quero, realmente, que seja feliz, mesmo que não seja comigo.
-Nossa. Não sei o que dizer.
-Não precisa. Mas vem cá, você tem certeza de que sua madrinha vai ajudar a gente?
-Vai sim, é só eu pedir.
-E não é querendo te desanimar, mas você sabe que isso pode não dar certo, né?
-Sei sim, mas como dizem: A esperança é a ultima que morre!
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Aaaai, super curiosa...
ResponderExcluirAguardando. :D
Beijos
no aguardo!
ResponderExcluir=)
bjoo